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Um e o Outro lados do mesmo balcão. “O
balcão”, dizia-me o Bud, “é um local de extrema capacidade de
mudar o estado de ânimo das pessoas.” “Como assim? - pergunto - você
acaso está se referindo ao
balcão de anúncios,
balcão de lojas, balcão de Bancos, balcão de pagar crediários?
Sinceramente, além dessa interessante variedade de balcões, não
consigo ver nenhuma... variedade interessante.” – Se
você é incapaz de imaginar – diz ele – então
representemos. Você fica atrás do balcão de informações. Vamos
“dialogar”, com os devidos
travessões do discurso direto! –
Ótimo ! Passe-me um banquinho. –
Eu chego, calmo, sereno e tranqüilo. –
Você chega, calmo, sereno e tranqüilo. –
Quero ser atendido! –
Quer ser atendido.Você simula o atendimento. –
Eu simulo o atendimento. –
Então...? –
Então o quê? –
Imagine como seria...pipocas!...faça de conta. –
Ah bom...por que você não disse logo? Bem...
antes de você chegar, eu, naturalmente, devo estar fazendo alguma coisa
ou...se não gostar de fazer nada, fico, tranqüila, olhando para dentro
de uma gaveta aberta, como se estivesse em profunda meditação...
esperando a hora de o expediente acabar. Aí você bate. Vai lá e bate
na porta aberta. –
Toc - toc - toc! –
Um minuto! – digo com voz
aborrecida do gênio interrompido. Marco no relógio e espero um minuto,
exatamente um minuto. Entre ! Aí
você entra, com ar humilde e ressabiado. Por sua vez, observa a mim
que, por minha vez, observo dentro da gaveta... –
Com licença... –
O que há? –
Haver, propriamente não há nada, mas... –
E interrompe-me por nada?! –
Não senhora, longe de mim... é que eu estou precisando de informações...
–
Isso eu sei. Nesta placa aqui à nossa
mesa está escrito! "Informações" - digo eu, olhando
primeiro para o relógio e depois para dentro da gaveta... –
Eu gostaria de obter informações... –
Disso eu já sei. Um, porque a senhora já disse
isso e, dois, porque a placa continua falando: INFORMAÇÕES. –
À parte o grande prazer em visualizar... a
primeira placa que “fala”... devo informar que isso também eu já
sei. Um, porque a sra já disse; dois,
porque a placa continua "falando”: informações. –
Pelos milagres da santa glicogenia, afinal, o quê
é que o sr. quer?? Quais as informações que sua excelência deseja? –
Eu não sei. A
sra. é que sabe. Agora, eu quero todas as que puder me dar...! –
Como assim? Isso é gozação?! –
Como “como assim?!” ...O que há de tão
estranho em... pedir informações a quem ganha para dar?!... –
COMO ASSIM?!! QUEM é que ganha para dar? –
A senhora. Por acaso dá de graça...? Trabalha de
graça? –
Ô seu...!! Bem,informações, claro que não que não.
Bem...e quais as informações?
–
Eu é que pergunto isso. –
Então pergunte. –
Bem...e as informações que pedi? –
Quais? –
Todas as que puder dar...adoro informações. À época
da informática, há que ficar bem... “informático”... –
Olha aqui! O sr. vá... –
Vá prá onde ?! –
Essa informação não me convém dar... –
Sra. quer a minha informação? -Quero.
–
Vai a senhora ! –
Boca suja!...Vai aonde, hein, hein? –
Esta é uma informação que a mim também não me
convém... dar. –
Bem...então já vou indo. –
Aonde? –
Arrebentar a minha placa de informações! E
INFORMO-LHE: NA SUA CABEÇA!!! – C.Q.D. |