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Produzindo
minha própria e exclusiva... enchente! Ontem, sexta-feira, 30 de janeiro, amanheceu com sol forte e céu límpido. Um pouco antes havia estrelas ainda no céu. O
dia foi comum, mas durante esse comum – que fica monótono – nuvens se
formaram; brancas primeiro; acinzentadas depois, negras em seguida. Eu
vigiando. Tranqüila. Pelas
17hs, desce uma significativa tromba d’água, com gotas do tamanho da
moeda de ouro do Tcheco Bepo. Logo logo, meu quintal se encharca, mesmo
porque, já encharcado por anteriores dilúvios, não há absorção... Eu
vigiando, um tantinho menos tranqüila. As
moedas de ouro (que o negue o nordeste!) continuam a cair, agora em
pencas, de mãos dadas, umas às outras. Fora
desse barulho todo, há um silêncio aqui, até que ouço uma gritaria
geral de socorro dos meus pés arbóreos frutíferos: –
Plantas ao mar!!! Aguçou-se
o meu romântico espírito ambientalista e, já encharcado aqui dentro,
fui ver o encharcado do lado de fora. Tudo
devidamente alagado, com já metade da minha calçada submersa! O prédio
do Vendramini supremamente presenteado! Uma ilha completa! Aguçou-se
meu espírito – nada romântico, mas mercantil: “Que pena! Se a obra
tivesse terminado...eu poderia vender, aos 28 proprietários, barcos e
remos. Motor aos mais abastados”. Continuo,
de campana, no portão. Minha
linda vizinha, sra. Vânia, recolhe o carro (quase sempre estacionado à
sombra do meu “chorão” - penso em cobrar aluguel!)...e justifica ela:
“que as águas estão subindo...!” Com
a calçada quase que toda submersa, a chuva se amaina, que até o céu tem
limites. Sem
pressa, a enchente vai se esvaindo... e meu espírito imaginativo
percebe a frustração de
Moisés, o maior
vulto do Antigo Testamento, o “salvo das águas”, guerreiro,
estadista, poeta e coisas mais. Separou as águas do
Mar Vermelho! Sim, ele estava frustrado, porque (já que os
prefeitos não fazem!) ele queria fazer justiça aqui em São Carlos:
separar as casas dos bons samaritanos, que ligam água no lugar de ligar
água e ligam esgoto no lugar de ligar esgoto. E...encher de santa caca os
ralos de todos os outros! Não
fique triste não, poeta Moisés! Muitas enchentes maiores virão!! E
tudo volta ao normal. Depois
de todo esse desgastante processo imaginativo... um banho seria bom. Uma
morna chuveirada! Frustração!!
Tudo está seco. Nem um pingo sequer! É
que, devido a grandes pancadas do bate-estacas da digna construtora ao
lado... minha cabana recebeu o desengate de cotovelos no encanamento.
Vazamentos... dignos e... se o
registro ficar, santamente aberto, como em toda casa de qualquer santo
cristão... Moisés que nos
acuda!! E que nos salve, não só da conta do SAAE como do desperdício!! Registro
aberto... um santo banho morno... que felicidade duradoura!! Pelo
menos até à meia noite, quando acordo, sempre com a mesma voraz vontade
de saborear manga! O trajeto, até a copa traz um ruído estranho:
tschock... tschock... tschck..!!! Tudo
inundado! A começar pela grande rachadura da área de serviço!!! Mas...primeiro
é a manga! Depois, duas horas a secar a própria e exclusiva enchente! |