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ALÔ,
DR. GOLDENBERG!
Há mais um menos um ano, esta escritora
recebeu, via e-mail, um maravilhoso texto, em que um doutor engenheiro da
nossa honrada USP chamava-me de mãe
primorosa e... mais ainda, citando-me
como “representante do espírito humano!.”
Naquele dia, em que este imenso engenheiro,
que faz palestras sobre ética, chama-me de mãe... fiquei muito
orgulhosa, envaidecida e elevada às alturas...
Mas,
consciente de que o orgulho é mau companheiro; de que a vaidade
nos torna mais ou menos idiota, muito mais que menos; de que o
envaidecer-se nos coloca um
verniz de anti-humildade... fui ficando bem quieta... até que todas essas
veleidades se foram passando!
Levou
um ano!! Acho que sou
retardada!
E apenas agora, ouso publicar uma
pequena poesia que fiz ao caro amigo, em resposta ao texto lindo,
em que me pesou muito a
responsabilidade em ser... “representante do espírito humano”!
Esse
meu caro amigo, que um dia me enviou página de um doloroso livro “Charny”,
traz ainda, tenho certeza, na fronte nobre, uma ruga... lembrança do
holocausto de triste memória!
Abraços
da Daidy, a quem esse grande homem chamou de MÃE e mais... de admirador!
Representantes
do Espírito Humano
É
um engano
Pensar
que o espírito
Do
humano
O
representa o escritor...
Este
apenas desliza...
Não
realiza...
A
pena sobre o papel
Vive
de encanto, do irreal
Da
ilusão
A
esperar que jorre em seu quintal
O
rio de leite e de mel!
O
escritor, creia
É
aquele bobo na tentativa de editar
Uma
única página
Que
o mundo a leia
Onde
ele consiga trazer
A
bondade do intelecto
À
sabedoria...do coração..
Um
quase impossível de acontecer!
Estou
perto...
Desse
intangível
Desse
ausente mundo em flor.
E
agasalho
Num
aveludado recanto da alma
Um
beijo de filho e admirador...!
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