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O...SONO ENTRE REALIDADE E FANTASIA !

Depois de entender que o vôo com os maçaricos era diferente do que imaginava, e que o “bando” que voava em forma de flecha era (e o leitor que assistiu ao filme “o carteiro e o poeta”, com certeza, vai se lembrar desta palavra: metáfora) uma crônica metafórica, eu penso que o nosso Bud esteja procurando definir o lugar dele junto à sua... maçaricada.

E  sei disso porque o conheço.

A cadeira de balanço já há algum tempo parou de balançar; o barulho das asas das aves aquáticas e pernaltas (dos maçaricos) virou silêncio... o silêncio que traz o ruflar das asas do pensamento...

Bud está refletindo intensamente. Sem ousar um gesto sequer a estilhaçar aqueles instantes de... encantamento, calamos... o corpo imóvel... A respiração... pequena! 

A mente flui, etérea, lépida e veloz! Ao espaço sem fronteiras...! Esteve nos picos brancos de neve, deslizou encostas inteiras, íngremes e geladas... onde as lendas falam de louras fadas que rodopiavam... em arrebóis! Suave, as vestes finas transparentes, levaram a mente - em falhar... delicado - para o sol quente... para o deserto dourado!...

Ali aprendeu ela a banhar-se em rios de leite e de mel...!

Ali aprendeu ela a ler na areia o segredo dos sinais do destino, a sabedoria que 40 mil tamareiras reuniram entre a sombra dos oásis e as rimas dos Poetas do Silêncio!...

...poetas que gravaram nas efêmeras dunas a verdade de cada verso e... a eternidade... de cada momento... 

 Perfume de almíscar, gosto de vento... lá vai a mente embora... 

... e plana agora, estranha, por um grande lago, bem no topo da montanha...!

... Lago azul e gelado, com barcos de cristal... alados...em águas cristalinas... deixa a mente – qual piloto impávido – no gelo, que fica grávido, volteios de finas histórias com trutas solitárias e murtas bailarinas!

Elas engolem a luz, produzindo todas as cores que enfeitam os amores, tornando a noite preta!

Noite preta! Noite preta!! Chega de enlevo! É preciso fazer o jantar, minha gente.

 Deixo ainda o Bud refletindo, silencioso e, pé-ante-pé vou à cozinha, fechando bem a porta.

Acendo os queimadores do fogão! Batata, ovos, cenoura...um pedaço de torta...

 Daí a pouco chega ele, bocejando, espreguiçando-se, esticando-se, esticando-se. E declara sorrindo:

Parece que há tanto tempo estive dormindo... hã... bem, a última coisa de que me lembro é que você ia acender  um maçarico; prá quê que era aquilo mesmo?

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