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A Praça de Liberdade e... cenouras!

Ué!!...

Parece piada! Justinho quando completam 40 anos daqueles anos de 1964 – juro que a Matemática está correta – periclitam os programas da televisão todos...em difundir as maravilhas de gloriosos personagens que lutaram pela Liberdade X (versus) Democracia.

Democracia, convenhamos... é ideal... ideal... ideal... inatingível! direito à Educação (risadas), direito de Expressão (risadas), direito a Saúde, (risadas), direito de Igualdade perante às leis... (risadas!); direito à Dignidade (gargalhadas!)...

Voltemos. Era tempo do "arbítrio", do dedo-dura, perdão, da ditadura. Ou você era da "direita"...ou da "esquerda". Não havia sequer um lado...que estivesse aí... no meio!

Fazíamos um jornalzinho inofensivo e... como tudo naquela época... se iam camuflando as críticas... junto a uma porção de bobagens, que era para disfarçar.

É um diálogo:

Por gentileza, uma informação:

- Onde fica a Praça da Liberdade?

- É muito simples. Simples mesmo. Não pode ir pela esquerda. No momento é um beco sem saída. Vá sempre pela direita. Segue a rua da Amizade, até encontrar o cruzamento entre o elefante e a formiga. Aí o sr. dobra a rua da "Esperança", até encontrar uma série de outras pequeninas: Paranapiacaba, Pindamonhangaba. Para-la-e-para-cá-Panema. Aí aparece uma avenida de nome enorme "A". Passando-a, o sr. estará num bairro de paz: "Favela da Rocinha”, “Tomada da Bastilha", "Revolução Bolchevista”, “Direito do Homem". Passando por tudo isso, o sr. chega ao Bairro dos Combatentes".

Depois dobra a "Ninfa do Amor", sobe a dos "Noivados", chega à dos "Aos Casados", passa pela "Enforcados"...atravessa os "Arrependidos", a dos "Divorciados" e... chega à avenida do "Poder". É o carrefour.  Sabia que Carrefour significa "encruzilhada"?

(Vamos respirar um pouco).

O sr. só tem duas opções: ou entra nas "Estados Unidos", via México... ou, se não puder ultrapassar a fronteira fica por aqui mesmo, enfrentando a rua dos "Alquebrados", tipo Ai-1, Ai2- Ai-3, Ai4, Ai5.

Logo logo, o sr. divisa a "Rua dos Independentes", que o levará à Praça da Liberdade!

- Mas, a r. Dos Independentes é logo aqui... à esquerda. Em vez de fazer essa volta toda, pela direita, posso, se for pela esquerda, chegar, em dois minutos, à Praça da Liberdade...

- Eu não disse que era simples??!

O que incomoda é o "seguinte": quarenta anos passados... tudo deveria já estar em santa, ampla, total e irrestrita ação de justiça.

Nos "trinques", como se costuma dizer... mas não é bem assim. Quem manda... manda! e quem manda... manda!!! Nos trinques.

Risadas, risadas e gargalhadas lembram-me um circo, em que eu tenho três papéis: numa comédia, onde está, descascando batatas na cozinha, uma professora do Estado, aposentada. Com a liberdade de ir e vir, ela foi... mas exagerou, entrando num restaurante! Até hoje não voltou. A família pensa que foi seqüestro relâmpago!

Que é isso, Geraldo Alkimin? Hein, hein?!

No segundo papel, eis-me um cavalo que, pelo picadeiro da vida, corre e corre, cada vez mais tentando alcançar as cenouras ardilosa e engenhosamente amarradas à própria cabeça, mas... que lhe estão a dez centímetros da faminta bocarra...

Resolvi resolver, plantando minhas tenras cenourinhas...

- Mas, e o terceiro papel?!

  - É o de palhaço ora, como muitos e muitos! Ainda não achei conserto.

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