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A
Ver Urubus! –
Que foto é essa? –
É uma foto de urubus, Bud. Não está bem focalizada a cena? –
Sim, sim... hum... hein... hã... dá pra ver. É um bando de urubus. É
bem verdade que a coisa está preta! Principalmente, convivendo com os
dois “Brasis” que nós temos: um deles é o das balelas que nosso
Presidente Lula, utópico e eleito pelas promessas de mudança da campanha
e fazendo tudo ao contrário agora, no poder... pensa que existe. O outro
é o nosso Brasil da realidade, com maiores desempregos, sem possibilidade
de trazer-nos novas indústrias. As estradas para escoar os bens de produção
(principalmente os da agro-pecuária da região produtora do Centro-oeste)
se encontram em quase inexeqüíveis formas de utilidade; a energia elétrica,
por falta de inteligente iniciativa daqueles que ganhavam para fazer
isso,... não nos trouxeram o “superávit” para novos investidores,
aqueles de longa duração. –
E continua o endeusamento da Bolsa de valores. Aqueles que compram, na
baixa, esperam a alta e revendem as ações, com lucro fabuloso! Retiram,
sugam de nós!!! Na campanha, nosso “ungido” Lula prometeu solução
melhor! Acho
que, ainda “deslumbrado” com o poder... a memória lhe falta!! É por
esse motivo que reedito o texto publicado em “Duas Moedas da Mesma
Face”: A ver urubus, que, como eu... todos os demais brasileiros
pobres... continuam vendo! Explico:
o Bud vem de omBUDsman. É imaginário e conversa comigo... enquanto falo
sozinha. Continuemos,
digo eu: –
É uma longa história. Nessa época, já não fazíamos jornal e morávamos
em Campinas, no Botafogo. O filho mais velho, Mario, entrou na Computação
da Unicamp; o menor, Giulio, cursava o pré-vestibular à Engenharia
Civil. Meu ex só chegava nos fins de semana e, dando o máximo de si para
a Transmecânica, de quem chegou a ser o segundo homem – de confiança -
com muitas “batidinhas” nas costas e sem registro nenhum em carteira,
(era Diretor de alguma coisa), hoje, depois de muita luta... só recebe,
de aposentadoria... um salário mínimo ao mês. Depois de haver recolhido
por 20!! E
por esse motivo que reedito os “Urubus”! Em
Campinas, não tínhamos carro nem empregada. Aos
domingos, fazíamos massa em casa (bendita herança da minha vó Mathiede,
Deus a tem!) e a família, pobre mas feliz, almoçava, conversando muito.
Depois, nós quatro arrumávamos a cozinha e já o relógio (à pilha e em
forma de frigideira) marcava duas, duas e trinta. Os
“meninos” , como sempre, iriam estudar e... nós dois, contando os
trocados, viajaríamos! Sempre por perto. Nada de Bariloche ou coisa
parecida. Com retorno à noitinha, para o delicioso preparo do jantar. Porém,
cada “viagem” era precedida de estudo do mapa. Nesta específica ocasião,
vazando o nosso espírito desbravador e indômito, irrequieto e ambulante,
foi à cidade de Itapira a escolhida. Apenas a alguns quilômetros de
Campinas. No
domingo em questão, barbeado ele, máquina fotográfica a tiracolo,
perfumosa eu, rumamos para a Rodoviária, cada um portando um livro. Que
era para ler nos bancos que os jardins têm sempre, na praça que a cidade
tem sempre, em frente à Igreja que os imigrantes italianos tiveram,
sempre, a mania de erigir. Passagens
para Socorro, com “escala” em Itirapina. Fomos indo, fomos indo e
fomos indo, até que as placas para entrada em Itirapina apareceram. E...
passaram!! Meu
corajoso ex, incontinenti, foi “exigir” do motorista, explicações!!
De fato, o veículo passava, mas não entrava em Itirapina. E nos
aconselhou: “ali na frente, antes do pontilhão. O sr. desce e pega um
ônibus ao seu destino”. Assim
o fizemos. Barbeado
ele, máquina fotográfica a tiracolo; perfumosa eu, descemos para o
asfalto. O céu nublado. Ao lado da curva, uma barroca. Momentaneamente,
sem ter o que fazer, nossa atividade exploratória levou a melhor e começamos
a investigar as paragens. O sol, como que a brindar a inédita ocasião,
apareceu, forte e fulgurante, entre duas nuvens. Tudo resplandecia e,
logo, subia às narinas... um horroroso cheiro, que aumentava e que
aumentava, com o calor do sol! Que será, que não será, venceu o espírito
exploratório e fomos dar... num grande depósito... de lixo, com urubus e
tudo! Uma urubusada! Meu
ex entusiasmou-se com o número deles e arriscou uma estimativa: deve
haver 300!! “Acho que não, assevero eu: só 200!!” “Vamos contá-los:
você os de cima, eu os de baixo!” Nas árvores: são, precisamente,
128! No chão: precisamente 265! Aí
começou uma briga entre nós: você não contou direito! Foi você que não
fez isso!! Olhe,
o ônibus vem chegando!! Tire uma foto! Os contaremos em casa! Não
vai dar tempo! Esperamos um outro ônibus? “NÃO!!”. –
CLICK! Deu certo. E... respiramos... aliviados!! Subimos
no ônibus, barbeado ainda ele, já nem um pouco perfumosa eu. Contentes
ambos. –
Então, querido Bud, é essa foto aí, a dos urubus! –
Inda que mal lhe pergunte, quantos eram, afinal, os urubus, hein?! –
Ora, Bud... francamente..acha que vou contar... urubus??! isso é... ridículo! |