|
Mãe
é Mãe... ! Paca Tatu Cutia Não! Um
malfeitor estava acabando de estrangular o amante da esposa quando um
eficiente policial o prendeu! Já
fica entendido que esse estrangulador algo de bom possuía. Explico: não
era ele de queimar o sofá onde a querida esposa deslanchou-se para novas
aventuras, como tergiversam dignos representantes do “staff”
administrativo do Estado Brasileiro. Incisivo,
foi ao ponto. Mesmo em legítima defesa da honra, o João Ninguém, embora
“mostrando o pau, matando a cobra e... mostrando a cobra morta”
(Palavras do nosso Lula), foi condenado a 20 anos de prisão. No
início, no dia de visitas, algumas visitas: a esposa arrependida, alguns
amigos, parentes e conhecidos... e a mãe. Com um pastelão assado, que
ele adorava. Com o tempo, a esposa arrependida se desarrependeu... sumiram
os amigos, sumiram os parentes, sumiram os conhecidos. Ninguém dos
Direitos Humanos. Ele só. E a cela fria. Apenas que, em todo e em cada
dia de visita, cada vez mais branquinha... lá estava a senhora sua mãe,
a trazer-lhe, junto à lagrimas sentidas, um pastelão de forno que ela se
lembra, ele adorava. Dizem
que a mãe coelha sente, mesmo do outro lado do mundo... quando o seu
filhote sofre! Dizem, também, que mãe é coruja! Coruja,
coelha... cobra... lembra-me o caso do “bichado” Waldomiro Diniz...
que deve ter mãe. Eu preferiria que ela já estivesse no além! Dessa
mesma opinião era uma minha amiga – cuja história lhes conto – mãe
que havia gerado dois filhos: o mais novo iria aniversariar em fevereiro,
mas, desde o ano passado, pensava ela num presente significativo... pensa
que pensa e que pensa, liga ao amado filho mais velho: “Vamos fazer ao
seu irmão uma cópia da fita que você gravou, a lembrar os maravilhosos
momentos da formatura dele, na Engenharia Civil?” – Pergunto. “E que
tal algo diferente, como um almoço numa churrascaria ou um simples
presente ou... uma viagem à lua?” – Responde ele. “Aceito!! Fica
combinado que nosso presente será um almoço numa churrascaria, na
lua!”, respondo a ele. Só
que os passaportes não ficaram prontos... E
chega a véspera do grande dia, sem nenhuma solução que fosse...
significativa. Pensa que pensa, pensa que pensa e... “ACHEI!!” grita
ela feliz, com maior entusiasmo ainda com que o grande Arquimedes, no
banho, ao descobrir a lei do peso específico dos corpos, pelado, saiu
gritando: “Eureka!” (Descobri!). (Inda
que mal lhe pergunte, essa tal mãe, amiga sua, meio doida... ela saiu,
como o Arquimedes...?) Não!
só foi ao telefone e ligou ao 102 – informações. (Passo agora ao
discurso direto): –
Quero todos os telefones de Ribeirão Preto, dessas firmas que fazem
entrega a domicílio.E não sedex! –
Mas só lhe posso passar três! –
Anoto-os e, daqui a um minuto, ligo outra vez! e mais outra vez! Depois
foi um tal de tocar e tocar e tocar a Ribeirão Preto que não acabava
mais. As respostas eram sempre as mesmas: “não, senhora, não
trabalhamos com esse produto. Nem sequer o conhecemos... ” As
incansáveis ligações continuavam, com a mesma resposta... até que: uma
gentil pessoa – EDNA – lhe dá algumas esperanças –
Nunca recebemos um pedido desses, antes... é difícil... mas, passe seu
telefone, verei o que posso fazer... –
EDNA, lógico que pode!! Use a criatividade e procure! A
espera foi angustiante... (Inda
que mal lhe pergunte, essa mãe meio doida, sua amiga... estaria
encomendando a quem faz entregas de café da manhã... uma brilhosa
fantasia de carnaval?) Não!
nada de fantasia. Tudo é de verdade! –
Trim! –
É a EDNA?! –
Sim! Está difícil! tem certeza que o produto não vem... assim... solto? –
Absoluta! Vem preso! E
a espera continua angustiante. –
Trim! –
É a EDNA? –
Não! Sou Eduardo Suplicy! –
Ah! O senador ético que fala devagar... –
É. E queria lhe contar que... –
Agora não! Preciso manter a linha desocupada! –
A sra. só tem uma linha? –
Malinha não me parece o tamanho das malas que aí, em Brasília... alguns
fantasiados de honestos estão enchendo... vou lhe passar um longo e-mail,
mas... que todos por aí tivessem uma (única) linha desejo. Câmbio e
desligo. –
Trim. –
E a Edna! Consegui!! Será entregue, enfeitado por sua exigência, justo
às 9h30min da manhã. (Inda
que mal lhe pergunte... essa mãe, doida por inteiro, não teria
encomendado... a Globeleza ao filhinho, teria?) Não, ele tem na pessoa da
esposa inteligência e beleza a superar as bobagens todas por aí... . (Inda
que mal lhe pergunte, como acabou a história?) Foi
assim: justo às 9h35min, aquela mãe doida inteira tem uma ligação: –
Mãe!! Acabo de receber um maravilhoso presente! Como é que você foi se
lembrar que eu adorava aquela grande bola de queijo holandês, muito cara,
que vem presa dentro de uma grande lata vermelha?!! Estou muito feliz! –
Mais feliz eu, filho, pelo fato de não ter, a exemplo de tantas mães,
que levar... um pastelão assado ao filho... –
Como??? Não entendi! |