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Koisas
do... alem!...? Foi
exatamente a 22 de outubro último que recebi uma singular ligação: –
Gostaria de falar com a cronista Daidy. Ela está? –
Em pessoa! Aqui nada é virtual, a não ser minha imensa vontade em ganhar
um milhão, no show do milhão. Mas... com quem tenho o prazer de falar? –
É o Sérgio. Leio todas as suas crônicas e gostaria que fizesse uma
apreciação sobre os meus escritos... –
EU?! É lisonjeiro, mas não tenho competência para ser crítica literária! –
Mas... é crítica!! –
Bem... depende do ponto de vista! –
Não! A vista, a ótica do ponto é que depende do autor. –
Sr. Sérgio, assim sua pessoa deixa ainda mais confusa a mim, que já
pessoa confusa sou... Bem,
na tarde daquele mesmo dia, recebo um belo livro “Atualidade ante o
terceiro milênio”, de Sérgio Meibach, editado em setembro de 2003. É
ele, o que me telefonou!! A autografia, inusitada, é um prático (?)
carimbo, mensageiro: “Que o meigo Nazareno, nosso amigo incondicional,
ajude-nos na presente romagem, soerguer-nos das ruínas morais do nosso
pretérito denegrido.” Sincera,
não gostei do último pedaço “soerguer-nos das ruínas morais do nosso
pretérito denegrido”... e já pressentindo uma dura crise de consciência,
porque ignoro minhas denegridas passadas vidas (o padre Guevedo sustenta
que essas koisas não eqsistem), resolvi brincar um pouco, a disfarçar,
limitando os passados todos ao...passado presente. Será
que me esqueci de pagar alguma conta? A Seller, atrasada, paguei; os Okino
receberam meu cheque; Arco íris também; pelo cartão pago o ab swing.
Meu paciente dentista dr. Rodrigo Mazo Orlandi tem meus cheques mensais...
seria o “Leão”? Piada! Na merreca dos assalariados ele já garante
sua fatia...já sei!! É o IPTU ! não paguei por causa dos prejuízos das
enchentes (antecipei– me à prefeita de São Paulo, na isenção. Estou
achando– me chique no úrtimo!) e posso ir para os quintos dos infernos,
a pé, se eu o pagar! Na próxima vida, aí sim, terei um passado
denegrido: “escritora foi recolhida à prisão, em cela individual, por
negar- se a pagar IPTU, insistindo, teimosa e algemada (que trágico) que
ao poder instituído cabe garantir incolumidade e segurança aos munícipes”.
Isto posto, fui ler o livro do sr. Sérgio Meibach, deixando de
lado os preâmbulos de dedicatória, apresentação e agradecimentos. Fiz
mal.
Fui lendo e fui lendo. O estranho é que, entre um texto e outro,
alguma força fazia-me voltar à página 27. Um pequeno escrito de apenas
duas páginas, sob o título “Alergia a Dinheiro”.
Lia, lia e...voltava à página 27. “A vida de um homem não
consiste na abundância das coisas que possui”... “Um homem poderá
reter vasta porção de dinheiro. Porém, o que fará dele?” Na
primeira leitura eu sabia o quê fazer. Nas outras leituras...não tanto.
“Poderá exercer extensa autoridade. Entretanto, como se
comportará dentro dela?”
Aí eu juro que não é comigo! É lá com dr. Newton Lima,
prefeito de S. Carlos; é lá com Manuel Samartim, futuro e novamente
prefeito de N.Odessa; é lá com a Marta Suplicy, de S. Paulo; é lá com
Paulo R. Silva, de Mogi Mirim; é lá com Jair Padovani, de Hortolândia;
(sabia que em Hortolândia vai haver um posto de GNV? Gás natural
veicular, que representa 70% de economia em relação à gasolina? É a
segunda cidade a fazer isso na RMC – região metropolitana de Campinas
– esta já os tem.); é lá com a decadente clã dos Braga que dominou
Porto Ferreira nos últimos 30 anos... –
Um minuto! Por que está nomeando toda essa gente? –
É fruto da época da globalização. Cada um faz o que pode e, enquanto
isso, tento convencer-me que o trecho citado nada tem a ver comigo. Volto
às citações do sr. Sérgio: “Não
procures amontoar levianamente o que deténs por empréstimo. Mobiliza,
com critério, os recursos depositados em suas mãos; o Senhor não te
identificará pelos tesouros que juntaste, mas pelo valor de tuas realizações
e pelas obras que deixaste...” Lendo
e relendo as páginas 27 e 28, decidi esquecer meu imenso desejo em ganhar
um milhão e partir para uma boa ação. Não sei como efetivar isso, mas
meu emérito amigo, Agnaldo Luiz Vergara sabe. – Agnaldo, você receberá
150 livros meus. Troque-os por alimentos, em beneficência à Casa que você
escolher! Minha
crise de consciência passou... pelo menos momentaneamente.
Fico pensando em como duas páginas mudam tudo! E quis contar isso
ao escritor Sérgio. –
Não pode!! – responde alguém do jornal com quem ele colaborava.
Morreu!! Do coração. Arrepiada
e chorosa: senhor Sérgio, onde quer que estejas... obrigada!... recebi um
dos teus últimos recados em corpo físico e me arrependo de não haver
lido antes, no preâmbulo dos “Agradecimentos”, que tinhas 72 anos de
idade e que antevias tua partida, por grave problema coronário. Que
pertencias à Sociedade Espírita Obreiros do Bem e à União das
Sociedades Espíritas de S.Carlos. Que enviavas um agradecimento especial
à Folha por ceder a contracapa da primeira página à inserção dos
ideais. |