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Planta de Banco

Se há profissão que jamais escolheria, se me fosse dado voltar e escolher, seria a de fazedora de plantas. Coisas de engenheiro. Não é o agrônomo, porque refiro-me às plantas de prédios, casas, Bancos; o da robótica também não é. Creio que o abacaxi fica mesmo é com o engenheiro civil.

Militar é outra coisa!

Pense comigo: imagine uma casa linda ou algum alto prédio ou um grande Banco. Tudo prontinho, com portas, janelas, vitrais, água, energia, sanitários, mil tomadas, forros, paredes, tetos, detalhes aos milhões... tudo em pleno funcionamento...!

Aí, vem a mão bendita do engenheiro civil com carinho e sabedoria e, lá do último andar do alto prédio ou do teto da casa ou do grande Banco... vai amassando, empurrando para baixo, sem desmanchar nada... até que aquela complicação toda se acomode na prancheta... sobre um pequeno bi-dimensional papel... chamado “planta”!

Não é lindo?!

Tal pensamento veio-me anteontem, quando estive, um tanto confusa como sempre, envolvida com bancos. Não é de sangue, nem de jardim, que hoje não estou nem para medicina filantrópica, nem para bobo romance!

Hoje sou toda “Ciência Exata”! E fica combinado que não era pobre, nem de mentira.

Era real!

Aí aproximo-me à linda gerente – que vamos chamar de Karina :

Karina, quanto “que tô deveno”

– Oi, Dna. Daidy! Um momento! A sra. deve, exatamente R$3,85.

– “Vô pagá!!”

E depois, com muita empáfia, nos trinques com esses e erres, acrescento:

Pretendo fazer uma Aplicação em Fundos de Investimento. Exatamente no Extra DI, que tem conferido aos “latifundiários” uma taxa de juros menos aviltante...!

Bom!! Vai nesse primeiro caixa que eles farão seu depósito mais rápido que nos “eletrônicos”!

Obediente como sempre fui, fui!

Uma idosa era atendida. No caixa especial para idosos, deficientes, mulheres com nenéns no colo, mulheres grávidas, homens em menopausa... essas coisas.

Atrás de mim chegam pessoas não idosas, portando, todas, um tipo de pasta, no caso era verde.

Atendida àquela senhora idosa, eu, já conversando com a moça primeira atrás de mim, nem percebo que uma jovem, lotada de papéis, insinua-se furando a fila e se apossa do “meu” guichê e vai ocupando, ocupando e ocupando o tempo do atencioso bancário Juliano.

Demora. Demora. Demora.

A fila aumenta, aumenta, aumenta!

Ô Juliano... neste Banco não há ninguém para atender a uma distinta idosa como eu?!!

Já vai, sra.! é que...

É que essa fulaninha aí furou a minha fila! Ela nem idosa é...! Não parece... pelo menos à primeira vista, uma deficiente; não tem bebê ao colo, não é homem em menopausa e... grávida... só se for de duas semanas! Desse jeito, vou sair daqui muito mais velha do que entrei!...

Atendida e... com um certo sentimento de batalha ganha, volto à mesa da gerente Karina. Enquanto ela efetiva meu “grande” investimento... observo a parede atrás dela: ali há uma grande planta, imensa mesmo... que cobre de poder e de significados todos os espaços disponíveis e... em busca de mais.

Entendi a mensagem do estabelecimento. E de todos os seus congêneres.

Era uma valente planta verde de nome: “COMIGO NINGUÉM PODE”.  

(Acho que vou dar esta crônica de presente de Natal ao meu filho Giulio Peterlevitz Frigerio, ficando a ele também minhas homenagens pela entrega de sua monografia. Ele já é quase "mestre" em Engenharia Civil!)

– Mãe coruja tá aí!!!

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