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Ligou-me
uma cara amiga, de Campinas. –
ALÔÕ!!! –
Kaaâãnkã...croft...hiiiinckkk...canrâãã..rããn..rã..rã...! –
Mas que tosse! Você está tuberculosa? –
Kaaâãnkã...croft...hiiiinckkk... canrâãã..rããn..rã..rã...! –
Lógico que está... isso é uma vergonha, diria o Boris Casoy! Já faz
muito tempo em que era de refinada elegância, alguns antigos
autores românticos morrerem
de tuberculose!! Não é, absolutamente, o seu caso!! –
Kaaâãnkã...croft...hiiiinckkk...canrâãã...rããn..rã..rã...! –
N-não?!Kaaâãnkã...croft...hiiiinckkk...canrâãã..rããn..rã..rã...!
Q-q-u-a-a-annnta ge-ne-ro-si-dade! –
Não! você já tem mais que o
dobro da idade deles... – Kaaâãnkã...croft...hiiiinckkk...canrâãã...rããn..rã..rã...! Q-q-u-a-a-annnta mal-ma-dade!!! –
E mais: você nem é uma romântica escritora!! – Kaaâãnkã...croft...hiiiinckkk...canrâãã...rããn...rã...rã...! e... comé que so-o-o-ou? –
Uma autêntica gozadora, é o que você é!! Bolas! (Já
que, em não podendo mais falar, resolvi dar uma liçãozinha a essa
atrevida e ilustrada amiga). E
enviei, só a ela e a nós todos, o este pequeno texto: A TosseA
tosse é aquele incômodo buco-pulmonar que, às vezes, faz dormir
quando deveria estar acordada , porque já fez você ficar acordada,
quando deveria estar dormindo, nas santas horas de trevas...período em
que todos (ou quase), experimentam a pré-estréia da santa morte! É
por esse motivo que durmo só o estritamente necessário! Alguém teria
pressa em ir logo para a longa e eterna noite de estréia?... Vai
ser besta assim nos quintos dos infernos e... o diabo que o carregue!! Assim, devo lhe contar. Há dois seres a quem eu amo muito: o cão e a criança. Ambos vivem apenas o presente... nada mais que o presente!... via de regra, tudo lhes indica um tecer de felicidade. Aquele abana a cauda, a um simples afagar de mão rude; esta, a criança, não tendo cauda, apresenta-se como a fiel manobradora de um tear manual, onde, fio por fio, coloridos todos, retribui carinhosa, em inédita edição criativa e aperfeiçoada, aos estímulos de um lar atencioso que não a deseduque...! Veja
bem, que este pedaço é importante. Para ser tecelã da própria
felicidade...o que quê me resta, hein, hein? Voltar a ser criança é
um grande (e muito próximo!) perigo na minha idade...! Só
me resta o cão!!... mas falta-me a cauda... que a perdi pelas esquinas
da vida... de tanto apanhar nela..! mas, há uma esperança, pô! “O
cão”! O cão tem um pedaço do corpo que se mantêm frio. Frios
devemos ser aos desencontros e desencantos da vida. A vida, que é um
grande circo, com palhaços e exímios
equilibristas... ora, deixemos o picadeiro! Passemos para a
arquibancada! Sejamos
apreciadores e não protagonistas! Nada, absolutamente nada, deve
interferir em nosso caprichoso tecer, dia-a-dia, a nossa presente
felicidade. O futuro? Será um grande sono, para todos!! E
foi assim, que resolvi ter meu focinho, ou melhor, meu nariz...sempre
gelado, como o do cão: tudo o que se cheira, deve ser
de um ponto de vista frio!! Durmo
num sofá cama, bem sob uma janela. Verão ou inverno, ela permanece
aberta. Só meu grande focinho de fora, que é para gelar! Numa
dessas pré-estréias, choveu...esfriou muito e gelou-me um pouco mais que o focinho. Veio uma tosse. Acho que minha
obrigação em tossir já está no fim. Fiz a tarefa de casa muito
direitinho. E o fato não irá se repetir. Tenho
certeza que você estará pensando: acho que ela desistiu
e fechou a janela!... NÃÃÃO!!
Só encomendei uma camisola
mais grossinha! Naturalmente,
o “design” é sempre o meu, especialista – e estilista que sou –
em... espantar fantasmas e coisas adjacentes. Um lindo e amplo camisolão,
lógico, roxo, com enormes bolas brancas... A
partir daquela gozação de minha cara amiga, é ele que agasalha esta
carcaça, com o dobro da idade dos famosos escritores. Só
que... o focinho...este continuará de fora, à procura de gelar-se...
como o daquele cão... que só vive o presente e que, feliz...abana a
cauda...à simples carícia de uma
rude e sofrida mão... Kaaâãnkã...croft..hiiiinckkk...canrâãã..rããn..rã..rã...! |