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Churrasco-mega

     Foi quando eu encontrei um dos meus magníficos Anjos da Guarda (Anjo da Guarda eu chamo aos seis mil visitantes do meu site) o Dr. Carlos Goldenberg, amigo do magnífico Ricardo Gattas, proprietário – junto com minha amiga Júlia – da mais refinada padaria do bairro Santa Paula e adjacências. Muitas adjacências.

     – Daidy! Gostei de ler a crônica “Mega-churrasco”!

E foi quando eu comecei a babar... a babar...

     – Pudera, a falar de churrasco!...

     – NÃÃOO! Eu babei foi por causa do elogio! E esse mesmo meu Anjo da Guarda recomendava:

     – Fale mais sobre o churrasco!!

Explico: é que a essas seis mil pessoas (incluindo todos os meus Anjos da Guarda) que conectaram meu site, e, agradecida, babante, prometi um “Mega-churrasco”. A todo esse magnífico pessoal.

Essa idéia de escrever me veio quando um comprimido de anador fez parar, momentaneamente, a magnífica dor de dente, permitindo-me dançar um forró, às seis da manhã. Motivo? No mínimo três: eu estava viva; pessoas importantes liam o que escrevo e havia magnífica vida a ser vivida... sem dor de dente!

Se há algum motivo de orgulho em mim, é o fato de que confiam naquilo que falo. Isso é sério! Assim, por falha técnica na transmissão de e-mails, as últimas linhas do “Mega-Churrasco” não chegaram aos grandes meios de comunicação e ao meu site.

Elas – as linhas – falavam assim: para fazer esse “Mega-Churrasco” já tomei os devidos providenciamentos: joguei na mega-sena que, assim, aproveito para pagar o dentista, onde vou indo agora. Com sua licença!

Aí, ficou apenas a promessa de um churrasco para seis mil pessoas!!!!!

Palavra é palavra! Promessa é promessa!! Promessa é dívida!!

Barbaridade tchê! Então eu devo um churrasco-mega!!

     – Trrrriiiiiimmm!!

– Alô!

– Quem fala lá?

– Casa de Carnes Santa Paula.

– O Márcio está?

– No momento não! EU falo por ele; meu nome é Flávio.

– Muito prazer, Flávio! Sou Daidy, e escrevo...

– Ah! É uma escritora?!

– Mais ou menos.

     – E... sobre o quê a senhora escreve?!

– Um pouco de tudo e... nada de tudo... um pouco!

– ###@@%%¨¨&&**.......................................

– Olhe, preciso fazer um mega-churrasco. Refinado. Qual a primeira carne magnífica que recomenda?

– Picanha

– Explique.

– Picanha é a parte traseira do boi (nada a ver com o rabo!).

– Meu filho Mario, especialista em churrasco, usa picanha maturada. Uma delícia; o que é afinal? Você compreende, que, com a autoridade de mãe, que deve saber de tudo... eu não iria perguntar a ele, mostrando minha completa ignorância..

– Sim, sim!! Maturação é um processo que alterna choques térmicos.

– Interessante... o que é, exatamente, choque térmico?

– Explico: você pega a picanha..

– Flávio, eu não sei “pegar a picanha”.. de um boi qualquer que esteja pastando por aí!

– Chiiii! (acho que estou falando com gente meio doida!); não, a picanha o seu açougue a vende!

– Ah bom ! que matar boi eu não gosto! Nem meu marido consegui matar pô!!

– Eu acho que você é meio covarde!

– Covarde por inteiro é sua vó, viu??!! Quer continuar nosso assunto profissional?

– E... existe algum jeito de eu não fazer isso, Daidy?

– Existe. É só você deixar esse emprego e ir na farmácia do Rosário... vender pó de arroz...

– Acho que vou enfrentar você!!! Bem, “pegando a picanha”, fresquinha, aqui da Casa de Carnes Santa Paula..

– No tempo meu se chamava açougue!

– Valha-me Deus! O preço é de R$ 14,00.

– O boi todo?!

– Só um quilinho.

– (Espero que o boi todo não vá morrer de raiva, como vai acontecer comigo)... mas tentemos remediar o mal: – Flávio... hum..digo..hum... o que vem logo abaixo desse preço?

– Miolo de alcatra. Localiza-se junto à picanha. R$8,50 o quilinho.

– E... depois disso... ?

– Contra-filé. Nas costas do boi, junto às costelas. R$7,98 o quilo.

– !!!! e... depois?... !

– Ponta de alcatra! Coxão duro. O bife passa na máquina amaciadora. R$6,95 0 quilo.

– E... algo mais barato? Tenho que fazer churrasco pra seis mil pessoas!!

– Tenho! Miolo de paleta, parte dianteira do boi (nada a ver com o chifre). R$5,98 o quilo

– E... abaixo disso??

– Só carne de cachorro!!

– Zorro!! Zorro! Zorro! Quantos quilos você pesa??!

– Ele chega, com seu olhar amarelo, barriga sempre vazia. Olha-me, com amor nos meus olhos e...

– Naturalmente, lambe... !

     – NÃÃÃÃOOO!! O Zorro não lambe! Não é político! Ele apenas acompanha e vigia! Não é um qualquer cão bajulante!

Ele chega e... olhos nos olhos, focinho no focinho... o meu e o dele... peço-lhe perdão... ”como pude pensar em fazer um churrasco mega de você”??!

Meio constrangido, aceita ele minhas desculpas. E... por desaforo, faz xixi na minha planta predileta.E se vai.Gente que é digna faz assim.

(Espero que Dr.Carlos Goldenberg, o Ricardo e a Julia gostem da crônica!). Abraços da Daidy.

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