DOCE DE CIDRAEsse tema traz, à minha velha memória... algumas lembranças... gratas, deliciosas todas e, amiga e amigo... talvez vocês nem tivessem conhecido, um passado que vai longe nos tempos... eu falo de quando era menina. Também não vamos exagerar! Com as modernas técnicas de eliminar anos... eu ainda deveria ser bem jovem! Pois é! Só que eu não fiz nenhuma delas!! Quantos
anos você acha que eu tenho? Caso
você falar que tenho de 50
a 55, já ganhou um prêmio!!! Já ganhou um livro meu, lançado na 17a.
Bienal do Livro, em São Paulo. Chama-se “Quatro Bruxas no
Elevador”. Inteligente, como você é, estaria me perguntando: Por que
só “Quatro Bruxas?! Explico. Sabe, é
que no momento da edição, elas estavam
meio gordinhas... e... por mais que eu empurrasse, não houve
meio de caber cinco...
Cinco Bruxas no Elevador. Desta forma digna e legítima, fico lhe devendo uma Bruxa... Assim
que você a quiser, eu a embalo e, via sedex, a envio, que, assim, ela
sai mais rápido deste meu... sério... aconchego!! Se
você achar que eu tenho setenta anos, vou lhe mandar dos livros... de castigo!! Ora
veja só!! Que desaforo!! Mas,
voltemos ao assunto inicial; o doce de cidra! Ele me fez lembrar os
temos de menininha (quase
anteontem mesmo!). Éramos
uma grande família: os Gazzetta,
Os Peterlevitz, os Bassora, os Gonçalves, os Samartin, os Welsh,os
Gigo,os Bordon, os Zorzetto, os
Esteves, os Minchim,os Marmille, os Diogo, os Delega, os Delbém,
os Camargo, os Sprogis, os Leite, os Camargo, os Pinto, os
Pierozzi, os Carneiro, os Conforto, os Leme... –
Espera aí!! Você vai falar da lista
telefônica toda?! –
NAAÃOO! Isso é só um comecinho!! Nem falei ainda, da sra Salime Abdo, minha
professora e digníssima Diretora do grande colégio onde meu filho
Mario estudou; nem falei, ainda da
professora Nabia Abdo, de quem meu filho menor o Giulio foi aluno
e dela guarda um grande afeto. Gostaria de contar a elas duas, que seus
alunos são, hoje, formados, na USP
e na UNICAMP. Homens de bem!! –
Mas...o que é que isso tem a ver com doce de cidra?! –
Sim, sim... me perdoe, é
que eu estava divagando,
nuns tempinhos atrás. Sabe, nas festas de casamentos de todo esse
pessoal que tentei nomear,
era assim; cozinhava-se abóbora,
mamão, batata doce branca, batata doce roxa, batata doce
azul...azul??? Não, azul não! ainda não inventaram essa
maravilha!... e indo por aí, fazia-se uma festa linda!! O
bolo, grandioso, branquíssimo, coberto de claras batidas em
neve, era sempre a minha tia Rosina que fazia!! Se não foi ela que fez,
a festa era errada! Havia,
também, um doce de nome beijinho.
Era assim: de coco. Não desses sem gosto, de pacote, que vendem
hoje! Era coco mesmo, peludo marrom, quase preto, redondo! A gente
furava num dos três lugares para furar, virava num grande copo, bebia
este néctar dos deuses e, depois... depois era
uma luta para quebrar o dito cujo. Uma vez, de tanto jogá-lo ao
chão, quebrei um ladrilho, de modo que me foi aconselhado a fazer isso
lá fora, no cimento. Uma vez quebrado, era cortar, com uma faquinha bem
afiada, a pele de fora e
ralar o coco de dentro. Para não demorar mais,
com algumas misturas deliciosas, ficava tudo amarelo. Em
bolinhas, com um cravo espetado em cima... E
toda essa lembrança maravilhosa, chegou-me
hoje, porque recebi um
doce de cidra, absolutamente delicioso, delicado,
sem muito açúcar, da minha amiga Nereide, através de seu
marido, o Lourival Trimer.
Casal perfeito está aí!! |