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O
Charny
da Daidy Já consigo, sem tremores de indignação, triler,
tetraler, pentaler,hexaler
etc, o texto do Charny, enviado por um grande amigo! Olhem, meus amigos, é um tétrico texto! Imagine o
livro todo!. Puro masoquismo de quem o ler!
Fala de maldades antigas, fala dos campos de concentração, fala
dos campos de extermínio, do holocausto ...das vidas de casais que, não
podendo mais viver juntos, separam-se, mas, a vida, má como ela sempre
foi, é e será, faz o casal saber que nada encontrou de bom, depois da
separação. Tudo de ruim para eles...! eu não queria saber de nada
disso, justo agora que o Brasil constrói sua credibilidade lá fora!
Justo agora que temos gente
de confiança governando conosco os nossos destinos...justo agora que
temos o magnífico ribeirão-pretano Palloci a considerar normais as
desavençazinhas no PT (com grande frustração dos repórteres
televisivos que se deliciam em
procurar chifres em cabeça de cachorro...e...quanto pior, melhor!)...
Justo agora que ao ver o Palloci, ainda com o pé esquerdo contundido, a
explicar, com sua língua “plesa”, que a equipe econômica não vai ceder a pressões políticas...que o caminho estudado, re-estudado, traçado,
definido...com muita serenidade e calma, está se desenvolvendo segundo
uma pauta de bom senso...que confia num histórico destino brasileiro em
vencer crises pelo trabalho árduo, produtividade e exportação (sabia
que nossos frangos, nossa excelente carne de boi, sempre sem a vaca
louca, nossa soja, nossa
laranja, nossos abacaxis, nossas acerolas - não confundir com cerola,
é outra coisa! – estão cada vez mais apreciados mundo a fora? Bem, com todo esse otimismo, voltei à sétima
leitura do “pequeno
texto” do autor Charny, pessimista, cru e...verdadeiro!! Os “miseráveis”
de Victor Hugo são felizes perto disto!! Foi quando percebi...que me escondia sob uma camada
hipócrita que cobre a verdade e a fantasia de otimismo, de encanto e de
poesia...reconheço a
crueza da Verdade escabrosa e demoníaca que nos cerca a todos. O
enfado, a rotina e o sem sabor de uma vida monótona arruínam, quase
todos, os fiapos de esperança, e a nós, já quase desnudos e
dependurados num abismo negro... quem sabe
qual é a força que leva nossos olhos a se voltarem... para os céus!...
em busca de; com necessidade
de pertencer a;
... com o pouco que resta do azul de nossa alma...a pedir socorro a quem
o possa ouvir! Charny
retira-me do solitário vôo da ave que, sem ninho, nega-se a
voltar à terra , preferindo planar, à procura, não do pôr do sol, à
moda do Pequeno Príncipe de Exupery...mas à colheita de cada sensação
que todo dia traz...ao espantar as trevas da noite, ao espantar a
escuridão e ao admirar a gota de orvalho
da grama, que decompõe a luz em todas as cores do arco-íris... O texto Charny reporta-me a um passado distante. Sem data, sem local. Talvez no próprio dia do meu nascimento! E tudo já estava lá! Gravado no meu
espírito prenhe, como o afirma o filósofo Sócrates. Tudo o que
Charny explica... Só que, no mesmo dia em que nasci...eu JUREI
SER FELIZ!! Tudo o que há de ruím no mundo, as desgraças, a
traição, a inveja, a cobiça, as frustrações e os desenganos;
o pessimismo, o masoquismo, a não-caridade, as ofensas, o
abandono, os fracassos, a
vingança a negligência e a INJUSTIÇA... levei tudo isso para perto do
mar. Bem onde a salgada água,
numa onda amena beija a praia. Ali escrevi tudo, na areia, o que há de mal
no mundo. Depois, voltei-me à procura das lindas rochas, onde
crescem mariscos e ostras e se banham, alimentando-se com o milagre do
mar... Na rocha dura, escrevi, a duras penas, tudo o que
pude saber das dádivas da vida:
a amizade, o amor, a mão dada, a mão estendida, o calor terno de um
beijo amigo, o fecundo abraço que acalenta...o amor sincero numa pobre
cabana, a segurança da fidelidade, a inocência da criança...o perfume da natureza, a história de dias felizes...a consciência de
que somos...todos irmãos!! Quando acabei, de mãos já muito cansadas, procurei um local mais alto, de onde
pudesse vislumbrar a
paisagem... Foi quando aprendi a maior lição da minha vida,
para...continuar FELIZ!! O beijo das ondas havia apagado tudo o que de mal eu
havia escrito, dos homens e do mundo, na areia! A página estava...em branco, para novas escritas... Na rocha dura, as coisas do bem se eternizavam... Nunca mais desisti de ser poetisa!
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