- Acho
que hoje vou falar de outra coisa. Nada de Lula, nem do Genoíno e
nem da língua “plesa” do Palofi, que participa dessa dupla
dinâmica Nada da Guerra do Iraque.
- Acho
que esse pessoal “todo” está com... certos conflitos...
- Vou
falar de irmã para
irmão, como o é você, leitor e internauta.
- Gostaria
de lhes contar “um causo”. Acontecido. De verdade. Não é
lorota, como as notícias que nos chegam do Oriente, em que cada
parte fala a verdade que lhe serve. E falta comida e água para
todos!
- Você
sabia que há três verdades no mundo, e que servem para cada um
de nós, particularmente, também? Uma: como você a vê (ou se vê);
duas: como ou outros a vêem (ou vêem você)... e três:
- A
VERDADE, tal como ela é!
- Minha
santa mãe (Deus a tem), faleceu em 1988. Em Nova Odessa, (fundada
pelos Botelhos que, 65 anos, haviam fundado a minha cidade de
hoje: São Carlos!) Eu
não sabia sequer quanto custava um funeral.
- Não!
Funeral é de rico! Para nós e enterro mesmo!
- Fui
saber, em Americana... voltei, absolutamente assustada! Uma
fortuna!!
- Graças
a Deus, havia um santo tio empresário, que pagou tudo.
- Dei
graças a Deus, também, quando pude comparecer à magnífica festa do último aniversário dele! festa promovida pela sua
santa Irmã (uma
entre a irmandade de
doze!) Após missa solene, jantar delicioso... eu dancei com ele!
Dancei com meu velho tio, freqüentador assíduo dos
“Veteranos” de Americana.E foi... a sua última valsa!!
- Confesso
que, sempre otimista e bem-humorada, em vez de pensar em morte e
seus custos, comecei a estudar “Medicina Alternativa”, de modo
a prolongar a vida e dar
tempo de, formados os filhos... juntar dinheiro!! Mas... minha
inteligente irmã Nancy resolveu de outro modo. Discreta, como
sempre, calou-se a respeito. Nisso,
eu e minha santa irmã Nancy, somos
muito diferentes.
- Ela
fala de menos; eu falo demais, extrovertidamente, e, quase sempre,
levada por impulso emotivo momentâneo. Assim, quase nunca tenho
razão!
- Bem,
aí faleceu o santo pai dela, meu santo padrasto Ricardo.
- Eu
quase não acreditei quando ela afirmou: “Já providenciei
tudo.” Como “tudo”, pergunto.
- “Reparti
em vezes”, responde. “Tem certeza” pergunto. “Sim”.
- Eu
falo com ela duas ou três vezes por semana. Telefone. Ela não
tem, ainda, computador.
- Foi
ontem que ela me ligou: “Alô”, diz ela; “Sim”, digo eu
e... depois das convencionais frases do tipo: “É verdade que
sua terceira dentição inferior está dando problemas, com tudo
inchado”, pergunta. “E que problema! Está tudo balançando
mais que a ponte Rio-Niterói, em tempestades!”, respondo eu.
“Usa super-corega”! os irreverentes dentes postiços ficam
todos, quietos e imóveis... por oito
horas!”, diz. “NããOO!!
Digo eu. “SIIIMM”, reitera ela. “Vou buscar” já
reitero eu! Agora passo para
o discurso direto:
- –
Mas, qual é a finalidade de seu
telefonema, enfim?
- –
É que... que... é que... bem...
- –
Desembucha logo, pô!!
- –
Sim... sim... é que, depois da morte da mãe, eu fiz... um consórcio
de defunto e...
- –
Você fez O QUÊ??
- – Consórcio. Sabe, aquele tipo de
contrato que a gente vai pagando cada mês o produto que compra...
(ela se dispôs, então, a explicar-me tudo com detalhes), que eu não
ouvia! porque, estupefata, do outro lado do fio, imaginava,
calada... acho que foi
a única vez em que só
ela falou e eu... só ouvi...
- – Você está ainda aí?
- – Lógico! E sei, muito bem, como
funciona um consórcio!! Só que me perguntava se foi esse o motivo
de você pagar, sozinha, o enterro do nosso pai...
- –
Justamente.
- –
Então não estou entendendo mais nada!
- –
É que... o consórcio
que eu fiz, desde 1988, é
para dez defuntos.
- –
QUANTOS defuntos??!!
- –
Dez. E... durante todos esses anos... você foi pagando??
Pelas flautas do Anjo Gabriel e, ONDE, criatura, você
botou todos esses dez caixões... ? Não os teria, por mero acaso,
uns sobre os outros, “acomodado” na garagem da antiga
casa da nossa mãe... ou na Fazenda
Flórida, dos Vaughans, em Sumaré... teria... ?!!
- –
Não. Mas...
- –
UM MOMENTO!! (digo eu, autoritária) Tenho mais uma...
perguntinha: como escolheu o tamanho dos caixões? Sei que
você, inteligente como o é, deveria ter escolhido um cumprimento de caixão de, no
mínimo dois metros, porque assim, numa altura média de 1,80m,
sobrariam dez centímetros nos pés e dez na cabeça. Para encher
com muitas flores e, talvez, até um sanduichinho de atum. Sabe,
no antigo Egito, muitos alimentos
eram colocados...
- –
Nada disso. O caixão é de acordo com o tamanho específico do
defunto e...
- –
Fico mais sossegada! detestaria ver um defunto nosso, no cemitério,
ser espremido e comprimido num mini-caixão, com todo mundo
sentando em cima, para poder fechar a...
dita cuja da mala de... viagem... !
- –
Nada disso.
- –
Ótimo!! Então vamos começar tudo de novo: qual a razão de seu
telefonema?
- –
É que já tenho nove... inscritos. Gostaria de saber se você... não estaria interessada
em... em...
em...
- –
Ah bom!! Já entendi! Você já tem nove defuntos e está à cata
do décimo. E quer que eu seja suplente à essa vaga, antes que
algum mais próximo
candidato à defunto, lance mão dela? “Isso”, me responde
ela. “O que me será
oferecido”, pergunto eu.
- –
Tudo de primeira, confortável, acolchoamento lateral soft,
espelhinho na tampa, NÃO!!... no... teto... travesseiro...
- –
Quero dois! vou levar minha língua junto, pô!!
- –
Travesseiros... perfumados, com o “Heure Intime”, de que tanto
você gosta. Aí pergunto eu: “Heure Intime do Paraguai ou... de
France? “De France”, responde ela.
- –
Aceito!! Agora, minha santa irmã Nancy, vai me desculpar pelo
excessivo tempo desta
ligação? Eu sempre falo muito!!
- –
Não há problema, eu fiz... a cobrar, não se lembra?
- –
Olhe, vai pro inferno!!
- –
Muito improvável! Depois que você chegar lá... não vai mais
haver vaga pra ninguém!!!