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- O Zorro!
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- Eu não sei se já contei
– tenho certeza de ter falado dele – talvez você não tenha
lido. Vou repetir! O Zorro é um autentico vira-lata, exatamente
como eu sou...como você é, como o Lula é...como o Brasil o é!
- Deixe-me
começar...pelo começo: aí eu vim morar no Bairro Nova Santa
Paula. E, ao arrumar minha cabana, com pedreiros e tudo convidei
meus filhos Mario e Giulio, a conhecerem minha propriedade.
- E foi um caso sério: um
corintiano cão, branco e preto, havia resolvido tomar conta de mim!
- O meu querido Zorro!! Um autêntico
vira-lata!! A todos impedia de entrar... “em casa”
- Eu me levanto muito cedo... e,
pela saúde, faço uma longa caminhada... xereta, vou andando por
todos os bairros ao redor do kartódromo.
- E o Zorro vai comigo!!
- Eu nem falo “bom dia” para
ele!
- Ele nem fala “bom dia para
mim”.
- Eu apenas lhe afago a cabeçorra.
- E... para agradecer-me ( eu
acho que seja assim)...ele abana o rabo de forma muito digna, para
mim!
- Eu não sei se você
acredita... mas o Zorro sorri para mim!
- Esse
cão, de cores corintianas...adotou-me, vira-lata, como todos nós...somos!
- Olha, para você andar no kartódromo....há
um grande cartaz na entrada:
- NÃO É PERMITIDA A ENTRADA DE
CÃES
- Só que o Zorro me
acompanha...e... já no portão, ao eu dizer a ele que não pode
entrar...o zelador afirma
- “Cachorro não pode...mas o
Zorro pode entrar”. Como a me desafiar, ele me olha e, uma orelha
levantada, outra caída, o que me lembra o boné xadrez dos nobres
ingleses, num campo de golf, com muito charme, olhar distante, de sábio
que olha o infinito...ele me diz : “Viu?!!”
- Que vira-lata importante!!
- Como eu...como você.. como o
Lula,.como tantos bons brasileiros!! Gente boa sempre tem uma brecha
de entrada!!
- Vamos parar de romantismo e
vamos falar sobre coisa sérias!
- Aí, sinceramente, me confesso
completamente ignorante!
- Quanto dura um cão?
- Quantos anos, em média, eles
vivem?
- Eu não tenho a mínima idéia
disso! 12...13 anos...15?
- Sou bastante ineficiente!!
- Porém...tenho notado que o
ZORRO insiste em entrar na minha casa!
- Quando vem o medidor de luz...
eu abro o portão!!
- O Zorro vem junto, sempre
grudado que está, ao meu portão!
- E insiste em entrar...
- Quando vem o medidor de água...eu
abro o portão!
- É o meu Zorro que entra,
ligeiro...primeiro!!
- Ele não é meu...nem de ninguém!!
- Ele não tem dono...como eu
também!
- Só que...há dias...ele..quer
ficar aqui....!!
- O Zorro me parece mais
triste...
- Você sabe que cachorro é
muito mais forte que nós...?Você sabe que cachorro não geme e nem
reclama de dores...?
- E fiquei pensando... e
analisando...
- Acabei
achando que cachorro vive muito mais que nós... ele vive na memória
da família...desde a infância à velhice...ele compartilha de
todas as nossas aventuras...
- Vou agora falar do Popinho, que
ficou sendo do meu filho Giulio. Também um viralatinha,(não meu
filho), o Popinho, negro como a noite sem luar, como a mãe...que
era muito...prolífera! E...com tantos cãezinhos nascendo
sempre...nós os colocávamos em casas de “ família”. O Popinho
foi ficando, porque era um pouco cego. Mas, visse você o trabalho
que ele deu, quando morando em Campinas, na Chácara Primavera,
local isolado, policiais viram meu portão aberto e queriam
entrar...o pequeno e negro e pequeno Popinho deu o quê fazer!!
Nenhum entrou!! Nessa oportunidade, ainda havia o Peri, um gigante cão
fila brasileiro, com pedigree, nome e sobrenome.
- Esse cão me foi dado pelo
saudoso Atilla Radics, num dia de final de campeonato de futebol. O
Brasil ganhou da Escócia. Patas imensas, foi crescendo e comendo
imensos sacos de ração frolic. Antes eu fazia uma sopa com pescoço
de frango...ele comia 16!!
- Eu conservava sempre cães fora
de casa, no quintal. Foi quando mudei-me para Santos. Meu filho
Mario se casava e a casa de Campinas, ficaria para ele e a esposa..
Bem...assim que minha mudança saiu, meu “obediente” filho abriu
a porta e chamou dentro o Peri. Ambos brincalhões, corriam, um atrás
do outro, pelos quartos, pelas salas acarpetadas, pela cozinha! Uma
farra!!
- Mãe é bom...mas dura muito!!
- Bem...para encurtar a história,
quando o Peri morreu, em Campinas, meu filho o levou a ser sepultado
no quintal da casa da minha mãe, em Nova Odessa. E ali foi plantado
um pé de ipê branco.
- Sabemos que nada se perde, nada
se cria...tudo se transforma!!
- As flores que ali se abrem, lindas e
brancas...são um momento de saudade, um momento de amor, um
testemunho do sabor que existe numa forte relação entre duas
fidelidades: a de um moço e a de um cão!!
- Esse artigo vem em função de
que o ZORRO, já velhinho, com muitos fios de barba branca...meu
velho amigo...está agora sobre um meu tapetinho de barbante
branco... dentro da minha casa e não arreda pé!...
- Acho que ele veio morrer
comigo!!
- Só que, apalpando sua
barriguinha, constatei que ela estava sem nada dentro!!
- FOME!!! Como muitos
brasileiros!
- Lógico, liguei para meus
amigos do sacolão Okino: “Luiz, estou com o Zorro aqui...o que
você me aconselha? (depois de lhe explicar a situação).
- Tenho aqui um alimento próprio
para cães. Em lata!
- Me manda dez!
- Vai devagar! Muito pode fazer
mal!
- Sim... sim, sou uma pessoa
“ponderada” (Deus me perdoe a mentira!)
- O Zorro comeu três e...feliz,
depois saiu, latindo contra todas as bicicletas que têm um ciclista
em cima!!
- - E carros, ele não ataca?!
- - Não! Com a idade, duas rodas
fazem o máximo que ele pode enfrentar!!