Música de fundo:                           
         Pot Pourrit  
Adoniram Barbosa 

     

        Estamos salvos! Estamos seguros!

Depois das investidas bem demonstrativas de poder e força do PCC (Partido Com Certeza), que também atende pelo nome de Primeiro Comando da Capital, o assunto “segurança pública” inflamou discursos nos centros dos poderes responsáveis pela incolumidade de nós, brasileiros. Sabemos todos que falar é fôlego e... deixa pra lá.

Tirando meia dúzia de quatro ou cinco que são bons, também a nos ameaçar estavam mais de 20 dúzias de parlamentares – e adjacentes da confiança deles - corruptos, entre sanguessugas, mensaleiros, quadrilheiros, lavadores de dinheiro e talvez... até com continhas lá fora, de modo a não pagarem os impostos imensos aqui dentro.

Você sabe. O exemplo vem de cima. Surfando nessa onda de engordar a própria mala (que o dinheiro é da sogra), muitos prefeitos aderiram a (ou deixaram) saquear os cofres que os munícipes devem manter bem... recheados. Na pesquisa publicada há alguns dias pelos órgãos competentes, 75% das prefeituras pesquisadas apontavam conta no cartório! Coisa feia, não?!

A coisa feia interna, essa ameaça que os maus políticos - eleitos por nós – promovem contra nosso bem estar e segurança, com certeza a parte boa, e sadia da justiça cuida e resolve.

Agora, a coisa feita que atua fora das “santas casas” da administração pública... você sabe... as coisinhas ligadas aos bandidos do tráfico de drogas, ligadas à farra das comunicações nos presídios, ligadas às inúmeras rebeliões, ligadas à queima do nosso dinheiro nas chamas dos colchões, ligadas à destruição das instalações nos cárceres (nós pagamos a reconstrução também), ligadas até à falta de coletes à prova de balas aos policiais, isso tudo foi resolvido graças a duas universidades. Universidade Estadual de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), ambas de excelência internacionalmente reconhecida. Nobres e grandes soluções advêm dessas pesquisas de alta complexidade.

Os jornais de S.Carlos publicaram soluções de imensa valia, como por exemplo um novo tipo de concreto CAPAZ DE IMPEDIR COMPLETAMENTE A ESCAVAÇÃO DE TÚNEIS, CIMENTO RESISTENTE A TIROS DE FUZIL E COM A POSSIBILIDADE DE SER USADO NO IMPEDIMENTO DO USO DE CELULAR!

Mas não é só isso! O projeto “Centro para a pesquisa e o desenvolvimento de materiais e dispositivos para segurança tecnológica” proposto para reunir profissionais da UFSCAR, USP e empresas privadas em trabalhos voltados à solução de problemas de segurança pública, esse projeto apresentou soluções. Uma delas é um tipo de colete à prova de bala com CUSTO TRÊS VEZES MENOR que os tradicionais (isso resulta em R$28 milhões em economia). Outra preciosa solução: um bloqueador de celular DESENVOLVIDO, TESTADO e APROVADO!

Parabéns a esse pessoal todo, valoroso! Um cumprimento especial ao Dr. Fernando Araújo Moreira, propositor do projeto.

Estamos salvos! Salvos do odioso tráfico de drogas e... salvos até dos maus eleitos por nós que, ao conversar cá com meus botões, fiquei achando que eles usam de muito fôlego - só falando - porque devem, no mínimo, receber alguma vantagenzinha nessa balbúrdia suja toda. Perdoem-me se o raciocínio for incorreto.

Estamos salvos! Seguros! Respiremos, aliviados!

Um dia, se Deus o quiser, isso será verdade. O projeto está paralisado, por falta de verbas. O sub-título de um noticioso publicou assim: “Pesquisadores da USP e UFSCAR apresentam novas tecnologias para a segurança pública, mas OS GOVERNOS NÃO SE INTERESSAM.”

O grifo é meu. O sonho também.

  Daidy Peterlevitz

[email protected]

 

 

O pequeno sítio e a vaca

Um filósofo passeava por uma floresta com um discípulo, conversando sobre a importância dos encontros inesperados. Segundo o mestre, tudo que está diante de nós nos dá uma chance de aprender ou ensinar.

Neste momento, cruzavam a porteira de um sítio que, embora muito bem localizado, tinha uma aparência miserável.

– Veja este lugar – comentou o discípulo. – O senhor tem razão: acabo de aprender que muita gente está no Paraíso mas não se dá conta, e continua a viver em condições miseráveis.

– Eu disse aprender e ensinar – retrucou o mestre. – Constatar o que acontece não basta: é preciso verificar as causas, pois só entendemos o mundo quando entendemos as causas.

Bateram à porta, e foram recebidos pelos moradores: um casal e três filhos, com as roupas rasgadas e sujas.

– O senhor está no meio desta floresta, e não há qualquer comércio nas redondezas – disse o mestre para o pai de família. – Como sobrevivem aqui?

E o senhor, calmamente, respondeu:

– Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos; com a outra parte nós produzimos queijo, coalhada, manteiga para o nosso consumo. E assim vamos sobrevivendo.

O filósofo agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, e foi embora. No meio do caminho, disse ao discípulo:

– Pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente, e jogue-a lá em baixo.

– Mas ela é a única forma de sustento daquela família!

O filósofo permaneceu mudo. Sem ter outra alternativa, o rapaz fez o que lhe era pedido, e a vaca morreu na queda.

A cena ficou marcada em sua memória. Depois de muitos anos, quando já era um empresário bem sucedido, resolveu voltar ao mesmo lugar, contar tudo à família, pedir perdão, e ajudá-los financeiramente.

Qual foi sua surpresa ao ver o local transformado num belo sitio, com árvores floridas, carro na garagem, e algumas crianças brincando no jardim. Ficou desesperado, imaginando que a família humilde tivera que vender o sitio para sobreviver. Apertou o passo, e foi recebido por um caseiro muito simpático

– Para onde foi a família que vivia aqui há dez anos? – perguntou.

– Continuam donos do sitio – foi a resposta.

Espantado, ele entrou correndo na casa, e o senhor o reconheceu. Perguntou como estava o filósofo, mas o rapaz estava ansioso demais para saber como conseguira melhorar o sítio, e ficar tão bem de vida:

Bem, nós tínhamos uma vaca, mas ela caiu no precipício e morreu – disse o senhor. – Então, para sustentar minha família, tive que plantar ervas e legumes. As plantas demoravam a crescer, e comecei a cortar madeira para venda. Ao fazer isto, tive que replantar as árvores, e necessitei comprar mudas. Ao comprar mudas, lembrei-me da roupa de meus filhos, e pensei que podia talvez cultivar algodão. Passei um ano difícil, mas quando a colheita chegou, eu já estava exportando legumes, algodão, ervas aromáticas. Nunca havia me dado conta de todo o meu potencial aqui: ainda bem que aquela vaquinha morreu!

(historia que circulou durante o ano de 1999 na Internet, autor desconhecido)

 
Pense nisso:

"Do rio que a tudo arrasta se diz que é violento mas, nada se diz das margens que o reprimem"

                                                                                                                                                              (Beltold Brecht)
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    Última atualização 05 de junho de 2006  

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