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Tatiana Negry é uma jovem leitora que em seus e-mails demonstra muita determinação para se tornar uma CIO e me pergunta sobre os segredos para se chegar lá. Como sempre, os segredos mais bem guardados são aqueles tão simples quanto o ovo de Colombo. Um deles é a capacidade do profissional em buscar, entre o enorme leque de tecnologias e fornecedores disponíveis no mercado, quais são aqueles que fazem sentido para a empresa. Ou quais podem gerar novas oportunidades de negócio. A primeira parte do segredo é a aplicação da tecnologia. A segunda é a simplicidade. Quem nos ajuda a decifrar esses segredos é o consultor e livre pensador Marrey Peres. Apreciador de música e ex-multi-instrumentista numa banda de rock, Marrey costuma apresentar a tecnologia citando o sociólogo Marshall McLuhan. Em seus textos, o autor canadense considerava a tecnologia como a extensão de alguma faculdade humana, física ou psíquica. Dessa forma, tecnologia só faria sentido se aplicada num contexto social. A tecnologia é sempre criada, desenvolvida e especialmente aplicada para modificar, espera-se que para melhor, a maneira como as pessoas trabalham, vivem e se relacionam. A eficácia da aplicação, portanto, é decorrente do grau de adequação desta tecnologia ao processo ao qual ela está sendo aplicada. Marrey gosta de satirizar os edifícios inteligentes mas monitorados por sistemas não tão inteligentes assim. Certa vez visitou um moderno condomínio empresarial, gerenciado por uma sala repleta de monitores, luzes e alarmes. O detalhe ficou por conta do sonolento, mal treinado – e mal pago – funcionário que não era capaz de interpretar todas as informações nem gerar ações a partir delas.Talvez um único monitor com mensagens claras e objetivas pudesse ser muito eficaz, desde que houvesse mais investimento em pessoas e treinamento. Aliás, poucos dias atrás, um luxuoso edifício, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, teve vários de seus apartamentos depenados por um bando de assaltantes que entraram tranqüilamente pela porta da frente. O caríssimo circuito interno de TV não foi capaz de captar nenhuma imagem do bando. Mais incrível do que isso só o filme O Homem sem Sombra, em cartaz nos cinemas. Se a eficácia da tecnologia está diretamente ligada aos resultados obtidos com sua aplicação, para um país ainda tão carente quanto o nosso, as aplicações ligadas à saúde e à educação merecem destaque. Por isso mesmo, Flavio Murachovsky, CIO do Hospital Albert Einstein (http://www.einstein.br), de São Paulo, deve estar muito orgulhoso das criativas e engenhosas soluções que tem implementado para melhorar o atendimento aos pacientes, reduzir erros médicos e otimizar controles internos. Flavio não inventou a tecnologia sem fio nem as pequenas palms que estão nas mãos de médicos e enfermeiras. Nem mesmo o código de barras que está nas pulseiras de pacientes e recém-nascidos. Porém, a utilização dessas tecnologias simples e baratas e os surpreendentes resultados formam o segredo de seu sucesso. Outro CIO, que pede para não ser identificado, relata que dentre mais de duas centenas de projetos que desenvolveu junto a uma grande prefeitura brasileira, seu maior orgulho foi a aplicação da informática na educação. O projeto, de baixíssimo custo e que já completou dez anos em operação, não pretendia apenas ensinar os fundamentos da informática para alunos carentes, mas especialmente servir de suporte educacional aos professores e orientadores. Bem, Tatiana, você não precisa ser uma CIO para aplicar bem a tecnologia. Mas fazendo isso, com certeza, mais portas se abrirão para você. Bom trabalho !! |
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