“Quando você escolhe, tem uma meta, e quando tem uma meta, não valoriza a outra pessoa pelo que ela é. Acaba tendo, uma amizade utilitária, imperfeita em sua néscia racionalidade. Ao mesmo tempo, se pensarmos no amor erótico como uma coisa que nos escolhe, caímos no problema oposto (...) se você não tem escolha, perde o controle e quando perde o controle, não valoriza a outra pessoa pelo que ela é. Acaba ficando com uma amizade de prazer, imperfeita em sua assustadora irracionalidade (...).
A vontade soluciona o paradoxo de Aristóteles porque ela é arracional, significando que não é estritamente racional nem irracional. Querer é uma escolha no sentido de estar sobre o controle da pessoa, e ao mesmo tempo não é, se não houver outra meta em mente. A outra pessoa se torna um fim em si.
(...) se alguém ama outro por uma razão ou devido a uma paixão, então não o ama pelo que ele é, mas por alguma outra coisa, (...) para ser completo, o amor erótico não precisa ser racionalmente escolhido nem irracionalmente causado e sim desejado de maneira arracional.
(BACV, p. 184)
SOUTH, James B.;IRWIN, William. Buffy, a caça vampiros e a filosofia. São Paulo:Madras, 2004)