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| (In)Sucesso do BMX | ||||||||||||||||
| Quando comparamos o circuito de BMX nacional ao que se faz fora das nossas fronteiras - e n�o precisamos de ir mais longe do que aqui � nossa vizinha Espanha - podemos constar,� mesmo desconhecendo os contornos desta modalidade, que c� existe e c� se faz apenas uma �nfima parte do que seria considerado um m�nimo l� fora. � verdade meus amigos, nos EUA, por exemplo, fazem-se "corridas de bairro" muit�ssimo melhores que o nosso campeonato nacional! Os motivos - ou "desmotivos" - que condicionam o sucesso do BMX em Portugal s�o v�rios, desde o desamor pela modalidade por parte da federa��o de ciclismo e seus colaboradores, at� aos media que n�o se interessam por publicar estes eventos, desconhecidos, portanto, pela esmagadora maioria dos portugueses; e quando digo esmagadora maioria sou literal, porque quando encontramos ex-atletas da modalidade na ignor�ncia de existir ainda um campeonato... a coisa est� mesmo mal! A realidade � que tentaram matar o nosso bmx mesmo antes dele ganhar maturidade para se firmar e n�o fosse a teimosia dos nossos atletas e as not�cias do exterior, o BMX estaria n�o s� finado, mas enterrado e esquecido no cemit�rio das mem�rias de poucos. Apesar de tudo anima-me a ideia de que temos cada vez mais adeptos e praticantes e de que o BMX Race constar� da lista das modalidades ol�mpicas num futuro muito pr�ximo (2008), ou seja, quer queiram quer n�o, estamos radicados no ciclismo e nada nos poder� abalar neste momento. Pode ser que desta forma sejamos aceites na comunidade dos "futebol-dependentes", que ir�o sofrer a desonra de n�o ter atletas capazes de disputar as medalhas ol�mpicas, quando temos tantas promessas no nosso pa�s, nesta modalidade. Promessas: falemos delas. Cerca de 90% das modalidades desportivas exigem do atleta que se quer propor a bons resultados um trabalho que deve ser desenvolvido desde tenra idade. Por exemplo, qualquer futebolista que vemos jogar nos grandes clubes, f�-lo desde que deixou de usar fraldas e n�o desde o ano passado ou desde que come�ou a ganhar o seu pr�prio dinheiro para� comprar umas chuteiras. Da mesma forma, uma BMXer que sonhe competir em alta competi��o, tal como em provas europeias, mundiais e ol�mpicas, tem de ter muita experi�ncia e uma condi��o f�sica de quem passou muitos anos a "estudar" pistas. �, por isso, muito importante que os pais apoiem os seus filhos na pr�tica de qualquer desporto, mesmo que a ideia lhes pare�a, � partida, um tremendo disparate, ou algo muito perigoso. Esta ser� a primeira mentalidade que tem de mudar: a dos pais que n�o deixam os seus filhos praticar BMX. O futuro est� nas camadas mais jovens e � precisamente nesses escal�es que se nota uma fraca ades�o de novos atletas. Precisamos de mi�dos agora para termos campe�es amanh� e precisamos que os pais os tragam a este desporto, o que n�o fazem. Porque ser�? Porque n�o � desporto de homens? H� muitas mais raparigas a praticar futebol do que BMX; Porque � um desporto perigoso? � um facto que o Bicross � um desporto muito propenso a acidentes, como muitos outros que n�o deixam de ser praticados. No entanto h� que considerar duas coisas: 1� o uso de protec��es adequadas reduz o risco de les�es quase a zero; 2� os acidentes acontecem em todo e qualquer lugar sem que para tal precisemos sequer de estar a praticar desporto. Pensam, por ventura,� que os pais dos actuais atletas de BMX, n�o gostam tanto dos seus filhos como v�s?! Provavelmente gostam mais, ou demonstram-no melhor, porque respeitam as suas op��es. J� dizia o ditado: "� de pequenino que se torce o pepino" e, tamb�m no desporto, como em muito na vida, os primeiros passos de um campe�o come�am na sua inf�ncia. Outra das raz�es apresentadas pelos pais destes pobres meninos de cativeiro, � a quest�o econ�mica. Segundo eles, as bikes de BMX s�o muito caras. N�o interfiro nas capacidades econ�micas das fam�lias, mas uma bike BMX j�nior ronda os 150/200 �; uma BMX Expert os 400�,� e uma Pro entre 500/1000 �. E s�o v�rias as crian�as que andam com telem�veis de 100� no bolso e que para al�m do PC t�m tamb�m Playstation de 300? (acho eu). Estabele�am prioridades com fins saud�veis para as vossas crias. Garanto que investir no desporto para os vossos filhos trar� mais benef�cios f�sico - mentais, do que os objectos anteriormente referidos. O Bicross � uma possibilidade de escolha de entre os desportos completos e divertidos. Ora temos de reconhecer que TODAS as crian�as adoram andar de bicicleta desde muito pequeninos e a grande maioria at� acaba por receber uma bike no Natal ou no anivers�rio. Geralmente umas MTB com 22 mudan�as. Pensam os pap�s que est�o a comprar uma granda bike por um pre�o muito baixo, o que n�o ser� de todo real quando temos em considera��o os seguintes aspectos: 1. A qualidade de uma bicicleta de hipermercado em rela��o ao seu pre�o deixa muito a desejar quando comparada a uma bmx; 2. A m� gest�o das mudan�as (aliada a uma m� qualidade) � mais prejudicial que bom para os vossos petizes; 3. Promovem que os seus filhos usem as bicicletas na rua, junto do tr�nsito e sua polui��o, o que, mais perigoso que o bicross, � tamb�m menos saud�vel. Por fim temos de admitir que ganhar� uma bicicleta, qualquer que seja, � melhor que n�o ganhar nada, mas ganhar uma dessas montanhas de hiper quando se sonha com uma bmx � como trincar um cubo de gelo e pensar num gelado de morango: tamb�m � fresco, mas n�o sabe ao mesmo. Bom, mas os carrascos do bicross n�o se restringem aos pais dos mi�dos que n�o os deixam praticar. N�o. A coisa complica-se ainda mais quando a federa��o nem se preocupa com a sua exist�ncia, transferindo a responsabilidade das organiza��es de provas a todo e qualquer marmanjo que naquilo queira pegar. Ainda estou para ver como vai ser quando chegarem os ol�mpicos. Vai ser um sacudir de responsabilidades qual �gua do capote e uma correria em tentar remediar o mal feito, idioticamente � �ltima da hora, como acontece nos est�gios de selec��o. Sim, porque para os que n�o sabem n�s temos uma excelent�ssima senhora dona selec��o nacional de bicross. � assim... uma coisa muito profissional, muito importante, que me faria ir �s l�grimas de tanto rir, n�o fosse a gravidade da situa��o de ver o nosso pa�s ridicularizar-se l� fora e ver os nossos atletas empunhados como marionetas neste jogo de poder a que chamamos selec��o nacional. Para come�ar n�o h� selec��o nenhuma! N�o h� ningu�m que v� ver os atletas correr ou treinar para seleccionar a representa��o portuguesa, deixando no ar a suspeita de que a selec��o � feita ao acaso, a concurso ou, se forem mauzinhos - como eu - aplicada sobre o factor "C". Aten��o que n�o quero com isto dizer que os seleccionados n�o t�m m�rito. Temos o caso do convocado V�tor Nascimento, por exemplo, que � um grande atleta. S� acho que o V�tor � muito bom mas n�o chega. Como � que se justifica que, de uma popula��o de atletas maioritariamente pertencentes ao escal�o de elites, n�o tenha sido convocado nem um? Ent�o e o Dudu ou o Marco Correia senhor seleccionador? Ah, se calhar esqueceu-se N�o havia finheiro? Deixe l� fica para o ano! Ficam eles e tantos outros, mas isto j� � a minha opini�o sobre os convocados e o melhor � calar a matraca para n�o me apelidarem de ser parcial. Um outro aspecto muito curioso na selec��o nacional s�o os est�gios. E curioso porqu�? Perguntam voc�s. � que os nossos est�gios s�o de uma semana ou duas, o que � melhor que nada, n�o fosse essa a semana imediatamente anterior ao campeonato europeu. Ou seja, os nossos mi�dos andam a "arranhar" precisamente no momento que deveriam dedicar ao repouso absoluto para recuperar for�as e estar a 100% no dia da prova. Qualquer professor de educa��o f�sica de liceu sabe disso, mas talvez quem estipula este calend�rio n�o saiba, e n�o quero acreditar que seja o pr�prio do treinador nacional. Uma vez mais os nossos atletas tem de perdoar. Perdoam mais isso e mais o facto de haver 365 dias no ano e apenas uma semana, 7 dias, para dar aten��o aos atletas convocados. Ningu�m lhes pedia que se lembrassem dos seus anivers�rios, mas pelo menos que os motivassem, ora bolas! Falar mal todos sabem e eu reconhe�o que o fa�o com m�ritos maquiav�licos, h� no entanto que encontrar solu��es. O dinheiro que � gasto a pagar a organizadores dos campeonatos passaria a ser gasto na selec��o, que se encarregaria dos convocados convenientemente e a organiza��o das provas ficaria das responsabilidades dos clubes, logo todas as receitas para os mesmos, o que justificaria a sua exist�ncia, porque os clubes portugueses mal conseguem suportar a sua federa��o, quanto mais poderem ajudar os seus atletas nos custos das desloca��es a provas, o que � pat�tico. De que vale pertencer a um clube se n�o tivermos contrapartidas?!: aqui est� uma solu��o sobre a qual penso que os nossos dirigentes desportivos deveriam ponderar. Vamos levar Portugal a um novo patamar! Se unirmos for�as em vez de andarmos todos por a� a falar mal uns dos outros, pode ser que se fa�a alguma coisa de �til e inteligente por estes atletas que, com vergonha sobre a minha p�tria, apelido de desgra�ados. N�o se ofendam caros amigos atletas de bmx por vos chamar desgra�ados, mas se o fa�o � porque vos amo e por achar que temos gente muito competente para alcan�ar grandes vit�rias internacionais, apenas n�o temos dirigentes desportivos para tal. A mim d�i-me ver mi�dos como o Miguel Domingues t�o mal aproveitados e ter de lhes mostrar que provas como o Extremadura Riders Cup s�o um sonho long�nquo para Portugal; custa-me dizer-lhes "voc�s s�o muito bons mas n�o ganham nada com isso", pelo menos n�o mais do que uma m�sera tacita de um campeonato med�ocre e o respeito de alguns, poucos, muito poucos, aqueles que como eu tiram do BMX alguma divers�o, mais do que lucros, quer sejam lucros de encher o bolso ou de encher o ego, o que tamb�m � triste. N�o que eu menospreze a competitividade que no desporto � fundamental, mas uma competitividade saud�vel, que chama advers�rios e n�o inimigos aos colegas de desporto. Vou contar-vos um segredo: �s vezes presencio situa��es de competi��o desleal, de falta de humildade, de lutas pessoais entra atletas que por vezes at� se dizem amigos - mas s� dizem, n�o sentem. Depois olho em volta e reparo no nosso campeonato. Assimilo tudo e, n�o vos querendo assustar - muito - sabem qual � a imagem que me assalta? A de dois, tr�s, um grupo de vagabundos batendo-se incivilizadamente por um agasalho no fim se revela roto e curto. N�s n�o chegamos a ter frutos para competir, n�o se "matem" por algo que � nada, sob pena de abdicarem do prazer desportivo do BMX que, isso sim, o segura contra os ventos e vontades dos dirigentes. Outro catalisador do sucesso do BMX � a comunica��o social. N�o reconhe�o uma raz�o pertinente para n�o haver qualquer divulga��o deste desporto nos demais meios de comunica��o e temos de reconhecer que � muito dif�cil de haver uma aceita��o de um desporto que n�o se conhece, quanto mais pensarmos sequer em ter espectadores que n�o sejam as pr�prias fam�lias e amigos dos praticantes.� Ora esta realidade � muito limitadora n�o s� ao n�vel de espectadores como tamb�m ao n�vel do recrutamento de novos atletas que, como �bvio, n�o andam por a� a inventar desportos, mas antes procuram o que j� se conhece. Televis�es, r�dios, jornais e revistas, senhores informadores da opini�o p�blica, este recado � tamb�m para voc�s. Bom sem mais delongas, uma breve conclus�o ao que aqui se trata: o sucesso e o insucesso do Bicross em Portugal. No meu humilde entender, n�o se podem atribuir culpas a este ou �quele pelo insucesso do BMX, na medida em que todos n�s somos culpados pelo nosso sil�ncio e pela nossa falta de atitude. Falta-nos atitudes. N�o acho que possamos apontar o dedo aos organizadores, � federa��o, � comunica��o social, aos pais do nosso pa�s, aos nossos advers�rios, isentos de culpa, todos temos a nossa cota parte. N�o podemos esperar que as coisas nas�am feitas, se n�o existe h� que construir e as edifica��es custaram sempre o sacrif�cio dos interessados. Mod�stias de parte, vejam este trabalho que a revista est� a desempenhar. N�s n�o temos feedback financeiro para este trabalho, o que o motiva � a evolu��o positiva do BMX. Eu n�o sou paga para escrever sobre os variados temas que vou tratando como posso aqui na revista, mas recebo uma inquestion�vel e imensa recompensa quando nos chegam mails de pessoas que ficaram f�s do BMX atrav�s da revista ou de atletas mesmo de outras modalidades do ciclismo que por c� passam e fazem chegar a sua opini�o, normalmente favor�vel deste trabalho, para al�m de alguns dos nossos Racers que regularmente d�o uma vista de olhos nas nossa palavrinhas e v�o comentando. � um simples passo, mas � um come�o, e se todos n�s dermos um pouco do nosso esfor�o aqui ou ali conseguiremos edificar um Est�dio da Luz do BMX (para os que desconhecem o primeiro Est�dio da Luz foi feito com o dinheiro e trabalho dos primeiros s�cios). Outro exemplo de esp�rito de sacrif�cio em prol do desporto � o caso do clube de Castelo Branco que, com poucas condi��es, tem dado o litro para construir uma pista, mais uma das poucas no nosso pa�s. � deste esp�rito de sacrif�cio, de entrega, de amor que se fazem os her�is dos �picos e de que se far�o os super-her�is do BMX. N�o basta acreditar para as coisas acontecerem h� que agir: Fiquem cientes que o BMX nunca morrer� enquanto estiver vivo dentro de n�s e tenham uma atitude positiva. � esta a chave para o sucesso do bmx! Um Fat props para todos e um abra�o especial para os nossos leitores que tem feito chegar � revista as vossas opini�es, fa�am-no sempre qualquer que seja a vossa opini�o. Boas pedaladas!! |
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| 25 de Outubro de 2003, Redac��o de : Sofia Monteiro |
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