situação mudou, dramaticamente. Agora, há open-source software (software com código-fonte aberto), ferramentas de programação e sistemas operacionais (todos feitos por hackers) amplamente disponíveis.
2. Pegue um Unix livre e aprenda a mexer.
Um hacker, evidentemente, deve ter um computador pessoal. O passo inicial é pegar uma cópia do Linux um de um dos BSD-Unix, instalar no seu PC e rodá-lo. Há outros sistemas operacionais no mundo, além dos Unix, mas são distribuídos em forma binária e você não consegue ler o código nem consegue modificá-lo. Tentar aprender a hackear em DOS, Windows ou MacOS é como tentar aprender a dançar com o corpo engessado.
Além disso, Unix é o sistema operacional da Internet. Você pode aprender a usar a Internet sem conhecer Unix, mas não pode ser um hacker sem entendê-lo. A propósito: a cultura hacker é fortemente centrada no Unix. Nem sempre foi assim e os hackers da velha guarda resmungam contra isso, mas a simbiose entre o Unix e a Internet tornou-se tão forte que até mesmo a fortíssima Microsoft não parece ser capaz de ameaçar seriamente, por mais que resmunguem.
Portanto, pegue um Unix, de preferência o Linux. Aprenda; rode; mexa, acesse a Inter net através dele. Leia o código, modifique-o. Use o C, LISP e Perl e você terá ferramentas de programação melhores do que qualquer sistema operacional da Microsoft pode sonhar em ter. Você vai se divertir, absorver muito mais conhecimentos do que pode perceber, até que chega o tempo de olhar para trás e distinguir o longo caminho que percorreu e que fez de você um hacker. Mas é preciso saber que você só será, de fato, um hacker quando for reconhecido assim por outro hacker. Assim como só será um mestre quando for chamado assim por menos cinco hackers.
3. Aprenda a usar a World Wide Web e escrever em HTML.
A maioria das coisas que a cultura hacker tem construído funciona sem que as pessoas vejam, ajudando no funcionamento das indústrias, nos escritórios, nos centros de pesquisa científica, na universidade. Nem se percebe a presença do trabalho e da criatividade dos hackers. A Web é a grande exceção, esse enorme e brilhante parque de diversões dos hackers que, todos admitem, está revolucionando o mundo. Por isso mesmo você precisa aprender como trabalhar na rede.
Isso não significa apenas aprender a mexer com um browser (qualquer um pode fazer isso) mas aprender a programar em HTML a linguagem de markup da Web. Se você não sabe programar, escrever em HTML vai-lhe ensinar alguns hábitos mentais que o ajudarão. Faça uma home page. Mas uma página boa, que valha a pena, que tenha conteúdo, que seja interessante e útil para os outros.
A Hierarquia na Cultura Hacker
Quando uma cultura não tem economia monetária, a hierarquia é baseada na reputação. Na cultura hacker também. Você pode achar muito interessante o problema que está resolvendo e acreditar que a sua solução é genial, mas quem vai dizer isto são os outros.
Hackers, os gurus e os mestres. Mas, aqui temos uma contradição: na cultura hacker não se admite que o ego e a aprovação externa sejam a principal motivação do trabalho.
Assim, a cultura hacker é o que os antropólogos chamam de cultura de doação.
Você ganha posição, respeito e sobe na hierarquia por saber fazer e doar coisas, por sua criatividade, o tempo e os esforços empregados, sua habilidade e, principalmente, pela solidariedade que demonstra.
O que se pode fazer para subir na hierarquia hacker?
1. Escreva open-source softwares.
Escreva programas que outros hackers e pessoas comuns possam usar, achem divertidos ou úteis, que resolvam problemas ou simplifiquem a vida. E dê o código-fonte para que toda a cultura hacker possa se beneficiar.
Antes, esses programas eram chamados de free software mas a palavra free (que, em inglês significa livre mas também tem o significado de gratuito) confundia as pessoas. Agora, a maioria prefere o termo open-source (fonte aberta).
Os maiores hackers, os mais respeitados são os que escreveram grandes programas, competentes, que encontraram uma grande demanda e foram distribuídos para que qualquer um usasse. Muitos autores, para sobreviverem, dão um banco e um número de conta para quem quer ajudá-lo a continuar estudando, trabalhando e produzindo, mas nenhum cobra a obrigação de pagar.
2. Ajude a testar, depurar e aperfeiçoar open-source softwares.
Em um mundo imperfeito, participar do desenvolvimento e ajudar a aperfeiçoar um open-source software que outro criou, é uma participação importante. Bons beta-testers que saibam descrever claramente os sintomas, localizar problemas, tolerar bugs em um lançamento apressado e que saibam aplicar rotinas de diagnóstico, são muito apreciados na comunidade hacker. E têm um papel muito importante. Alguns programas levam muito tempo para serem depurados e podem ser um longo pesadelo. Quando alguém encontra a melhor solução aplicável, sua obra se espalha e seu nome cresce.
Ajude, para ser ajudado depois.
3. Publique informação útil.
Coletar e filtrar informações úteis em páginas da Web ou em documentos como FAQ (Frequently Asked Questions ou Perguntas Mais Freqüentes) e publicá-las pode vir a ajudar alguém que está procurando uma resposta ou uma saída. As pessoas que mantêm grandes FAQ técnicos são quase tão respeitados quanto os autores de open source.
4. Ajude a manter a infra-estrutura funcionando.
A cultura hacker e o desenvolvimento da Internet são mantidos por voluntários. E existe muito trabalho aparentemente sem importância e destaque que precisa ser feito por alguém para mantê-las funcionando. Por exemplo: administrar listas de endereços eletrônicos, moderar grupos de discussão, manter grandes sites que armazenam software, desenvolver padrões técnicos. Pessoas que fazem bem esse tipo de coisa também têm uma boa posição na hierarquia da cultura hacker porque todos sabem que esses serviços tomam tempo e não são tão divertidos nem compensadores como lidar com código. No entanto, fazê-lo mostra dedicação.
5. Sirva a cultura hacker.
Propague, sempre que possível e como for possível, a verdadeira cultura hacker.
Escreva um manual ou depure um já escrito sobre como se tornar um hacker, por exemplo. Conte boas histórias de hacker. A cultura hacker não tem líderes, mas tem seus heróis: escreva sobre eles ou sobre um deles. Há lugar, no alto da hierarquia, para quem sabe se posicionar e fazer bem o seu trabalho. Mas seja modesto e bem educado e não se ofereça à fama. Se você realmente merece ela acabará caindo no seu colo.
Os Intelectuais e o Estilo
Você não precisa ser um intelectual para ser um hacker. Mas, para ser um bom hacker, ser intelectual ajuda. Também não precisa ser um CDF, mas se for, ajuda. Muitos hackers orgulham-se de sua independência e de uma certa marginalização social ou, pelo menos, de um certo distanciamento das expectativas sociais normais. Mas isto não é, absolutamente, uma exigência da cultura hacker, que admite pessoas da média e que usam paletó e gravata.
Mas, para ser considerado um hacker, você tem que entrar na mentalidade hacker e estar capacitado para conversar com seus pares a respeito das suas preferências.
Estatisticamente, a grande maioria dos hackers são:
· leitores de ficção-científica de qualidade, daqueles de freqüentar convenções;
· estudantes da cultura zen, ou de ioga, ou de uma arte marcial que exija concentração e disciplina mental;
· pessoas com um ouvido analítico para música. (Aprenda a apreciar tipos peculiares de música, a tocar algum instrumento ou a cantar.);
· aprecie um bom jogo de palavras, leia dicionários, procure saber a origem dos vocábulos;
· aprenda a escrever bem (os melhores hakers são todos bons escritores).
Evidentemente, quanto mais qualidades hacker você tiver, melhor; mais rapidamente poderá ser reconhecido e começar a subir na hierarquia. O bom hacker deve ter habilidades no lado esquerdo e no lado direito do cérebro, precisam ser capazes de raciocinar logicamente mas também deixar de lado a lógica aparente para resolver um problema.
E, finalmente, algumas coisas que os verdadeiros hackers não devem fazer:
· não use um pseudônimo bobo; nem grandioso;
· não entre em flame wars (guerrilhas), não freqüente grupinhos, não faça política, não tente catequizar;
· não se intitule um cyberpunk nem perca tempo com alguém que o faça;
· não escreva n em passe para frente e-mail mal escrito, com erros de gramática e de ortografia.
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