SUBSÍDIO PARA FORMAÇÃO DAS

COMUNIDADES DE VIDA CRISTÃ

   

 

 

MISSÃO COMUM

E

CORPO APOSTÓLICO

 

 Regional Rio

 

   

 

APRESENTAÇÃO

Este subsídio pretende ser um instrumental para as comunidades CVX refletirem e discernirem à luz de nossa espiritualidade este importante tema que é a Missão Comum e o exercício comunitário de ser Corpo Apostólico.   

Desejamos debruçar juntos numa reflexão a fim de que as Comunidades e Prés, fortalecidas no desejo de viver a Missão Comum acabem por fortalecer o próprio Regional, transformando este também num Corpo Apostólico. 

O material preparado deseja ser tão somente um subsídio, que como o próprio nome diz, subsidie a reflexão, portanto o mesmo não pretende abarcar toda a complexidade do tema e nem substituir a pedagogia própria que cada assessor poderá imprimir, de acordo com a vivência e história de cada grupo CVX.  Estamos conscientes de que certamente o mesmo trará frutos, além das suas páginas, através do sopro do Espírito que se faz presente nas orações dos membros CVX e de suas partilhas. 

Para alguns membros mais antigos e mais antenados, o conteúdo pode parecer repetitivo -  o que pode ser pertinente dentro do estilo de nossa espiritualidade.  Para os membros mais novos e para algumas Prés, o tema pode suscitar novas experiências e moções.  Portanto, elaboramos um material pela média, que reforce e torne homogêneo os conceitos de “Missão Comum” e  “Corpo Apostólico” em nosso Regional para melhor caminharmos. 

Este livreto, portanto, é formatado de modo a propiciar três reuniões nas comunidades de pertença, desdobrando nossa tarde de Formação do Regional Rio ocorrida em março/2004.  Em junho/2004, teremos outra Tarde de Formação para, dessa vez, recolher os frutos das reflexões vividas nas comunidades, trazendo para o âmbito do Regional nossos sonhos e o que nos inspirou o Senhor.

Boa leitura orante!

 Equipe de Formação do Regional Rio

 

 

ORAÇÕES

 

Oração inicial para todos os dias

Oração do Leigo Cristão   

 

Senhor Jesus Cristo,

Tu que caminhaste no chão deste mundo,

Testemunhando o projeto de Deus para a humanidade,

Ensinando homens e mulheres a viverem a radicalidade dos valores do Reino de Deus,

Chamando todos à decisão do seguimento e a assumirem as exigências da Missão,

Faze com que nós, cristãos leigos e leigas, respondamos com a vida ao Teu chamado, na nossa vida pessoal, na família, na comunidade, no trabalho, na ação política e na sociedade.

Que hoje se revigorem em nós as motivações e a graça dos Sacramentos do Batismo e da Crisma, doados pelo amor da Trindade Santa, tornando-nos “protagonistas da evangelização”, testemunhando presença na construção de uma sociedade justa e solidária.

Que nossa disposição de conversão nos leve a amar os excluídos e a superar a exclusão – particularmente a exclusão dos empobrecidos, dos menores abandonados, dos doentes, da mulher, do negro, dos povos indígenas, dos alcoólatras, dos encarcerados, dos drogados, dos desempregados, dos idosos e dos moradores de rua para assumir com responsabilidade e discernimento a exigência de novos ministérios, respondendo criativamente aos desafios de nosso tempo,

No novo milênio.

Amém!  

 

Oração de Santo Inácio

Oração final para todos os dias.

 

Tomai, Senhor e recebei

Toda minha liberdade e a minha memória também

O meu entendimento e toda a minha vontade.

Tudo o que tenho e possuo, vós me destes com amor.                                      

Todos os dons que me destes, com gratidão vos devolvo,

Disponde deles Senhor,segundo a vossa vontade.

Dai-me somente o vosso amor e a vossa graça                                 

Isto me basta, nada mais quero pedir.       

 

 

1 CVX: uma comunidade missionária
                     (relendo alguns PPGG)

 

   

 

    1.  Oração Inicial  (página 3).  

2.  Canto de abertura (“O Povo de Deus”, pág. 18, ou a escolher).  

3.  Para Refletir:  

   

"Os Princípios Gerais aprovados pela Assembléia Geral e confirmados pela Santa Sé como estatutos fundamentais desta Comunidade Mundial, expressam a identidade fundamental e o carisma da Comunidade de Vida Cristã e, por conseguinte, seu vínculo com a Igreja." (1)

O PPGG nº 4 fala da finalidade, ou seja:

 “que nossa comunidade é formada por cristãos, homens e mulheres, adultos e jovens, de todas as condições sociais, que desejo seguir a Jesus Cristo mais de perto e a trabalhar com ele para a construção do Reino e, que também reconheceram a Comunidade de Vida Cristã como sua vocação particular na Igreja.”  

Podemos citar alguns vocacionados na História da Salvação:  

1) Moisés.  EM Ex 3, 4-6: uma experiência que provoca decisão (contemplação X ação); Ex 3, 7-15 (objetivo da Libertação); Ex 3, 16-22 (projeto de Libertação);  

2) Isaías: Is 6,8-13;

3) Jeremias: Jr 1,4-10;

4) Maria: Lc 1,34-38; Lc 6, 46-49  

 

Ainda no PPGG nº 4, temos:  

Nosso objetivo é tornarmos cristãos comprometidos, dando testemunho na Igreja e na sociedade, daqueles valores humanos e evangélicos que afetam a dignidade da pessoa, o bem-estar da família e a integridade da criação. Somos particularmente conscientes da necessidade premente de trabalharmos pela justiça, por meio de uma opção preferencial pelos pobres e de um estilo de vida simples, que expresse nossa  liberdade e solidariedade com  eles. A fim de preparar mais eficazmente os nossos membros para um testemunho e um serviço apostólicos, especialmente em nosso ambiente cotidiano, reunimos em comunidades pessoas que sentem uma necessidade mais urgente de unir sua vida humana, em todas as suas dimensões e, com a plenitude de sua fé cristã, de acordo com nosso carisma.  Procuramos atingir essa unidade de vida em resposta ao chamado de Cristo a partir do mundo em que vivemos”.  

O PPGG nº 8 fala especificamente da vida apostólica, pois:

“como membros do Povo de Deus a caminho, recebemos de Cristo a missão de sermos suas testemunhas perante todas as pessoas, através de nossas atitudes, palavras e ações, identificando as com a missão de ‘levar a boa nova aos pobres; ... para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a recuperação da vista; dar liberdade aos oprimidos, e proclamar o ano de graça do Senhor’    ( LC 4,18-19).

Portanto:

“o campo de missão da CVX não conhece limites: estende-se tanto à Igreja como ao mundo, a fim de levar o Evangelho (boa nova) da salvação a todos, e servir às pessoas e a sociedade, abrindo os corações à conversão e lutando para transformar as estruturas opressoras”.

O apostolado pessoal é indispensável para entendermos o Evangelho de uma forma duradoura, frente à diversidade de pessoas, lugares e situações, mas o apostolado grupal também é muito importante, porém não devemos confundi-lo com a Missão Comum.  

 É importante destacar, que a comunidade nos ajuda a viver esse compromisso apostólico em diferentes dimensões e a ser sempre abertos ao que é mais urgente e universal, daí a importância da "revisão de vida" e dos discernimentos pessoal e comunitário. “A comunidade nos impele a proclamar a Palavra de Deus e a trabalhar pela reforma das estruturas da sociedade, libertando seus membros de toda sorte de discriminação e abolindo as diferenças entre ricos e pobres.” (2)  

A evangelização das culturas a partir de dentro, também é muito importante. (3)

Há também a questão ecumênica, que é tão importante hoje em dia (unidade dos cristãos). Nessa modernidade, cabe também o diálogo inter religioso (judeus, muçulmanos, budistas etc), pois nossa vida encontra uma permanente inspiração no Evangelho do Cristo pobre e humilde e que não discriminava ninguém,  sobretudo as mulheres que foram agraciadas com um amor todo especial do Messias, como podemos ver em Jo 8,3-11.  

Um membro CVX não pode deixar de ser um cristão missionário.  A vida e o crescimento de uma comunidade vai depender do seu engajamento missionário. Fomos criados por Deus para vivermos no mundo e Santo Inácio sempre enfatizou muito a necessidade da ação.  Temos que ser contemplativos na ação, para podermos em “tudo amar e servir à Sua Divina Majestade.”

(1) Princípios Gerais nº 16.

(2) Princípios Gerais nº 8, d.

(3) Recomedamos a leitura de:  Coleção Leituras e Releituras, nº 6: “viver a fé Cristã nas diferentes culturas”. Pe. Marcelo de Carvalho Azevedo, SJ.

 

Para rezar:  

ü      Jesus Cristo que reintegra os marginalizados: Lc 5,12-14; ou

ü      A Missão dos discípulos: que deve ser também a nossa: Lc 9,1-6; ou

ü      A necessidade de sermos anunciadores do Reino: Lc 10, 1-12; ou

ü      Para sermos livres para amar e servir: Mc 1, 29-34.

   

Para facilitar a reflexão:  

1) Nossa Comunidade tem consciência de que a CVX é essencialmente uma    
comunidade missionária?

2) Como temos vivido essa experiência?  

 

4.  Partilha

5.  Canto Final ( “Utopia”, pág. 18, ou a escolher).

6.  Oração Final (página 3)

 

 

2       Missão Comum

 

 

 

1)    Oração Inicial  (página 3) 

2)    Canto de Abertura (“Momento Novo, pág. 19, ou a escolher) 

3)    Para Refletir:

A CVX é uma “comunidade missionária”, como vimos na releitura de alguns Princípios Gerais na reunião anterior. Toda a nossa partilha, discernimento e oração nas reuniões de nossos grupos CVX devem estar voltados para o discernimento e os frutos da Missão. Sabemos que nem sempre isto tem ocorrido no interior de nossas comunidades, pois muitas vezes a partilha e as orações não desembocam num compromisso missionário. 

Nos últimos anos, a Comunidade Mundial sentiu a necessidade de clarear o que seria a “Missão Comum” da CVX. A Assembléia Mundial em Itaici em 1998 elaborou um documento no qual a comunidade mundial indica as necessidades mais urgentes e universais em nosso mundo a partir de quatro dimensões centradas em Cristo: a vida cotidiana, o crescimento da vida cristã, a cultura e a realidade social.   No entanto:

"Não cabe dúvida de que nenhum de nós jamais poderá viver todo o nível de respostas possíveis. Justamente por isso, em âmbito local, nacional e regional, estamos continuamente no processo comum de discernimento e tomada de decisões para deixar que Deus nos mostre como podemos participar em nossa ‘Missão Comum’ em nosso contexto específico e vive-lo em nossa vida cotidiana." (1) 

Não podemos deixar de considerar que para o exercício da Missão é preciso ter sempre a  humildade de reconhecer as nossas limitações pessoais e comunitárias e de reconhecer que tudo que nos move é por Graça de Deus. Somente ela, fundamentalmente, é que nos capacita para a Missão. Nenhum esquema, nenhuma pedagogia, nenhum grupo pode ser eficaz no exercício da Missão se depender apenas dos seus esforços pessoais e humanos e da sua metodologia, por melhor que pareçam. Não podemos esquecer ainda, que a Missão de evangelizar e santificar o mundo é a Missão de Jesus Cristo, Senhor do universo e da qual somos meros colaboradores imperfeitos. 

É preciso primeiro clarear que “Missão Comum” não quer dizer necessariamente missão grupal.  "Não significa que façamos o mesmo, oferecendo o mesmo serviço ou trabalhando no mesmo campo." (2)  Poderá sê-lo, mas não necessita. Talvez, didaticamente, fosse melhor chamarmos de Missão compartilhada. A “Missão Comum” é comum a todos pela co-responsabilidade da comunidade.  Assim:

"Ser uma comunidade em missão  significa viver a missão em comunidade. Isto é mais que o jogo de palavras. A relação entre missão e comunidade expressa uma característica importante e essencial de nossa identidade inaciana. Com a ajuda da comunidade, discernirmos a missão que Deus nos encomenda. Baseada no processo de discernimento comunitário e na decisão tomada, a comunidade nos envia, nos apóia para que vivamos esta missão, nos acompanha e avalia conosco aquilo que vivemos. Assim nós vamos fazer mais e mais uma ‘comunidade em missão’ porque em comunidade e como comunidade descobrimos, aceitamos e concretizamos nossa missão." (3)

Desta forma:

"a missão comum que recebemos é aquela na qual todos os membros da CVX compartilham a responsabilidade. Esta é a nossa maneira distinta de viver em missão: todos nós, em um pequeno grupo ou em uma comunidade maior, discernimos a vontade do Senhor e então compartilhamos a responsabilidade de enviar e ser enviado. Possivelmente um ou dois serão enviados a prestar determinado serviço, porém todos compartilhamos a responsabilidade pelas missões de que nós confiamos em nome do Senhor." (4) 

Mas, concretamente, como ocorrem os passos no interior de uma comunidade CVX para que ela chegue a Missão Comum?

Este processo ocorre inacianamente no interior da comunidade CVX em quatro etapas:

1)     antes de tudo é preciso usar a ferramenta indispensável dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola que é o discernimento. É necessário que o discernimento inaciano esteja arraigado profundamente nos membros do grupo e na própria comunidade como uma atitude habitual. Somente uma comunidade que é atenta aos apelos do Senhor consegue ouvi-lo;

2)     depois, é preciso repetir o gesto de Jesus: a comunidade precisa enviar seus membros em missão, sabendo que é toda a comunidade que estará presente no campo missionário, através dos seus enviados, mesmo que não seja fisicamente. 

3)     uma vez que a decisão comum da comunidade já esteja em curso, o apoio de toda a comunidade é fundamental e deve ser contínuo.

      “Isto supõe que cada membro do grupo partilhe informação sobre sua vida em missão, que os demais o escutem e expressem seu apoio com gestos concretos.”(5)  Não podemos achar que alguém da nossa comunidade exerce a missão por mim e eu apenas o apóio moralmente ou com recursos financeiros. Isto seria uma tentação. Não há dúvidas que isto é necessário, mas é preciso mais.  É preciso sentir-se parte da missão delegada;

4)      Para confirmar o discernimento inicial, é necessária a avaliação para tomar consciência do que temos experimentado e vivido. 

Com a missão co-responsabilizada, há uma alteração da qualidade dos relacionamentos no interior da comunidade.  Essencialmente se põe em prática um novo estado de relacionar-se uns com os outros. Não é só o agente missionário que se transforma, mas a própria comunidade como co-responsável desta missão também se renova e se transforma enquanto grupo. Pois,

"ao discernirmos juntos, ao enviar e ser enviados, ao apoiar-nos e avaliar, vai surgindo uma nova maneira de relacionar-se no interior da comunidade em todos os seus âmbitos. Esta nova forma de relação nos anima a ser mais apostólicos, porém em um sentido novo... não só como indivíduos, mais sim como um corpo compacto, e em conseqüência,  isto suavemente nos transforma de uma comunidade de apóstolos em uma comunidade apostólica." (6) 

Isto não é um processo simples e fácil, como a própria radicalidade do Evangelho não o é. Não podemos nos esquecer também que exercer a missão, antes de ser uma tarefa na minha lista de compromissos, é um estado permanente do Cristão que se coloca à serviço com todo seu coração e sua alma em favor da causa do Reino.  Logo:

como membros da CVX, somos chamados a compartilhar a responsabilidade de nossa missão como uma forma de vida que abarca tudo o que somos e fazemos.  Não é um chamado a somar tarefas à lista de atividades pessoais, mas, sim um convite a repensar a vida segundo suas próprias responsabilidades.” (7) 

Como dissemos, não depende só de nós, mas fundamentalmente da graça do Senhor, que devemos pedir insistentemente. Por outro lado, entendemos que a CVX só vai se materializar enquanto comunidade missionária se esse sentimento de co-responsabilidade ocorrer no interior dos nossos grupos. Isto é algo que nos desafia a todos.  Logo, todas as nossas estruturas, conselhos e organização de nossas comunidades devem estar voltadas para esta premissa. A própria Comunidade Mundial CVX reunida em Nairóbi recomenda em recente documento que:

 "as reuniões das comunidades locais precisarão ser reenfocadas para que se viva melhor nelas o chamado a ser membros de um corpo apostólico que pratica o discernimento pessoal e comunitário, que envia, apóia e avalia." (8)   

(1)    Proyectos nº 118;

(2)    Proyectos nº 120;

(3)    Proyectos nº 118;

(4)    Proyectos nº 120;

(5)    Proyectos nº 120;

(6)    Proyectos nº 121;

(7)    Proyectos nº 123;

(8)    Proyectos nº 124.

 

Para Facilitar a reflexão:

1)      Nossa Comunidade CVX se “percebe” essencialmente como uma comunidade voltada para Missão?

2)      Em nossa Comunidade, em que ponto estamos no processo da implementação da Missão Comum?  Que passos precisamos dar?

3)      As reuniões de nossa comunidade têm sido organizadas e sobretudo focadas na construção de um “comunidade em missão?

 

Para rezar: 

ü      Jo 17, 20-26

   

 1)   Partilha

 2)   Canto Final (“O Profeta”, pág. 19, ou a escolher).

     3)   Oração Final (pág. 3)

 

3      Corpo Apostólico

 

 

1)   Oração Inicial  (página 3). 

2)   Canto de abertura (“Os grãos que formam a espiga”,  pág. 20, ou a escolher). 

3)   Para Refletir:  

A imagem do corpo é usada para falar da unidade, diversidade e solidariedade que caracteriza a comunidade cristã.  Esta é una porque forma o corpo de Cristo, dado que todos receberam o mesmo batismo e o mesmo Espírito que produzem a comunhão e a unidade fundamental.

A fonte da unidade é Cristo.  Unidade de povo, de comunidade, de família.  Assim devemos compreender o mistério da Igreja no qual estamos inseridos.  A Igreja é o corpo místico de Cristo, contudo as pessoas são diferentes entre si; cada uma com sua originalidade contribui de maneira indispensável para a construção e o crescimento de todos.  A pluralidade e a variedade então estão a serviço da unidade. 

Unida ao Messias, a Igreja é como um corpo, um organismo que é uno e plural: o princípio de unidade é Cristo. 

Inspirada no carisma inaciano, a CVX é uma comunidade que tem sua vida centrada na Missão.  Esta missão é primeiramente uma resposta concreta a um chamado pessoal que o Senhor faz a todos e a cada um para segui-lo.

Sublinhando mais uma vez o que vimos na reunião anterior:

“Esta é a nossa maneira distinta de viver em missão: todos nós, em um pequeno grupo ou uma comunidade maior, discernimos a vontade do Senhor e então compartilhamos a responsabilidade de enviar e ser enviado.  Possivelmente um ou dois serão enviados a prestar um determinado serviço, porém todos compartilhamos a responsabilidade pelas missões que nos confiamos em nome do Senhor.” (1) 

Este ideal se realiza dentro de um processo constante de discernimento, sem o qual não podemos falar de “Missão Comum”.  O fruto dessa reflexão compartilhada compromete toda a comunidade para enviar, apoiar e avaliar.  Assim:

...passo a passo a identidade da CVX irá se clareando para todos, porque homens e mulheres da CVX, em todos os âmbitos, serão ativos no discernimento, enquanto enviam, apóiam e avaliam sua maneira de participar em cada momento na missão de Jesus.” (2) 

Continuando e aprofundando nesta mesma linha, a Assembléia Mundial em Nairobi (2003) nos convida a dar um passo adiante.  Nos coloca o desafio de chegar a ser um corpo apostólico, uma comunidade capaz de voltar-se para o mundo, em missão, alcançando fronteiras longínquas, passando de uma “comunidade de apóstolos” para uma “comunidade apostólica”, que partilha a responsabilidade da missão dentro da Igreja.  Desejamos responder a este chamado que nos leva a permanecer fiéis em meio às transformações que o mundo exige da Igreja e da CVX.  Este desafio que nos coloca a Comunidade Mundial exige uma atitude de discernimento permanente, o coração da espiritualidade inaciana.  Neste sentido, é importante recordarmos alguns elementos do discernimento apostólico que nos apresenta o documento “O Carisma CVX”, progresio suplemento nº 56

Definindo Discernimento e o seu objetivo:

“O discernimento é uma atenção inteligente e contemplativa do cristão à ação do Espírito, diante de seus compromissos na família, trabalho, profissão, sociedade e Igreja.  Seu objetivo é buscar e encontrar a vontade de Deus com relação à Missão.” (nº 109)

 Apresentando os elementos do Discernimento:

 Oração pessoal e comunitária: o discernimento é do começo ao fim um caminho de oração.  Reconhecendo que somos criados para louvar, reverenciar e servir a Deus, Nosso Senhor, reconhecemos a necessidade da oração e do discernimento pessoal e comunitário, como meios importantes para buscar e encontrar Deus em todas as coisas.” (nº 110)

Olhar a realidade: reconhecemos que o mundo inteiro é nosso lugar de encontro com Deus.  Por isso necessitamos tomar contato com tudo o que nos rodeia, para ir descobrindo em cada lugar os apelos do Senhor.” (nº 111)

Nosso carisma inaciano: como comunidade temos claro que nossa vocação comum, nosso carisma e estilo de discernimento, se originam nos Exercícios Espirituais e estão expressos nos Princípios Gerais da CVX”. (nº 112)

 “Moções espirituais: atenção aos movimentos interiores.  Tomar consciência da diversidade de moções     espirituais e a forma de interpretá-las para conhecer a vontade do Senhor.  Os Exercícios Espirituais nos ajudam avançar neste aprendizado, para tomar consciência, partilhar e interpretar estes movimentos interiores, que surgem em confronto com a realidade com a qual convivemos.  Isto nos permitirá conhecer também, em comunidade, o que o Senhor quer de nós.” (nºs 113 e 114)

“Processo grupal: esses movimentos interiores serão parte da experiência conhecida e partilhada abertamente.  Isto supõe um grupo maduro que conta com a ajuda imprescindível de um acompanhante.  Será importante uma constante abertura para escutar os outros numa autêntica partilha que vai muito além de um debate de idéias.” (nºs 115, 116 e 117). 

Todos esses elementos deveriam nos ajudar para viver o discernimento apostólico como uma atitude permanente e o principal instrumento para vivermos assim é sem duvida a prática do exame diário.  Nos diz o citado documento:

“...assim o exame é o indispensável ‘olhar do alto’ no caminho do apóstolo, que lhe permite ver em perspectiva sua trajetória e ao mesmo tempo, recuperar forças para empreender com novo impulso interior e maior lucidez o caminho de nova jornada. A prática fiel do exame é determinante para formar o contemplativo na ação, que busca e encontra Deus em todas as coisas.” (nº 121)

 (1)    e (2) Proyectos nº 120.

 

Para rezar: 

ü      1Cor 12,12-31

 

Para Facilitar: 

1)      A prática do “exame” e do discernimento comunitário têm sido regulares na vida de nossos membros e de nossa comunidade?

2)      Podemos dizer que o Regional é um “Corpo Apostólico”? Se não, o que falta?

3)      Você se sente parte deste Corpo Apostólico Regional?  E sua comunidade?

 

2)   Partilha

3)   Canto Final (“O Senhor necessitou de braços”,  pág. 20, ou a escolher).

4)   Oração Final (pág. 3)

 

 

CÂNTICOS

 

O Povo de Deus 

O povo de Deus no deserto andava / mas à sua frente, alguém caminhava. / O povo de Deus era rico de nada / só tinha  esperança e o pó da estrada. / Também sou teu povo, Senhor, / e estou nessa estrada, / somente tua graça, / me basta e mais nada.

O povo de Deus também vacilava /  Às vezes custava a crer no amor. /  O povo de Deus, chorando, rezava / pedia perdão e recomeçava. / Também sou teu povo, Senhor,  / e estou nessa estrada / perdoa se às vezes, / não creio em mais nada.

O povo de Deus também teve fome / e tu lhe mandaste o pão lá do céu. / O povo de Deus cantando deu graças / provou teu amor, teu amor que não passa. / Também sou teu povo, Senhor, / e estou nessa estrada / Tu és alimento, / na longa jornada. 

O Povo de Deus ao longe avistou / a terra querida que o amor preparou. / O povo de Deus corria e cantava / e nos seus louvores teu amor proclamava. / Também sou teu povo, Senhor, / e estou nessa estrada / cada dia mais perto / da terra esperada.  

Utopia 

Vai ser tão bonito se ouvir a canção, cantada de novo.
No olhar do homem a certeza do irmão: Reinado do povo.
 

Quando o dia da Paz renascer / quando o sol da esperança brilhar, / eu vou cantar. / Quando o povo nas ruas sorrir, / e a roseira de novo florir, / eu vou cantar. / Quando as cercas caírem no chão, / quando as mesas se encherem de pão, / eu vou cantar. / Quando os muros que cercam os jardins / destruídos, então os jasmins / vão perfumar. 

Quando as armas da destruição, / destruídas em cada nação, / eu vou sonhar. / E o decreto que encerra a opressão, / assinado só no coração / vai triunfar. / Quando a voz da verdade se ouvir, / e a mentira não mais existir / será enfim, / tempo novo de eterna justiça, / sem mais ódio, sem sangue ou cobiça, / vai ser assim.

 

Momento Novo 

Deus chama a gente pra um momento novo / de caminhar junto com seu povo, / é hora de transformar o que não dá mais, / Sozinho, isolado, ninguém é capaz. 

Por isso vem, entra na roda com a gente também, você é muito importante, vem. 

Não é possível crer que tudo pé fácil, / há muita força que produz a morte, / gerando dor, tristeza e desolação, / é necessário unir o cordão. 

A força que hoje faz brotar a vida, / atua em nós pela sua graça, / é Deus quem nos convida pra  trabalhar, / o amor repartir e as forças juntar.

   

O Profeta 

Antes que te formasses entro do seio de tua mãe, / antes que tu nascesses, te conhecia e te consagrei, / para ser meu profeta entre as nações eu te escolhi, / irás onde enviar-te e o que te mando proclamarás. 

Tenho que gritar, tenho de arriscar, ai de mim se não o faço! / Como escapar de ti, como calar / se tua voz arde em meu peito? / Tenho de andar, tenho de lutar, ai de mim se não o faço! / Como escapar de ti, como calar / se tua voz arde em meu peito? 

Não temas ariscar-te porque contigo eu estarei. / Não temas anunciar-me, em tua boca eu falarei. / Entrego-te meu povo, vai arrancar e derrubar / para edificares, destruirás e plantarás. 

Deixa os teus irmãos, deixa teu pai e tua mãe, / deixa a tua casa, porque a terra gritando está.  / Nada tragas contigo pois a teu lado eu estarei, / é hora de lutar, porque meu povo sofrendo está.

 

Os grãos que formam a espiga 

Os grãos que formam a espiga, / se unem para serem pão. / Os homens que são Igreja, / se unem pela oblação. 

Diante do altar, Senhor, / entendo minha vocação. / Devo sacrificar a vida por meu irmão. 

O grão caído na terra, / só vive se vai morrer. / É dando que se recebe, / morrendo se vai viver. 

O vinho e o pão ofertamos, / são nossa resposta de amor. / Pedimos humildemente, / aceita-nos, ó Senhor!

  

O Senhor necessitou de braços 

O Senhor necessitou de braços / para ajudar a ceifar a messe / e eu ouvi seus apelos de amor então respondi: aqui estou, aqui estou. 

Eu vim para dizer que eu quero te seguir / eu quero viver com muito amor o que aprendi. 

Eu vim para dizer que eu quero te ajudar / eu quero assumir a tua cruz e carregar. 

Eu vim para dizer que eu vou profetizar / eu quero ouvir a tua voz e propagar. 

Eu vim para dizer que eu vou te acompanhar / e com meus irmãos um mundo novo edificar.

 

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