
GP
DO JAPÃO (Suzuka)
Schumacher
é o campeão, finalmente!
O alemão
larga mal, mas se recupera para ser o campeão antecipado.

Jean Todt, o diretor da Ferrari, ergue Schumacher nos braços
como seu maior troféu: o herói do título. (AFP)
Carlo
Vinícius de Melo Almeida
Todas as reviravoltas da segunda metade desta temporada levaram o
campeonato a uma decisão muito mais emocionante e incerta do que muitos
poderiam imaginar. O favoritismo da Ferrari, conquistado através das primeiras
8 provas, foi derrubado pela McLaren em apenas 3 Grandes Prêmios. De repente,
um desanimado e cabisbaixo Mika Hakkinen, que parecia ter desistido do papel de
algoz da Ferrari, como fora nesses dois últimos anos, surgiu como o grande nome
para a conquista de um tricampeonato legítimo. Feito só alcançado pelo lendário
pentacampeão Juan Manoel Fangio. E, quando parecia irreversível o fato de
amargar mais um ano, em longos 21, sem título, Michael Schumacher tirou forças
juntamente com a equipe italiana para reverter toda a situação em duas provas,
colocando-se numa situação que permitiria, como no início do ano, a conquista
do campeonato antecipadamente.
Com a pressão maior novamente sobre Mika Hakkinen, o treino de classificação para o grid de largada foi marcado por uma disputa acirrada. A pole-position alternou entre Hakkinen (1m35.834s) e Schumacher (1m35.825s), acabando nas mãos do alemão com uma vantagem de apenas 9 milésimos de segundo. David Coulthard (1m36.236s) e Rubens Barrichello (1m36.330s) ocuparam o 3º e 4º lugares, respectivamente, embora prometessem não interferir na disputa pelo título.

Na largada, um erro de estratégia do alemão coloca Hakkinen na liderança.
Schumacher largou mal e não manteve a ponta. (AFP)
A expectativa na largada era a primeira curva:
famosa por decidir títulos em acidentes provocados ou casuais (Senna foi
campeão, em 90 e 91, contra Prost e Mansell, nesta curva), poderia levar a
decisão para a Malásia caso os dois protagonistas se “enroscassem”.
Michael Schumacher procurou, assim que os carros arrancaram, fechar os espaços
de Mika Hakkinen. Porém, o finlandês largou muito melhor e assumiu a ponta.
David Coulthard permaneceu em terceiro e Rubens Barrichello caiu para a sexta
posição.
Em poucas voltas a corrida passou a ser somente de Hakkinen e Schumacher. Rubinho ainda tentava recuperar as posições perdidas na largada e Coulthard vinha em terceiro muito distante dos dois. A extrema concentração de Hakkinen e Schumacher, permitiu que eles fizessem várias voltas no mesmo tempo. Porém, Hakkinen começou a ganhar um precioso décimo de segundo a cada volta. A primeira rodada de pit-stops não afetou a briga: Hakkinen parou primeiro, mas quando foi a vez do alemão, ele reassumiu a ponta.

No pódio, entre Hakkinen e Coulthard, Schumacher
rege o hino italiano em homenagem à Ferrari. (AFP)
De volta em volta a corrida começava a se desenhar a favor de Mika
Hakkinen. Àquela altura, se o finlandês vencesse com Schumacher em segundo,
ele passaria a somar 90 pontos, contra 94 do alemão. Para ser campeão
precisaria vencer na Malásia, sem que Schumacher fosse, novamente, o segundo
colocado. Só que as nuvens resolveram manter a tradição da temporada:
reviravoltas. O tempo fechou e a chuva começou a salpicar o asfalto em Suzuka.
Nada tão assustador para as equipes, que nem se dispuseram a pegar pneus de
chuva, mas terrível para Mika Hakkinen que acabou por “tirar o pé”.
Michael Schumacher começou a se aproximar perigosamente e, na segunda rodada de
pit-stops, fez o que queria: deixou que Mika Hakkinen entrasse primeiro e
retardou ao máximo sua parada enquanto “voava” no asfalto úmido. A
vantagem conquistada nessas voltas deu a ele o direito de parar e voltar ainda líder
para a pista. Deste ponto em diante, uma fina garoa mantinha o asfalto
escorregadio e Hakkinen não se sentia seguro para arriscar uma aproximação.
Michael Schumacher cruzou a linha de chegada sob a vibração e a emoção
de italianos, alemães e “ferraristas” do mundo inteiro. Conquistou seu
terceiro título na Fórmula 1 (94, 95 e 2000) e quebrou um jejum de 21 anos da
Ferrari sem títulos no Mundial de Pilotos. Somando agora 98 pontos, contra 86
de Mika Hakkinen, o alemão chegou à conquista antecipada de um título que
esteve em suas mãos durante os cinco anos de investimentos da Ferrari.
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