GP DOS ESTADOS UNIDOS (Indianápolis)

Dobradinha da Ferrari em Indianápolis

Michael Schumacher vence e abre 8 pontos de vantagem. Mika Hakkinen abandona.

 
A dupla da Ferrari comemora a dobradinha
no pódio de Indianápolis. Schumacher está a uma vitória do título. (Reuters)

Carlo Vinícius de Melo Almeida

            A Fórmula 1 procurava reviver toda a mística que envolve o templo americano do automobilismo, em Indianápolis. O circuito misto desenhado no autódromo utiliza, como referência, a curva 1 e toda a extensão da grande reta dos boxes do famoso oval das 500 milhas, que nesta corrida seria percorrido no sentido inverso ao tradicional. Os carros ainda tiveram que ganhar uma sétima marcha para não forçar os motores na reta de quase 1,5 Km. Tudo isso e a incógnita sobre o comportamento dos conjuntos nesse novo GP trazia uma forte expectativa no momento de definições para o campeonato de 2000.

            No treino de classificação para o grid de largada todos os carros saíram logo no início para experimentar ao máximo o traçado e, também, devido a ameaça de chuva. Michael Schumacher (1m14.266s) logo assumiu a pole-position e passou a torcer pelo segundo lugar de Rubens Barrichello (1m14.600s) que obteve apenas o quarto melhor tempo. David Coulthard (1m14.392) fechou a primeira fila e Mika Hakkinen (1m14.428s) ficou com o terceiro tempo. Os brasileiros Pedro Paulo Diniz (1m15.418s) e Ricardo Zonta (1m15.784s) se posicionaram bem em nono e décimo-segundo, respectivamente. 


Um decepcionado Hakkinen abandona sua McLaren em chamas.
O motor Mercedes não agüentou a imensa reta do circuito. (AFP)

            O nervosismo da largada em Indianápolis acabou fazendo com que David Coulthard saísse um pouco antes do apagar das cinco luzes vermelhas. O escocês assumiu a liderança seguido por Schumacher e Hakkinen. Como não conseguia abrir vantagem, Coulthard via a Ferrari pressionando-o nos trechos mais lentos do circuito. Ele resistiu por umas voltas, mas Michael Schumacher conseguiu a ultrapassagem ao final da reta dos boxes. O escocês ainda facilitou a ultrapassagem de Hakkinen que seguia atrás do alemão e, então, foi chamado aos boxes para um stop-and-go por ter queimado a largada.

            Os pilotos haviam largado com pneus para chuva devido à previsão da meteorologia sobre uma possível chuva logo após o início da prova. Como a chuva não vinha e a pista já se apresentava bem seca, vários pilotos optaram por colocar os pneus mais lisos. Rubinho foi um dos primeiros a tomar essa decisão juntamente com Hakkinen e Frentzen. Para a infelicidade do brasileiro, seu carro voltou muito instável para a pista e ele começou a perder posições chegando ao oitavo lugar.

            Michael Schumacher mantinha a liderança e os pneus de chuva. O alemão ampliou ao máximo sua vantagem para fazer seu pit-stop e voltar ainda líder. Nesse momento da prova Hakkinen tinha um carro muito mais veloz e se aproximava ameaçadoramente. Schumacher passou a pilotar sob pressão e já cometia pequenos erros. Quando Hakkinen apontou seu McLaren no início da curva 1 e buscou aceleração máxima o motor Mercedes não resistiu e estourou. Fim de prova para o finlandês que sairia dos EUA sem marcar pontos, vendo seu rival na liderança.


A Fórmula 1 utilizou o traçado do oval em sentido oposto:
ao fundo a Curva 1 e a imensa reta dos boxes. (AFP)

            A partir daí, Schumacher passou a administrar a prova e a sua imensa vantagem em relação aos outros carros e, principalmente, sobre Coulthard que estava em décimo. Rubinho começou a se entender com o Ferrari e passou a ganhar posições favorecido, também, pelos abandonos à sua frente. Com isso Barrichello chegou à segunda colocação e coroou o retorno de Indianápolis e dos Estados Unidos ao “circo” da Fórmula 1 com uma dobradinha da Ferrari, a única equipe da categoria a possuir fã-clubes oficiais no país. Ricardo Zonta somou mais um ponto, com o sexto lugar, e Pedro Paulo Diniz ficou com a oitava colocação.

            A festa no pódio mostrou um eufórico Schumacher entre Rubinho e Frentzen. O alemão reassume a liderança do Mundial de Pilotos com 8 pontos de vantagem faltando apenas duas provas para o encerramento da temporada.   



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