
GP
DA ITÁLIA (Monza)
Schumacher vence em Monza
Alemão vence na casa da Ferrari e encosta em Hakkinen. Acidente mata fiscal.

Em meio à chuva de champanhe,
Michael Schumacher vibra com a vitória em Monza. (AP)
Carlo
Vinícius de Melo Almeida
O apoio fanático da torcida ferrarista em Monza dava, à Ferrari, o cenário
perfeito para tentar reduzir o ímpeto da McLaren nas últimas provas. A equipe
treinou, exaustivamente, inúmeras alternativas para ganhar centésimos de
segundo no cronômetro. O esforço parecia ter dado resultado já nos treinos
livres onde Rubinho ficou com o melhor tempo seguido por Schumacher.
No treino de classificação para o grid de largada, a Ferrari manteve sua supremacia com Rubens Barrichello conquistando, logo no início, a pole-position. O tempo de Rubinho sequer foi ameaçado por qualquer uma das McLaren, porém, Michael Schumacher roubou sua pole quando faltavam 5 minutos para o encerramento do treino. Mika Hakkinen ficou com o terceiro tempo e Jacques Villeneuve infiltrou-se entre os McLaren fechando a segunda fila. David Coulthard obteve apenas o quinto melhor tempo.

Os italianos mostram todo seu fanatismo pela Ferrari com
um coração vermelho tremulando na arquibancada. (AFP)
Apesar da disputa por posições no grid, o que preocupava realmente os
pilotos na largada era o novo desenho da primeira chicane após a reta dos
boxes. Agora, sua curva passou a ser para a direita, ao contrário do anterior,
e o traçado é mais agressivo, forçando uma redução brusca de velocidade, de
350 para 70 Km/h. Os pilotos fizeram três reuniões para definir o melhor traçado
e qual a melhor maneira de contorná-la na primeira volta logo após a largada,
com todos disputando posições. Quando as cinco luzes vermelhas se apagaram, os
pilotos largaram bem e contornaram praticamente sem problema a primeira chicane.
Apenas Eddie Irvine errou o traçado e bateu, abandonando a prova. Quando se
aproximavam da chamada “Seconda Variante” (outra chicane forte, para a
esquerda) Heinz-Harald Frentzen resolveu tentar uma ultrapassagem entre Rubens
Barrichello e Jarno Trulli, que freavam. O espaço entre o Jordan e o Ferrari não
era suficiente para o carro de Frentzen que se chocou violentamente na traseira
dos dois. O Ferrari (Rubinho) e o Jordan (Trulli) rodopiaram pela pista
arrastando os carros que estavam à sua frente até a caixa de brita. Jacques
Villeneuve, David Coulthard, Rubens Barrichello, Jarno Trulli e o próprio
Frentzen, pararam na brita, com seus carros totalmente destruídos. Em meio à
cortina de poeira que se formou, surgiu o Arrows de Pedro de la Rosa rodopiando
no ar até cair, de cabeça para baixo, sobre o carro de Barrichello. Momentos
de tensão entre todos os pilotos envolvidos e fiscais de pista que acenavam
desesperados diante da cena de destruição. Aos poucos, todos os pilotos saíram
caminhando de seus carros, inclusive De La Rosa. Nenhum deles sofreu lesão
grave. Apenas Coulthard queixou-se de dores na mão e Frentzen de dor nos
joelhos devido ao forte impacto. Rubinho, ainda em estado de choque, pedia
suspensão de 10 provas para Frentzen enquanto mostrava seu capacete, danificado
no acidente. Infelizmente, o acidente teve uma vítima fatal: o bombeiro Paolo
Ghislimberti, de 30 anos, trabalhava entre os fiscais de pista e foi atingido
por uma das rodas que se soltaram dos carros. Paolo faleceu com traumatismo
craniano, após ser socorrido e levado a um hospital local.
A prova permaneceu por mais de 10 voltas sob bandeira amarela com o safety-car na pista, para que esta fosse limpa. Quando recomeçou, Michael Schumacher manteve a ponta e passou a abrir vantagem sobre Mika Hakkinen, o segundo colocado, que também escapou do acidente da primeira volta. A grande surpresa, vinha da 17ª colocação. Ricardo Zonta “voava” com seu BAR e chegou a ocupar a terceira colocação quando foi chamado para o pit-stop. Todos os outros também fizeram suas paradas e as posições permaneceram inalteradas na frente. Zonta, que havia voltado em oitavo, continuava com um ótimo rendimento e pulou para a sexta colocação.

O início do grave acidente que matou um fiscal de pista:
Frentzen (carro amarelo à direita) bate com violência em Trulli e Rubinho. (Reuters)
Sem muita ameaça da McLaren, Michael Schumacher passou a administrar a
liderança e venceu, de ponta-a-ponta, o GP da Itália no circuito considerado o
templo da Ferrari. Hakkinen confirmou a segunda colocação e Ralf Schumacher
completou o pódio. Zonta ainda lutou pela quinta colocação com Alexander Wurz,
mas somou um ponto, em sexto.
A diferença entre os dois rivais caiu agora para apenas 2 pontos, com
Mika Hakkinen, ainda na liderança, somando 80. Faltando apenas três provas
para o final da temporada, a próxima etapa será o GP dos Estados Unidos, em
Indianápolis. Um circuito desconhecido, desenhado com parte do famoso oval das
500 milhas.
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