GP DA BÉLGICA (Spa-Francorchamps)

Mais um show de Hakkinen e da McLaren

Na ultrapassagem mais bela e ousada da temporada, Hakkinen vence Schumacher.

 
Mika Hakkinen comemora, no pódio,
a vitória que pode levá-lo a um tricampeonato autêntico. (AP)

Carlo Vinícius de Melo Almeida

            Na abalada Ferrari, após a perda da liderança nos dois campeonatos (pilotos e construtores), Jean Todt levantava a voz para pedir garra e declarar que a equipe renasceria no asfalto de Spa-Francorchamps. Todos haviam trabalhado muito desde o GP da Hungria em busca de soluções para amenizar o surpreendente salto de rendimento da rival. Os pilotos chegaram a percorrer, em testes na última semana, mais que a distância equivalente a oito grandes prêmios. Esperavam colher os frutos já neste fim-de-semana.

            Nos treinos livres, porém, a McLaren mantinha, sem muito esforço, a supremacia no cronômetro. Schumacher e Barrichello tentavam vários acertos no carro sem atingir resultados satisfatórios. O treino de sábado, para definir o grid, foi ainda pior. Mika Hakkinen (1m50.646s) conquistou a pole-position enquanto Michael Schumacher (1m51.587s) “beliscava” as zebras com sua Ferrari para segurar a quarta colocação, quase um segundo mais lento que o finlandês. À sua frente os “penetras” eram Jarno Trulli (1m51.419s), da Jordan, e Jenson Button (1m51.444s), da Williams, ocupando o segundo e terceiro lugares. David Coulthard (1m51.587s) ficou com a quinta colocação e Rubens Barrichello (1m52.444s), com um rendimento muito abaixo da crítica, ficou em décimo. Ricardo Zonta (1m53.002s) foi o décimo-terceiro e Pedro Paulo Diniz (1m53.211s), o décimo-quinto.


A McLaren de Hakkinen na liderança instantes após a belíssima
ultrapassagem sobre o rival Schumacher, logo atrás. (AP)

            Restava à Ferrari, após o fiasco nos treinos, torcer por chuva... muita chuva. O que, aliás, é um fator quase certo no GP da Bélgica. Uma hora antes da prova estava chovendo para alívio dos ferraristas. Porém, a poucos minutos da largada, a chuva cessou. As coisas começavam a se encaixar para a McLaren. Ainda assim, a direção de prova decidiu por uma largada em movimento (que consiste em dar uma volta atrás do safety-car para que os carros se alinhem corretamente) devido ao excesso de água na pista. Com a largada tranqüila, Hakkinen manteve a ponta e Schumacher, que logo ultrapassou Coulthard, já forçava em cima de Jenson Button. Por sua vez, Button tentava ultrapassar Jarno Trulli no asfalto escorregadio e, por falta de experiência, acabou tocando o Jordan do italiano, deixando-o fora da corrida. Na confusão, Schumacher pulou para segundo e começou a reduzir sua distância em relação a Hakkinen. Pressionado pelo alemão, o finlandês acabou por passar sobre uma zebra molhada e o McLaren derrapou para fora da pista. Schumacher passou, enquanto Hakkinen retornava ao traçado.

            A partir da primeira rodada de pit-stops, onde os pilotos colocaram pneus para pista seca, Michael Schumacher passou a dominar a prova e obtinha um ótimo rendimento do Ferrari. Passada a metade da prova, as especulações sobre o retorno da chuva foram derrubadas com o sol que surgia no céu belga. Quando a pista secou por completo, foi a vez de Mika Hakkinen começar sua aproximação ao líder. Schumacher com os pneus desgastados não conseguia escapar e Hakkinen diminuía a distância a cada volta. Restando cerca de 10 voltas para o final da prova, a diferença era de menos de um segundo e o finlandês já armava o bote. No final da grande reta após a curva Eau Rouge, Hakkinen tentou ultrapassar Schumacher, mas o alemão defendeu sua posição mudando o traçado. Na volta seguinte os dois se aproximavam da mesma curva, com o retardatário Ricardo Zonta logo à frente, para o que seria a mais arrojada ultrapassagem das 13 provas disputadas até agora: Schumacher se aproximava de Zonta com Hakkinen em seu vácuo, quando o alemão iniciou a ultrapassagem, por fora, Hakkinen jogou o McLaren pelo outro lado. Zonta, no meio da pista, assistiu ao finlandês “fechando a porta” do Ferrari e tomando a preferência na entrada da curva. Tudo isso a mais de 280 Km/h.


Mika Hakkinen acena para as câmeras
no parque fechado, logo após deixar seu carro. (AP)

            Faltando apenas mais quatro voltas, Mika Hakkinen abriu uma vantagem confortável e administrou a liderança até receber a bandeirada final, seguido por Michael Schumacher e seu irmão, Ralf Schumacher. Rubens Barrichello provavelmente assistiu a tudo isso dos boxes, após abandonar com uma absurda pane seca (falta de combustível) em seu Ferrari. É incrível imaginar uma equipe como a Ferrari cometendo falhas tão primárias.

            O eufórico e desajeitado Mika Hakkinen comemorou muito, no pódio, entre os irmãos Schumacher, o que pode ser o passo definitivo para a conquista de um tricampeonato autêntico, vencendo por três anos consecutivos. Feito realizado apenas por Juan Manoel Fangio, na década de 50.



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