GP DA ÁUSTRIA (A1-Ring)

 Agora está tudo igual

 Com duas dobradinhas consecutivas a McLaren desmanchou a vantagem e o favoritismo da Ferrari.

 
Mika Hakkinen comemora com Coulthard e Rubinho
sua segunda vitória no campeonato. (Reuters)

Carlo Vinícius de Melo Almeida

            A grande emoção da Fórmula 1 está na velocidade com que as coisas mudam também nos números e previsões. Desde a corrida em Magny-Cours, na França, a McLaren renasceu no campeonato e o otimismo dominou a equipe. A dobradinha (Coulthard e Hakkinen) e o abandono de Michael Schumacher mostraram, não só na classificação do Mundial de Pilotos, mas também na guerra emocional, que a Ferrari não está tão absoluta como estava no início da temporada. Os carros evoluem, a cada prova, com muita rapidez e as equipes acabam por superar as outras. Depois das declarações de Jean Todt, diretor da Ferrari, reconhecendo que a McLaren está sempre pronta para se aproveitar de qualquer deslize de sua equipe, esperava-se uma Ferrari forte e atenta para o GP da Áustria, a décima etapa da temporada 2000.

            Nos treinos livres de sexta-feira a McLaren mantinha uma certa supremacia nos tempos conquistados, ajudada pelo forte motor Mercedes. A Ferrari lutava por um melhor acerto e, pela primeira vez, Rubinho conseguiu melhor rendimento que Schumacher. Sinal de que algo estava diferente. No mesmo dia, Eddie Irvine foi internado às pressas com suspeita de apendicite e o brasileiro Luciano Burti, piloto de teste da Jaguar, acabou ganhando a chance de disputar uma prova oficial da Fórmula 1. No sábado, o treino de classificação para o grid foi marcado pela superioridade das duas McLaren e a dupla Hakkinen (1m10.410s) e Coulthard (1m10.795s) não fizeram muito esforço para assumir a pole-position e a segunda colocação, respectivamente. Na segunda fila, uma situação inédita: Rubens Barrichello (1m10.844s), com um acerto muito melhor em seu Ferrari, ficou à frente de Michael Schumacher (1m11.046s), o quarto colocado. Embora todos esperavam uma possível ordem da equipe para que Rubinho deixasse seu companheiro ultrapassá-lo durante a prova, o alemão já não parecia muito à vontade com o carro. Ricardo Zonta, que chegou a ser duramente criticado por Craig Pollack (chefe de equipe da BAR), precisava “mostrar serviço” e conquistou o sexto lugar, a melhor colocação de largada em sua carreira na F-1 com o tempo de 1m11.647s. O estreante Luciano Burti (1m12.822s) teve problemas no Jaguar, mas conseguiu classificá-lo na 21ª colocação. Um bom resultado para quem jamais havia dado uma volta sequer no traçado. Pedro Paulo Diniz (1m11.931s) classificou-se em 11º lugar.

            Com duas McLaren na primeira fila e duas Ferrari na segunda, esperava-se uma prova altamente disputada, onde a dupla Schumacher / Barrichello tentariam conter a ascensão da rival dentro das pistas e, conseqüentemente, no campeonato. Porém, não foi isso que aconteceu: na largada, as McLaren pularam na frente e Barrichello manteve sua colocação. Schumacher, em quarto, não havia largado bem e Ricardo Zonta vinha logo atrás com uma excelente arrancada. Sem espaço a sua frente, Zonta não conseguiu reduzir o suficiente na entrada da primeira curva e bateu forte na traseira do Ferrari do alemão. Schumacher rodou na pista, envolvendo cerca de 5 carros. Rubinho e mais alguns ainda conseguiram escapar pela caixa-de-brita, desviando do acidente. Com a suspensão dianteira destruída (Jarno Trulli bateu ao encontrar o Ferrari atravessado na pista), restou ao líder do mundial abandonar a prova. O caminho se abria para Mika Hakkinen e David Coulthard que nem chegaram a participar da confusão e, a essa altura, já abriam boa vantagem. Em terceiro lugar, o Arrows de Pedro de la Rosa estava a 20 segundos de distância e Rubinho era o sexto colocado. Barrichello logo recuperou as posições perdidas e disputava com de la Rosa o terceiro lugar (inexplicavelmente o brasileiro ficou mais de dez voltas atrás de um carro sensivelmente inferior ao dele) quando o motor Supertec não suportou o ritmo de corrida do espanhol, tirando o Arrows da prova.

            Mesmo após os pit-stops, as McLaren se mantiveram absolutas na prova e Mika Hakkinen levou seu carro até a bandeirada final, vencendo de ponta-a-ponta, com David Coulthard em segundo fechando a segunda dobradinha da equipe. Rubens Barrichello completou o pódio. Agora, a vantagem de Schumacher caiu para apenas 6 pontos em relação a Coulthard (56 a 50). Hakkinen, com 48 pontos, também está na briga e a McLaren praticamente anula toda a vantagem obtida pela Ferrari, faltando 7 provas para o encerramento da temporada. As duas dobradinhas ainda deram à equipe de Ron Dennis a liderança do Mundial de Construtores com 98 pontos contra 92, da equipe de Jean Todt.

            Luciano Burti completou, com tranqüilidade, as 71 voltas levando seu Jordan à 11ª colocação. Um bom resultado para um estreante que devolverá a vaga à Eddie Irvine já no próxima prova, o GP da Alemanha, no dia 30 de Julho.



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