
GP
DA FRANÇA (Magny-Cours)
A
McLaren ainda respira na temporada
A vitória
de Coulthard, na dobradinha prateada, e o abandono de Schumacher embolam o
campeonato. Rubinho foi o terceiro.

Como a Ferrari no GP anterior, a McLaren dá o troco
e fecha com dobradinha na França. (AFP)
Carlo
Vinícius de Melo Almeida
O fim-de-semana não poderia ter sido mais imprevisível para as duas
principais equipes desta temporada. Vindo de uma dobradinha, a Ferrari estava
com seu otimismo ao máximo. Michael Schumacher já fazia planos de como deveria
levar o restante do campeonato para ser campeão antecipado e chegou até a
omitir o nome de David Coulthard (vice-líder do campeonato) ao citar seus
principais adversários ao título. Rubens Barrichello, por ter feito ótima
corrida no Canadá, também passou a se sentir mais confiante conduzindo o
Ferrari. Na McLaren, porém, o clima era de incertezas. Enquanto David Coulthard
elogiava o carro e sua performance, o chefe da equipe, Ron Dennis, dava declarações
duvidando de bons resultados de seu time perante a dupla Ferrari/Schumacher.
No treino de classificação a previsão parecia se confirmar. Michael
Schumacher conquistou a pole-position e, nos últimos minutos, Barrichello ainda
tomou a terceira colocação de Mika Hakkinen com uma diferença de 3 milésimos
de segundo. O “circo” estava se armando a favor da Ferrari, já que
Schumacher poderia largar na ponta e Rubinho passaria a atacar Coulthard (em
segundo no grid) para que o alemão abrisse vantagem.
Quando as cinco luzes vermelhas de Magny-Cours se apagaram, ontem, o que
se viu foi algo que prometia mais um passeio da equipe italiana: Schumacher
disparou na ponta e Rubinho, com uma ótima largada, assumiu a segunda colocação.
A partir daí, o alemão começou a abrir e Barrichello parecia segurar seu
ritmo para diminuir o desempenho de Coulthard e Hakkinen. O plano funcionou
muito bem e Schumacher conseguiu uma boa vantagem, até que Barrichello foi
atacado por Coulthard, numa manobra de muita perícia, e foi ultrapassado. O
escocês, então, começou a diminuir a diferença que o separava de Schumacher.
Nos boxes, iniciava-se a primeira rodada de pit-stops. Quando Schumacher parou,
Coulthard chegou a liderar a prova por algumas voltas, seguido por Rubinho. Após
todos pararem, as posições se restabeleceram, porém, a Ferrari já não
apresentava o mesmo desempenho. As McLaren começaram apertar e Coulthard partiu
para cima de Schumacher.
Até o segundo pit-stop, tudo permaneceu inalterado. Na segunda parada de
Rubinho, mais um problema insólito em sua extensa lista este ano: a equipe de
mecânicos não conseguiu retirar a porca que fixa a roda dianteira-direita do
Ferrari. Barrichello perdeu 17 segundos e suas chances na corrida assistindo, de
dentro do carro, os atrapalhados ferraristas retirando a peça com um alicate.
Quando voltou à pista, o brasileiro estava 12 segundos atrás de Mika Hakkinen,
o terceiro colocado.
Sentindo-se à vontade na prova, Coulthard partiu para o ataque sobre
Schumacher e forçou a ultrapassagem em uma curva, assumindo a liderança. O
alemão começou a perder rendimento do carro até que o motor Ferrari estourou,
tirando-o da corrida. Estava armada a dobradinha da McLaren, contradizendo todas
as especulações da semana.
Com Rubinho em terceiro, porém, fora de combate, David Coulthard e Mika
Hakkinen receberam a bandeirada e foram saudados pelos mecânicos da McLaren,
que os esperavam na mureta dos boxes. Com a vitória, Coulthard passou a somar
44 pontos e está a apenas 12 de Schumacher. E a dobradinha da McLaren, em
resposta à da Ferrari no Canadá, devolve o equilíbrio ao campeonato.
O que ainda não se explica é como a Ferrari consegue errar tanto com
Rubens Barrichello? No Canadá, os mecânicos não tinham pneus suficientes para
o carro do brasileiro que ficou longos 21 segundos esperando que fossem buscá-los
no fundo dos boxes. Agora, levam 17 segundos para retirar uma porca. Assim fica
difícil...
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