GP DO CANADÁ (Montreal)

Schumacher vence tabu dos poles

 Schumacher eRubinho fazem a dobradinha quebrando a “Maldição da Pole”

 
Schumacher vê Rubinho pelo retrovisor
na última curva antes da bandeirada final. (AP)

Carlo Vinícius de Melo Almeida

             Esta etapa da temporada de 2000 tem um significado especial para uma equipe: a inglesa McLaren está completando 500 Grandes Prêmios. Pensando em preparar uma grande festa, foram convidadas várias personalidades e, entre elas,  o brasileiro Emerson Fittipaldi que foi o primeiro piloto a se tornar campeão pelo time. Além desse feito, a McLaren marca a história brasileira na Fórmula 1 e pode se orgulhar por ter sido a equipe onde Ayrton Senna conquistou seus três títulos mundiais. Tempos de glória da escuderia, naquela época, pintada de vermelho e branco devido ao patrocínio da Marlboro. Agora, como duas “flechas de prata”, a equipe voltou ao topo com o bicampeonato de Mika Hakkinen e disputou, com a Ferrari, as últimas três temporadas.

            Todos esperavam uma pole-position como parte das comemorações e o piloto mais cotado a esse feito era David Coulthard. O escocês tem melhorado sensivelmente durante a temporada e, inclusive, passou Mika Hakkinen na classificação do Mundial de Pilotos. Nos treinos livres, em Montreal, Coulthard mostrou ótimo conhecimento do traçado obtendo, quase sempre, o melhor tempo. Mika Hakkinen foi o primeiro a sair dos boxes, no treino de classificação, e conquistou a pole provisória. Porém, poucas voltas depois, David Coulthard a roubava do companheiro. Michael Schumacher também entrou na briga e, após algumas tentativas, assumiu a ponta. Até Rubens Barrichello (1m18.801s) aproveitou o momento e conquistou a segunda colocação. Porém Coulthard recuperou a pole com uma excelente volta (1m18.537s), a poucos minutos do fim do treino. Quanto todos já comemoravam no boxe da McLaren, Michael Schumacher arrebatou, definitivamente, o melhor tempo com a volta de 1m18.439s. Rubinho acabou caindo para o terceiro lugar. Outro destaque foi o ótimo desempenho de Ricardo Zonta (1m19.742s) que colocou sua BAR em oitavo no grid.

            No domingo ainda havia a expectativa da chamada “Maldição da Pole”, já que há onze provas em que o pole-position não vence e, em Mônaco, o próprio Schumacher havia sido vítima desta escrita. Porém, o alemão largou bem e manteve a ponta com segurança seguido por David Coulthard e Jacques Villeneuve, que pulou de sexto para terceiro. Rubinho largou mal e caiu para quarto. Em poucas voltas, Schumacher e Coulthard já abriam imensa vantagem sobre o fraco BAR de Villeneuve que segurava os outros pilotos. Quando todos esperavam um duelo entre Ferrari e McLaren pela primeira colocação, David Coulthard foi avisado pelos boxes de que havia sido punido com um stop-and-go de dez segundos, por ter sido empurrado pelos mecânicos no grid de largada.

            A corrida se manteve assim nas primeiras vinte voltas até que Barrichello resolveu arriscar e forçou a ultrapassagem, assumindo a segunda colocação. Com pista livre a sua frente, Rubinho abriu e passou a se aproximar de Schumacher. Quando o alemão fez seu pit-stop, o brasileiro assumiu a ponta. Como havia a ameaça de chuva, Rubinho procurou retardar ao máximo sua parada nos boxes. Infelizmente, acabou parando duas voltas antes do início da chuva o que o forçou a uma nova parada. Nesse novo pit-stop, apenas para colocar os pneus de chuva, Barrichello perdeu 20 segundos, já que os pneus de chuva disponíveis havia sido usados no carro de Schumacher segundos antes.

            Com a forte chuva as duas Ferrari começaram a se distanciar dos outros nas duas primeiras posições, Schumacher em primeiro e Barrichello em segundo. Mika Hakkinen praticamente desistiu da prova, pois não sabe correr em pista molhada. Um piloto beneficiado foi Jos Verstappen, da Arrows, que partiu para o “tudo ou nada” e conseguiu terminar a prova em quinto.

            Rubinho Barrichello conseguiu reduzir sua diferença para Schumacher, que chegou a 27 segundos devido ao atraso nos boxes, e conseguiu fechar a dobradinha da Ferrari em grande estilo: os dois receberam a bandeirada com diferença de 1 décimo de segundo.



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