GP DA ESPANHA (Barcelona)

 

McLaren ameaça a Ferrari

 A dobradinha consecutiva dos pilotos da equipe inglesa embola o campeonato

 
Mika Hakkinen, eufórico, saúda a torcida
após sua primeira vitória na temporada. (EFE)

Carlo Vinícius de Melo Almeida

             Durante a última semana de preparativos para o GP da Espanha, em Barcelona, alguns dirigentes da Ferrari disseram que existia na equipe um certo mal estar em relação às quebras e ao fraco rendimento do equipamento de Rubens Barrichello. Segundo Ross Brawn, estrategista da equipe, a Ferrari não estava feliz, mesmo com as vitórias de Michael Schumacher. O objetivo traçado para este ano era provar ao mundo que a equipe tem a melhor estrutura da Fórmula 1, independente de piloto. Porém, com o que se viu até agora, vem acontecendo exatamente o contrário: todos atribuem exclusivamente a Michael Schumacher a liderança do campeonato. Brawn disse ainda que a partir desse Grande Prêmio haveria uma maior atenção a Barrichello para que ele obtenha, de maneira constante, bons resultados e, se a ocasião for favorável, superar a performance de Schumacher.

            No treino de classificação para a formação do grid de largada, Michael Schumacher mostrou mais uma vez seu perfeito domínio sobre o Ferrari e conquistou com certa facilidade a pole-position, embora todos destacassem o bom rendimento da McLaren no circuito espanhol. Mika Hakkinen obteve a segunda colocação fechando a primeira fila. Rubinho foi o terceiro colocado e, completando a segunda fila, David Coulthard, já recuperado do acidente de avião que matou os pilotos da aeronave. Os brasileiros Pedro Paulo Diniz e Ricardo Zonta ficaram em 16º e 17º lugares, respectivamente.

            A Ferrari tinha uma boa expectativa na prova além da chuva que rondava o autódromo, já que a dupla Schumacher / Barrichello é especialista em pista molhada. Não choveu mais uma vez, porém, Michael Schumacher conseguiu largar bem e na dividida com Hakkinen, na primeira curva, manteve a ponta. Rubinho “patinou” e perdeu duas posições, caindo para quinto. Logo, os cinco primeiros eram: Michael Schumacher, Mika Hakkinen, mais à frente e, embolados atrás, David Coulthard, Ralf Schumacher e Rubens Barrichello. Uma das características do circuito catalão é que, por possuir muitas curvas de alta velocidade, o traçado dificulta as ultrapassagens. Portanto o pelotão dianteiro permaneceria inalterado até o início dos pit-stops.

            Michael Schumacher não conseguiu abrir vantagem sobre Hakkinen, como sempre faz sobre seus adversários antes de parar, e acabou errando ao adiar demasiadamente seu pit-stop. O Ferrari se tornou desequilibrado, permitindo total aproximação de Hakkinen. Quando não suportava mais segurar o carro na pista, Schumacher parou entregando a liderança ao seu rival. Desesperado com a perda da liderança e o erro de estratégia, o alemão saiu precipitadamente do pit, atropelando o mecânico responsável pelo abastecimento. Porém, Hakkinen parou na volta seguinte e, como fez um pit-stop mais longo, devolveu a liderança ao alemão. Barrichello foi favorecido com as paradas demoradas de David Coulthard e Ralf Schumacher, assumindo a terceira colocação. E assim ficariam os carros na monótona corrida espanhola. Sem ultrapassagens.

            Na segunda rodada de pit-stops Michael Schumacher acabou sendo penalizado por sua própria irresponsabilidade: ao atropelar o único mecânico da equipe treinado para o abastecimento ele perdeu 17 segundos nos boxes, porque o substituto do acidentado não soube encaixar corretamente a mangueira de combustível. Com isso Hakkinen assumiu a liderança com mais de 10 segundos de vantagem. Barrichello também foi prejudicado e caiu para quinto lugar. Com o carro extremamente instável após a segunda parada, Schumacher foi alvo fácil de David Coulthard que o ultrapassou por fora, em uma curva. Começava a se formar a segunda dobradinha das flecha de prata este ano. O alemão, em terceiro, não conseguia acompanhar os McLaren e seu irmão Ralf Schumacher (Williams) se aproximava seguido por Rubinho. Como tinha uma velocidade muito superior à do irmão mais velho, Ralf se preparou para ultrapassá-lo quando foi asperamente fechado. Michael jogou o Ferrari para cima de Ralf ameaçando jogá-lo para fora da pista. O caçula foi forçado a recuar embora estivesse muito mais veloz, enquanto isso, aproveitando o espaço aberto pelos irmãos, Barrichello fez uma dupla ultrapassagem assumindo a terceira colocação. Depois disso, Michael permitiu a ultrapassagem de Ralf.

            Com Michael Schumacher fora de combate a McLaren confirmou a segunda dobradnha do ano, agora com Mika Hakkinen em primeiro. Rubens Barrichello foi o representante da Ferrari no pódio, em terceiro, ajudado pela manobra de seu companheiro de equipe que, por mais incrível que possa parecer, segurou o próprio irmão para isso. Talvez esteja aí o início da estratégia de igualdade anunciada pelos dirigentes da Ferrari nesta semana.



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