GP DA INGLATERRA (Silverstone)

 

Coulthard quebra hegemonia

Rubinho larga na pole, mas abandona. David Coulthard vence a prova.

 
Hakkinen e Coulthard (vencedor da prova) se abraçam no pódio
comemorando a dobradinha da McLaren (Reuters)

Carlo Vinícius de Melo Almeida

             Após duas semanas de testes em Silverstone as equipes se preparam para a disputa do GP da Inglaterra, a quarta etapa da temporada 2000. Uma característica dessas duas semanas foram as constantes chuvas no local, devido ao clima de mudança de estação. Por isso, alguns pilotos criticaram a mudança de data da disputa do GP, normalmente disputado no mês de Junho, quando o clima é mais estável e seco na região. Muitas equipes se preparam no sentido de disputar a prova sob chuva forte.

            No treino de classificação no sábado, porém, o sol apareceu timidamente embora estivesse chovendo minutos antes de seu início. Os primeiros carros saíram com a pista ainda bem úmida, mas logo foram criando uma trilha emborrachada. Havia uma certa apreensão no ar e agitação nos boxes, pois os pilotos não podiam demorar a marcar tempo. Nos primeiros 30 minutos a maioria dos pilotos saiu dos boxes. Quando uma leve chuva começou a cair, todos se recolheram em busca de mais alguns ajustes nos carros. Nos últimos 10 minutos, novamente com sol, os carros saíram para o “tudo-ou-nada”. No duelo das grandes equipes, Rubens Barrichello conquistou a primeira pole-position da temporada para a Ferrari, quebrando a seqüência de Hakkinen, numa excepcional volta de 1m25.703s. Heinz-Harald Frentzen ficou com o segundo tempo apenas três milésimos de segundo mais lento (1m25.706s). Mika Hakkinen (1m25.741s) e David Coulthard (1m26.088s) fizeram a segunda fila. Michael Schumacher conseguiu apenas o quinto melhor tempo (1m26.161s). Barrichello eufórico prometeu, mais uma vez, uma possível vitória.

            No domingo as nuvens se afastaram do autódromo e a sensação era de que o GP fosse disputado em pista seca. No momento da largada o sol jogava por terra qualquer possibilidade de chuva que, segundo a previsão meteorológica, poderia vir no terço final da prova. Barrichello largou bem e manteve a ponta seguido de perto por Frentzen. Um pouco mais atrás, Schumacher chegou a tocar Hakkinen na disputa da primeira curva e o alemão acabou caindo para o oitavo lugar. Coulthard e Hakkinen forçavam o ritmo para não perder contato com o Jordan de Frentzen. O alemão pressionava Rubinho que demonstrava estar com um carro mais pesado (com mais combustível), planejando apenas um pit-stop. Mesmo com as distâncias praticamente nulas no primeiro pelotão, as posições permaneceram inalteradas na primeira metade da prova.

             Quando começaram os pit-stops todas as equipes foram parando, praticamente juntas. A única que não esboçava nenhum preparo era a Ferrari. Com isso, Michael Schumacher foi ganhando posições e Rubinho tentava ganhar vantagem embora o carro não correspondesse. Logo o brasileiro começou a ser assediado fortemente pelo McLaren de Coulthard. Hakkinen vinha logo atrás. O brasileiro passou a guiar na defensiva, alterando seu traçado. Porém, na 29ª volta, Coulthard assumiu a liderança na saída de uma curva. O escocês, logo que ultrapassou, começou a abrir vantagem e estabeleceu o melhor tempo da prova. Na volta seguinte, a frustração voltou a atropelar a esperança: Rubinho rodou com o Ferrari na entrada de uma curva, lutou para manter o carro na pista e o arrastou até os boxes onde o motor “apagou” definitivamente. Para a torcida brasileira restou ver um desnorteado Rubinho esmurrando o painel do carro enquanto era empurrado para a garagem. Mais uma decepção. A terceira em quatro provas!

            Com a pista livre para os McLaren eles abriram boa vantagem sobre Schumacher, que já estava em terceiro mesmo com o péssimo desempenho do carro. Mika Hakkinen estava em segundo e precisava da vitória, porém, estava a cerca de dez segundos de seu companheiro. Nas últimas cinco voltas, o finlandês parecia ter forçado o ritmo pois diminuiu rapidamente a diferença. Pensava-se até numa possível ordem de Ron Dennis para Coulthard “tirar o pé”, mas esta hipótese foi descartada quando a equipe mostrou a placa de avisos para seu piloto com a frase: “Easy, Hakkinen!” (Calma, Hakkinen!). Como a distância era muito grande, Coulthard confirmou a vitória seguido por Hakkinen, fazendo a primeira “dobradinha” da McLaren nesta temporada. Além disso, Coulthard quebrou a hegemonia de Michael Schumacher, que completou o pódio em terceiro. Ricardo Zonta abandonou e Diniz chegou em décimo-primeiro lugar.

            Segundo a Ferrari, Rubinho perdeu o controle do carro e acabou sendo forçado a abandonar por uma pane no sistema hidráulico, exatamente como ocorreu no Brasil. Rubens Barrichello passa por uma fase muito delicada de sua carreira. Ele deveria prometer menos e procurar se concentrar no que está fazendo dentro da pista sem absorver as pressões. Ele desabafou dizendo, desta vez, que “o Ferrari só quebra comigo. O que é estranho já que uma equipe com tanto dinheiro e estrutura deveria estar acima desses problemas”. Então, já que o Ferrari de Barrichello não é tão consistente como o de Schumacher... Trabalhe Rubinho, fale menos e trabalhe.  



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