GP DE SAN MARINO (Ímola)

 

Schumacher vence o terceiro round

 Alemão dispara no Mundial de Pilotos vencendo a terceira prova consecutiva

 
Schumacher, no pódio, beija o troféu pela vitória
conquistada na terra da Ferrari. (Foto: AFP)

Carlo Vinícius de Melo Almeida

             A temporada deste ano não poderia estar melhor para a torcida italiana. Após vencer as duas primeiras corridas do ano, a Ferrari iria se apresentar em Ímola, um circuito mais conhecido como “quintal da Ferrari”. Com um favoritismo cada vez maior, principalmente porque a McLaren não conseguiu sequer completar um grande prêmio (David Coulthard completou a prova no Brasil, mas foi desclassificado por irregularidades no carro), os fanáticos torcedores lotaram as arquibancadas desde os primeiros treinos.

            No treino de classificação, sábado, o sentimento na McLaren era de recuperar, a qualquer custo, o prejuízo das derrotas. Logo nas primeiras voltas, Mika Hakkinen estabeleceu o melhor tempo (1m24.830s) assumindo a pole-position. David Coulthard também rendeu bem e conquistou o segundo tempo. Schumacher entrou na pista, marcou o terceiro tempo, mas logo voltou aos boxes para mais alguns acertos. Quando saiu novamente, nos últimos minutos de treino, forçou sua Ferrari ao máximo e tomou, “no braço”, a pole-position do finlandês, fazendo 1m24.805s. A torcida vibrava nas arquibancadas como num jogo de futebol. Porém, Hakkinen, avisado pelo rádio de que havia perdido a primeira colocação, foi para o “tudo-ou-nada” em sua última volta, já no último minuto, fazendo 1m24.714s. O finlandês confirmou sua terceira pole em três corridas nessa temporada. Rubens Barrichello sem conseguir um bom rendimento de sua Ferrari ficou com a quarta colocação, Pedro Paulo Diniz (Sauber) em 10º e Ricardo Zonta (BAR) em 14º.

            Todos esperavam uma atitude mais agressiva de Schumacher na prova, logo na largada, já que a vantagem de 20 pontos obrigava Hakkinen a ser mais conservador. Foi o que o alemão tentou: saltou para o lado de Hakkinen, porém, como “patinou” um pouco na largada, manteve-se em segundo. Rubinho, largando bem, assumiu a terceira colocação ao passar Coulthard.

            Logo nas primeiras voltas era evidente o ritmo forte imposto por Schumacher para não perder contato com o McLaren líder. Hakkinen respondia e os dois se alternavam nas voltas mais rápidas. Barrichello não conseguia acompanhar os líderes e sofria com a pressão intensa de Coulthard que parecia estar guiando um carro muito mais rápido. O escocês chegou, por muitas voltas, a fazer tempos melhores que o brasileiro que, ainda assim, usava um traçado defensivo e mantinha a terceira colocação.

            Na primeira rodada de pit-stops, as primeiras posições se mantiveram pois, Hakkinen e Schumacher pararam juntos e voltaram nas mesmas colocações. Coulthard parou antes de Barrichello, mas como seu pit-stop foi mais demorado, o brasileiro pôde parar e ainda voltar na frente.

            Outra disputa interessante foi a “briga caseira” entre os brasileiros Ricardo Zonta (BAR) e Pedro Paulo Diniz (Sauber). Os dois passaram a maior parte da prova colados um provocando o erro do outro nas freadas e saídas de curvas. Quando os dois se distanciaram, nos pit-stops, Diniz acabou se dando melhor, conquistando o oitavo lugar. Zonta chegou em décimo-terceiro.

            A corrida se definiu após a segunda parada nos boxes. Desta vez, Barrichello e Coulthard pararam juntos, porém, a McLaren foi mais rápida e o escocês assumiu a terceira colocação do brasileiro abrindo ampla vantagem. Já para Schumacher não poderia ter sido melhor: Hakkinen parou primeiro e o alemão aproveitou para ganhar tempo na pista. Quando foi sua vez de ir aos boxes, a Ferrari fez um excelente pit-stop e ele conseguiu voltar à pista em primeiro lugar. Daí em diante foi só administrar a liderança. Embora Hakkinen tenha se aproximado bastante, estabelecendo até a volta mais rápida, não foi o suficiente para alcançar o alemão.

            Michael Schumacher recebeu a bandeirada final, invicto, conquistando a terceira vitória em três provas realizadas esse ano. Mika Hakkinen, nem um pouco satisfeito (a briga com Schummy já está em 30 x 6 para o alemão), e David Coulthard completaram o pódio. Rubinho chegou em quarto e o seu péssimo desempenho na prova, talvez motivado pelo fraco rendimento do carro, proporcionou uma cena curiosa: Quando seu companheiro de equipe, Schumacher, cruzou a linha de chegada, Barrichello estava poucos metros à sua frente, como retardatário.



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