
GP
DA AUSTRÁLIA
Segundo
lugar foi pouco
Tirando o nervosismo da estréia, Rubinho faz a melhor volta e dá show em Melbourne.

Rubinho comemora o segundo lugar
aplaudido pelo vencedor Schumacher (Foto: AFP)
Carlo
Vinícius de Melo Ameida
A temporada 2000 de Fórmula 1 não poderia ter começado melhor para os
brasileiros. Todos já depositavam grande expectativa na boa campanha de Rubens
Barrichello, agora companheiro de Michael Schumacher na Ferrari. Este será um
ano decisivo na carreira de Barrichello na categoria: pilotando o primeiro carro
competitivo desde que chegou à Fórmula 1 o piloto tem abertas as chances de
mostrar seu real desempenho. Não podemos esperar por títulos, até porque a
Ferrari não deixaria o Número Um Schumacher perder um título para um
estreante, mas os pódios provavelmente passarão a ser rotina na temporada do
brasileiro. O próprio Rubinho traçou sua meta para este ano: “Quero ser o
companheiro de equipe mais rápido que Schumacher já teve!”, afirmou.
No primeiro treino oficial de classificação
deste ano não houve novidades. A McLaren, que sempre faz suspense no início do
ano, manteve seu favoritismo e disputou entre seus dois pilotos a pole-position.
Acabou ficando com Mika Hakkinen com o tempo de 1m30.556s. David Coulthard foi o
segundo mais rápido. A terceira colocação ficou com o alemão Michael
Schumacher (1m31.075s) e Rubens Barrichello (1m31.102s) foi o quarto colocado
bem perto do tempo do alemão. Ricardo Zonta (BAR) se classificou em 16º e
Pedro Paulo Diniz em 19º.
Com o nervosismo natural da primeira largada
pela Ferrari, Rubinho deu uma escorregada e perdeu a quarta colocação para
Heinz-Harald Frentzen, da Jordan. Enquanto isso Hakkinen, Coulthard e Schumacher
abriam vantagem em relação aos outros pilotos. Barrichello tinha dificuldades
de ultrapassar Frentzen, mesmo com um carro bem mais rápido, devido ao traçado
do circuito. Michael Schumacher chegou a abrir 20 segundos de vantagem e passou
a apertar o ritmo contra a dupla da McLaren. Quando se aproximava de Coulthard,
o carro do escocês teve problemas que forçaram o piloto a leva-lo aos boxes
para abandonar em seguida. O alemão estava agora em segundo com o caminho livre
até Mika Hakkinen. O finlandês sentia a aproximação do Ferrari e apertava o
ritmo, porém era de seu rival as voltas mais rápidas da prova. Por fim, de
tanto forçar o ritmo, o motor Mercedes não resistiu e quebrou, causando o
abandono do finlandês. As duas McLaren estavam fora da prova e Schumacher era o
líder. A partir daí, a festa foi tomando a coloração vermelha.
Após a primeira rodada de pit-stops,
Barrichello conseguiu se livrar da incômoda presença de Frentzen à sua frente
e, como segundo colocado, resolveu apertar o ritmo para alcançar o líder
Schumacher que estava a 22 segundos de distância. Surpreendentemente, Rubinho
fazia voltas cada vez mais rápidas, na casa dos 1m32s enquanto Schumacher não
conseguia superar 1m34s. A diferença entre os dois caiu assustadoramente e, em
cinco voltas, já era de 4 segundos. Barrichello chegou a conquistar a melhor
volta da prova, fazendo 1m31.481s. Quando a diferença era de menos de meio
segundo, os dois carros entraram na reta dos boxes e Schumacher permitiu que
Barrichello assumisse a liderança da prova. Porém, duas voltas depois, Rubinho
era chamado aos boxes para o segundo pit-stop, já traçado em sua estratégia
de corrida.
Com a parada de Barrichello, Schumacher
reassumiu tranqüilamente a liderança e conduziu a primeira “dobradinha
vermelha” do ano. Festa da Ferrari no autódromo (com a já tradicional invasão
de pista dos “tifosi”) que tinha, no pódio, Michael Schumacher, Rubens
Barrichello e Ralf Schumacher (Williams).
Uma excelente estréia de Rubens Barrichello e de toda a equipe Ferrari nesta temporada 2000, mostrando que seu conjunto carro / motor não ficou atrás do conjunto apresentado pela McLaren (que nem completou a prova). E Rubinho cumpriu a promessa de ser o mais rápido companheiro do alemão: tomou dele a melhor volta da prova sem fazer grande esforço para isso.
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