Ao contrário,
nos Estados Unidos e Europa essas associações e fundações tem
um trabalho extremamente sofisticado e reconhecido pela comunidade
e pelos criadores que doam filhotes para essa função. E vão além:
algumas montaram seus próprios canis com o objetivo de garantir
que haja sempre a renovação e incorporação de novos cães que
cumpram essa função.
As
raças
A escolha
das raças caninas a serem utilizadas para a função de cão guia
é bastante diferente dependendo do país. Mas de maneira geral as
mais utilizadas são: Pastor Alemão, Golden Retriever e Retriever
do Labrador, mas isso não quer dizer que apenas estas ração
tenham aptidão para serem treindadas. Na Nova Zelândia, por
exemplo, até mesmo os simpáticos vira-latas podem ser treinados
para ser um cão-guia.
As principais
qualidades que devem ser procuradas nos cães são temperamento dócil
e equilibrado, facilidade de adaptação a novas situações,
tamanho, tipo de pelagem, inteligência e facilidade em aprender,
uma vez que o cão terá que passar por um longo período de
treinamento que o capacitará a desempenhar uma série de funções
fundamentais para o bem estar do seu dono.
O Treinamento
Após o
nascimento, o candidato a cão-guia é observado até a 8ª semana
de vida para verificação da saúde, temperamento e espírito de
liderança. Se for aprovado, passa por um período de socialização
e convivência com humanos que dura aproximadamente 1 ano, durante
o qual será cuidado por uma família voluntária.
Enquanto estiver
sob os cuidados desta família ‘tempória’, o cão deverá ser
exposto ao maior número de informações e experiências possíveis,
saindo para passear todos os dias, a pé ou de carro, para
diferentes lugares, tranqüilos e movimentados, tendo bastante
contato com muitas pessoas, entrando em lojas e restaurantes,
fazendo viagens com a família, participando de todos os
acontecimentos familiares e logicamente entrando em casa.
É também
durante esta fase que é feito o adestramento básico de obediência
de forma caseira, mas também orientada pelo instrutor, onde o cão
aprende o "senta", o "deita", o
"fica", parar para descer ou subir escadas, parar para
atravessar a rua, andar do lado esquerdo e um pouco à frente,
saber se comportar educadamente e tranqüilamente em todos os
lugares por onde andar, como também nos taxis, ônibus, metrôs,
...
Somente depois
ele voltará para a escola onde será treinado para o trabalho por
aproximadamente 7 meses. Os cães que não se qualificarem como
"guias" serão utilizados como cães de companhia para
pessoas com dificuldade de locomoção, farejadores ou outras
atividades.
Neste período de
treinamento, os adestradores, com formação técnica específica
para esse fim, proporcionam aos cães o contato com diversos
ambientes e novas situações de uma forma gradual.
Treinamento
específico
Quando o cão
atinge a idade de 1, ele deve começar o treinamento específico
para a função de cão-guia. Por mais ou menos 3 meses, vai ser
trabalhado pelo adestrador, verificando o aprendizado que recebeu
enquanto vivia com a família voluntária, fazendo-se as devidas
correções e aperfeiçoando o adestramento básico de obediência.
O adestrador
reforçará e aperfeiçoará a condução do cão em linha reta e
posicionado à sua esquerda, fazer o fica a qualquer momento,
parar (e sentar) para atravessar ruas, estar desviando de obstáculos
elementares, ou seja, buracos no chão, poças d'águas, latões,
sacos de lixo, ... e estar aproveitando toda e qualquer situação
que surja, durante os treinos. Assim que o cão se adaptou ao seu
adestrador, podemos introduzir o peitoral específico de guia,
para irmos completando o equipamento de uso.
Ao término
destes 3 meses iniciais, e dependendo da performance do cão, é
iniciado a adaptação do cão ao uso do peitoral específico de
guia. Nesta fase ele dever ir se acostumando ao novo material e
também deve ter mais atenção e concentração do cão, fazendo
os exercícios num percurso mais complicado, diversificando mais
situações e reforçando sempre sua atenção aos obstáculos,
fazendo com que desvie sem esbarrar e mostrando ao cão que deve
haver espaço para os 2 poderem passar.
Após o período
de educação específica, o cão estará pronto para o contato
com o seu futuro dono, situação esta que será personalizada,
isto é, respeitará as características do cego e do seu ambiente
procurando atribuir a cada um o cão mais adequado.
O mais
importante, durante todo esse processo é a boa condução do cão,
levando-se em conta o temperamento do cão, e não exigindo dele
mais do que de fato esteja preparado a fazer. Até mesmo as
repreensões devem que ser equilibradas, pois não podemos ter um
cão medroso e sem iniciativa.
Quando o trabalho
do adestrador com o cão estiver pronto, é chegada a hora de
promover a integração do cão com o cego. Esse processo pode
durar cerca de 3 semanas, durante o qual o usuário vai receber
todas as orientações necessárias de como cuidar e manter este cão
e, principalmente, como usá-lo como seu guia.
Os cães guia
(tanto machos quanto fêmeas) são entregues aos seus usuários já
castrados. Esta medida tem como o objetivo evitar os problemas
decorrentes da maturidade sexual dos cães, que ocorre normalmente
entre os 12 e os 18 meses.
Cuidados
especiais
Os cães
guias de cego não devem ser tocados por pessoas estranhas
durante o seu ‘horário de trabalho’;
- Não distraia
ou tente brincar com ele enquanto ele estiver trabalhando. O
seu dia-a-dia é bastante estressante e deve ser respeitado
