PUNK - Anarquia Planetária e a Cena Brasileira (Silvio Essinger)



PUNK - Anarquia Planetária e a Cena Brasileira

Um livro que conta a história do punk. No final de 99. Hmmm... tá bom, legal, mas... poderia me dar licença... o próximo, por favor! Espera um pouco, mas não é só a história do punk, mas é história do punk brasileiro! Opa, interessante! Por favor, alguém arruma uma cadeira pro rapaz aqui!

É isso. Punk - Anarquia Planetária e a Cena Brasileira é isso. Um livro que resgata a história do punk, principalmente das bandas punk nacionais, desde as primeiras até as atuais. O livro, até a página 80, dá uma geral na cena punk inglesa e americana como um todo, enfocando principalmente a cena inglesa, dedicando um capítulo inteiro para contar a história dos Sex Pistols. Até aí nada de mais. Eu mesmo já estou cansado de ouvir histórias dessa época.

O interessante vem mesmo depois da página 80, quando o escritor dedica um capítulo inteiro para identificar as origens do punk brasileiro, onde aborda os rebeldes da jovem guarda, e cita artistas como Jards Macalé, Mutantes, as bandas de garagem pós-jovem guarda e outros artistas que, segundo o Silvio, são muito mais influências conceituais do que sonoras.

A partir do capítulo 5 temos a história do punk nacional propriamente dita. Tem um verso do Clemente dos Inocentes digno de nota: "Nós estamos aqui para revolucionar a MPB. Para pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar nas flores do Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer." Lindo. O livro é cheio de curiosidades. Sabia que o 1o show punk foi na garagem da casa do Kid Vinil? Pois é, para quem gosta de ler sobre música, o livro é um prato cheio, pois destrincha a história de diversas bandas do punk brasileiro, dividindo-as em cenas espalhadas pelo país, passando por São Paulo dos já citados Inocentes, Cólera e muitas outras, o Rio de Janeiro do Coquetel Motolov, Brasília do Plebe Rude, Salvador do Camisa de Vênus e Rio Grande do Sul dos Replicantes. Claro, o livro vai muita mais a fundo que isso (às vezes nem tão fundo, mas isso eu falo depois). Ainda temos um enfoque legal da cena punk nacional da metade dos anos 80, tida como 2o fase, de Garotos Podres e Ratos de Porão, finalizando com um geral sobre o punk (brasileiro e mundial) dos anos 90.

No mais, a crítica que faço é que o livro conta a história dos fanzines (bem por cima, mas conta), cita alguns nomes de fanzines nacionais (que na época tinha vários!), mas na hora que fui dar um olhada na bibliografia, cadê os fanzines? Ora, como consulta o Silvio preferiu usar a Bizz da época e alguns livros sobre o assunto. Se ele não usou nenhum fanzine como base bibliográfica para um livro que se propõe a contar a história do punk, aí a coisa fica feia. Por isso ficamos com a impressão de que a o livro não se aprofundou como deveria no assunto.

"Punk..." tece comentários bem elaborados sobre o primeiro disco da Legião Urbana mas se esquece de falar das cassetes (estas sim, verdadeiros artefatos punk) da época, que pelo que deu a entender, eram VÁRIAS (vide as bandas citadas uma vez ou outra no livro, que tocavam nos becos da cidade, mas infelizmente não puderam gravar LPs). Garanto que os fanzines da época abriam espaço para as cassetes. Imagina quantas bandas até melhores que a nata do punk nacional não estão esquecidas em cassetes empoeiradas na casa de alguém? Precisamos de um livro e - melhor ainda - uma gravadora que resgate esse tipo de coisa. O punk dos fanzines e das cassetes, este sim o verdadeiro punk.

No mais, a proposta do livro é boa. Valeu a iniciativa. Aqui no Brasil a literatura musical é muito pobre, tanto em termos de livros que abordam a história da música nacional quanto a simples traduções de livros gringos. Portanto é um crime deixar passar uma oportunidade de ler um livro como esse, que pode ser adquirido nas livrarias virtuais facilmente com 18% de desconto (uma pechincha!).


Gilberto Custódio Jr.


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