Num novo projeto patrocinado pelo Sesc (Reticências) e produzido pelo duo eletrônico Tetine, São Paulo teve a oportunidade de conferir nos dias 10, 11 e 12 de dezembro, uma personalidade bastante cultuada e integrante da história do rock, trazendo com ela, toda uma aura por trás, que já instigava muito a conferir este show, nem que seja por curiosidade musical e cultural: Mrs Marianne Faithfull
Que Marianne não lembra nada mais aquela mocinha, loirinha de cabelos compridos que tocava um rock dançante e ingênuo nos anos 60, todo mundo já sabia. Só faltava conferir no palco, o que essa senhora roqueira que já passou por problemas pesados com álcool, heroína e problemas pessoais, podia mostrar a um público interessado que encheu o Sesc Pompéia nesses 3 dias.
A banda introduz um rock pesado e a porta que leva o palco até o camarim se abre, e entra uma senhora muito segura de si e brada com sua voz grave, rouca, parecendo sentir e se emocionar com cada estrofe que canta: "Could have come trough anytime, could lonely and puritan.... What are you fighting for? It's not my security..."(Broken English de 79, começa aí uma nova fase para Marianne, que se estende até hoje).
Pronto, o público já estava na mão dessa cinqüentona amável e de sensualidade decadente, com um cigarro na boca, acentuando sua imagem junkie decadentista. Entre os diversos vips e famosos presentes na platéia, até Zélia Duncan, na noite de estréia, comentava: "Maravilhosa!!" Todo mundo sabia ou percebia, pela sua performance e suas músicas, o que Marianne viveu e representou na cena do rock mundial, e ela estava ali, bem pertinho e intimista pela disposição do palco do Sesc e, melhor, com todo o aparato e uma banda da melhor qualidade que, inclusive, a acompanhou no último festival de Montreux.
Segunda música, Marianne conta de seu novo cd e nova música autobiográfica chamado "Vagabond Ways", e começa a desfilar ali toda sua vida. Continua a sessão de música de conteúdo forte, ao mesmo tempo melodiosas que prendiam a atenção, inclusive, de quem a mal conhecia. "I drink and take drugs, I love sex and move around a lot, I had my first baby ate fourteen. And yes, I guess I do have vagabond ways..... Oh doctor, please Oh, doctor, please I think you've made a mistake. I'm fine and don't need people... Please, don't lock me up, let me stay free. (Vagabond Ways). Nessa parte Marianne, surpreendentemente tira seu blazer, sustentando apenas um corpetizinho, mostrando seus abundantes seios ao maior estilo "Vagabound".
Nessa mesma linha Mrs Faithfull foi desfilando seu ultimo cd homônimo que, infelizmente, não foi lançado no Brasil, "File it under fun from the past", "Electra", "Incarceration of a Flower Child". Esta última, um presente inédito do "amigo" Roger Walters do Pink Floyd, como ela mesma explicou. Marianne não se priva de se jogar ao chão, interpretando toda emoção carregada na letra.
Outros pontos altos do show: "Guilty" do mesmo trabalho de 1979 e a valsinha deliciosa de "Falling to Grace" de 1983, e o acústico de: "All the Best" música que, como ela explicou, cantava para conseguir terminar de escrever sua dolorosa e difícil autobiografia também lançada a pouco tempo atrás e não lançada por aqui. Nos dois primeiros shows ela cantou "Come And Stay With Me", seu primeiro grande hit em 64. E na ultima apresentação em SP, ela interrompeu o show por um zunido no som antes de iniciar "Guilty", mas logo explicou brincando e sorridente: "Desculpem-me, é que sou muito sensível". Aliás, fato comum nesses três dias de shows no Brasil, ela parecia se divertir muito tocando aqui e o público vice-versa.
Ovacionada pelo público, ainda volta para um bis de três músicas, a primeira é "As Tears Go By" hit do Rolling Stones feita para a própria. Emocionante, mesmo numa versão mais rápida como se ela quizesse "vamos acabar logo com essa música porque eu não aguento mais cantá-la". Ela afirmou dias antes do show que não suporta mais falar sobre seu relacionamento com Jagger e sobre seu envolvimento com bebidas e drogas. Dia seguinte do último show já saia na imprensa: fora um dos melhores de 1999.
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