Comespace no Alternative Bar - 27/11/99

Lembro-me muito bem do primeiro show que vi do Comespace, h� uns bons tempos atr�s na Torre do Dr. Zero. Apesar de ter gostado, a coisa parecia mais um punhado de gente tocando qualquer coisa e eventualmente saiam algumas melodias e climas interessantes. Sinceramente, pelo jeito que a coisa estava indo (considerando que a pr�pria forma��o da banda estava em xeque), achei que a banda acabaria por a� mesmo.

ComespaceFiquei sabendo, muito recentemente, que eles estavam ainda na ativa e que at� haviam gravado para o Lado B, na MTV. E, surpresa, show rolaria no Alternative. Considerando que h� pouqu�ssimas bandas atualmente buscando algo fora do circuito Bar�o Vermelho/covers/garage punk hardcore mel�dico, s�o oportunidades �nicas que devem ser aproveitadas. E o Alternative tem ac�stica melhor que o do Credicard Hall.

A banda come�a com uma faixa na linha que eles adotavam na �poca que os conheci: space largamente baseado em Flying Saucer Attack, com notas repetitivas em drones gigantescos que ganham em intensidade durante sua execu��o. Muito bacana, mas ser� que ter�amos o Comespace como mais uma banda irrelevante, isto �, derivativa de uma s� influ�ncia, uma esp�cie de Jota Quest do space rock? Felizmente n�o. Foi a partir da segunda m�sica que a banda mostrou como ela evoluiu nos �ltimos meses. Um clima mais nervoso, com grande punch, ainda space mas com mais barulho, menos repeti��o e buscando algo diferente do simples drone.

E nestas surpresas o show foi caminhando. Comespace agora tornou-se uma banda focada, preparada e buscando um caminho pr�prio. Se perdeu o lado shamb�lico, tosco anterior, ganhou muito mais em personalidade e qualidade. � ineg�vel que passaram a pegar outras influ�ncias (Mogwai vem � cabe�a, muito mais pelo clima do que pelo estilo - Mogwai n�o se utiliza do space rock na medida que o Comespace usa) e, possivelmente at� pela melhor familiariza��o com os instrumentos (vulgo: aprenderam a tocar), est�o mais pr�ximos do rock do que antes. A �ltima do show soou muito com Joy Division pela levada de baixo bem pulsante.

Apesar disto tudo, ainda h� alguns problemas: a necessidade de se colocar nomes em ingl�s em m�sicas instrumentais � uma tremenda bobagem. Se a banda quer gravar em ingl�s, problema dela, mas � um exagero fazer m�sica instrumental com tudo em ingl�s. E, por fim, a banda precisa tamb�m aproveitar esta evolu��o para buscar novas sonoridades e n�o se restringir ao formato guitarra-baixo-bateria. Afinal, o espa�o � o limite para o Comespace.

Escreva para a Comespace: [email protected]


Ricardo Gomes do Amaral Filho


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