Um vilarejo de uma cidade do interior. O silêncio anuncia uma alvorada tardia. A cidade ainda dorme. Vemos as casas coloridas ainda fechadas. Murilo, um menino de 16 anos, caminha descalço pela rua de paralelepípedos até sentar-se na escadaria em frente à loja de sapatos com seu violino em mãos. Faceiro, ele começa a tocar uma canção divertida para a cidade começar a funcionar.
Ao som de Murilo, o vilarejo vai acordando. Uma mulher abre a janela. Pessoas abrem suas portas e vão aparecendo na rua. As casas coloridas parecem combinar com o figurino de seus donos, que usam os mesmos tons. Crianças brincam na pracinha. Uma mulher arruma uma mesa na calçada, em frente ao seu Café. Um cachorro que está ao lado rouba o pão da mesa de café. Pessoas passam umas pelas outras e se cumprimentam. Vemos o entregador de jornais de bicicleta jogar um jornal em frente à vitrine da loja de sapatos. O vendedor da loja aparece e pega o jornal. Vemos apenas seus sapatos velhos e gastos.
A música continua. Vemos o interior de uma loja de sapatos. Ela é rústica e aconchegante, como uma oficina de sapatos aberta ao público. Feita de tijolos e madeira, destaca-se por sua vitrine decorada e pares de sapatos artesanais magníficos dispersos pelos armários e por outros elementos da loja. Mãos do vendedor arrumam os pares de sapato da loja, com delicadeza. Ele ajusta os suspensórios em frente ao espelho e vai até a vitrine. Vira uma plaquinha pintada à mão que está escrito fechado, para o lado que está escrito aberto. Música de Murilo acaba. Ele senta-se em um banco atrás do balcão que fica de frente para a vitrine e passa a assistir o mundo através do vidro. Aparenta 30 anos.
Uma jovem de 18 anos aparece na vitrine. O vendedor a reconhece e sorri. Ela entra pela porta e, encantada, admira a loja.
Vendedor
Posso ajudar?
Eu queria experimentar aqueles ali da vitrine. Aqueles amarelos!
Vendedor
Claro! Pode sentar.
Jovem
(enquanto se senta)
Você pode pegar para mim o número...
Shhh!
Ele se ajoelha, tira os sapatos da jovem e sente seus pés delicadamente.
35!
(sorrindo)
Isso. Mas... Como...?
Sem responder, ele vai até o balcão e sai com um outro par de sapatos e não aqueles da vitrine.
Esqueça os da vitrine. Estes são os sapatos certos para você!
A jovem enche os olhos.
(encantada)
São lindos. Posso sair com eles?
Vendedor
Claro.
Corta para a cena da jovem na
porta, saindo e agradecendo. Ele acena para ela. Vira-se e vê que ela esqueceu
seus antigos sapatos no chão. Muito calmamente, ele pega o par e olha terno em
direção à vitrine. Teria tempo de chamá-la para devolver o par esquecido. Mas
fica apenas olhando para a rua através do vidro, com os sapatos na mão vendo a
jovem partir. Entra Loc. Off.
SEQUENCIA 5. INT/DIA – Loja de Sapatos
Seqüência de cenas que acompanham a Loc. Off. Em alguns momentos, o vendedor dirige-se para a câmera, como se falasse com o espectador.
(Loc. Off)
Mais um par esquecido... Até parece uma rotina. Primeiro eles chegam e param diante da vitrine.
Cena de uma mulher com seu filho de 5 anos passam diante da vitrine para ver os sapatos. Um jovem chega de patinete e pára diante da vitrine.
(Loc. Off)
Passeiam seus olhos pelos sapatos e começo a conhecê-los a partir de então.
A mulher passeia os olhos pelos sapatos. Vemos os sapatos da vitrine. Uma senhora idosa está parada atrás da vitrine, admirando os sapatos de perto, pois enxerga mal. Cena dele pensando, olhando para os sapatos da loja, enquanto repara nas pessoas de fora.
(Loc. Off)
Um pequeno gesto, um olhar...
A senhora idosa mexe nos óculos. O rosto do filho encosta-se ao vidro de modo a embaçá-lo.
(dirigindo-se à câmera)
Presto atenção em tudo.
O Jovem estala os dedos. Olhando o jovem, o vendedor pega um sapato social e fica na dúvida.
(Loc. Off)
E logo já sinto sua textura
A mulher passa a mão no seu rosto. O vendedor acaricia um sapato de couro de bico fino e acena positivamente com a cabeça.
(dirigindo-se à câmera)
Já sei a cor
Cena de um mesmo tipo de sapato em diferentes cores. O vendedor pega uma cor e olha para a senhora idosa.
(Loc. Off)
E a sola ideal.
O filho arrasta a mãe para ir embora. O vendedor assiste à cena e desliza os sapatos sobre o balcão. O Jovem sobe em seu patinete. O vendedor testa a fricção dos sapatos destinados ao jovem no balcão.
(dirigindo-se à câmera,
mostrando o par de sapatos do jovem)
Pronto... O par perfeito.
(Loc. Off)
Então eles se vão... Nunca entram de primeira.
A senhora continua a caminhar vagarosamente e acena.
(cochichando
para o espectador, ele aponta para a porta)
Mas eles sempre voltam.
A mulher e seu filho de 5 anos entram pela porta da loja.
(Loc. Off)
Alguns acertam, outros se enganam.
A senhora idosa aponta um sapato alto e o vendedor nega, mostrando a ela uma sapatilha.
Série de 3 cenas diferentes, com o vendedor dirigindo-se para cada um deles.
(dirigindo-se
para a mãe)
35!
(dirigindo-se
para o jovem)
39!
(cochichando
para a idosa)
36!
(Loc. Off)
Mas ao calçá-los tudo se transforma.
Close do pé do jovem sendo encaixado perfeitamente em um sapato. A mulher sorrindo com seu sapato, posando e olhando para os pés.
(Loc. Off)
E partem satisfeitos nem notando o que ficou para trás... A história é sempre a mesma...
Jovem sai da loja, deixando seus pares velhos para trás também. Vendedor pega o sapato do jovem.
Neste momento, aparece na vitrine
Helena, uma mulher encantadora, aparentando 25 anos. Ela olha a vitrine. O
vendedor fica atônito. Seqüência de cenas de Helena na vitrine que acompanham a
Loc. Off
(Loc. Off)
Já, Helena... Helena é uma história à parte... Tão bela... Sempre passa por aqui... É uma pena que nunca tenha entrado...
Pela vitrine, vemos Helena olhando curiosa para os sapatos. Ela nem percebe que o vendedor a observa. A câmera passeia pelo seu corpo até revelar seu rosto. O vendedor continua observando. Vemos Helena se arrumando pelo reflexo da vitrine. Parece olhar em direção ao vendedor. O vendedor olha fixo para ela, sorrindo. Helena continua na vitrine, olhando os sapatos. Ao lado do balcão, vemos uma prateleira onde estão posicionados lindos pares de sapatos, todos iguais, mas de diferentes tamanhos que seriam destinados a Helena. Do lado, um desenho de um sapato com seu nome e interrogações para o número do sapato. O vendedor vai à prateleira e fica na dúvida. Pega um sapato, depois pega outro de numeração menor. Vira-se para a vitrine para tentar ver os pés de Helena. Como subjetiva do vendedor, a câmera desce pelo corpo de Helena, até que corta seus pés, uma vez que ele não consegue vê-los pela vitrine. Ele volta aos sapatos, confuso, até que, por fim, vira-se com dois pares na mão. Helena não está mais na vitrine. No seu lugar está um senhor. O vendedor se desaponta.
O senhor entra na loja. O vendedor o atende.
Boa tarde! Vim comprar um par de sapatos, pois estes já não me servem.
Câmera mostra os sapatos do senhor.
(olhando para os sapatos)
Mas qual é o problema? Me parecem ótimos.
Senhor
(sem paciência)
Pois estão rangendo demais quando eu caminho e meus pés já estão cheios de calos por causa deles.
Vendedor
Talvez esteja pisando muito forte.
Senhor
Está louco? Eles é que apertam meus pés. Aliás, já faz 10 anos que eu os tenho e um mês que não os suporto mais.
Vendedor
Deixe-me ver.
O homem lhe entrega os sapatos.
Vendedor
(examinando)
Hum... Não entendo porque trocá-los. Acho que eles são perfeitos para o senhor.
(nervoso)
Que?
Agora, posso fazer uns ajustes nesses daqui. Mas se o senhor continuar andando por locais inapropriados, eles voltarão a ranger.
Senhor
Como assim?
Vendedor
(apontando para o senhor)
Simples: Por onde você anda? Como anda? Com quem anda? O ranger é apenas uma resposta.
O senhor faz uma expressão de que não compreende.
Vendedor
Faça assim: deixe-os
comigo e volte semana que vem. Estarão perfeitos.
Senhor
E como faço sem sapatos até lá?
Vendedor
Experimente andar descalço e fazer o mesmo caminho de rotina.
Senhor
Está louco? Isso acabaria com meu pé.
Vendedor
(resposta rápida)
Não se você procurar o melhor lugar para andar. Até mais!
O homem reage como se fosse reclamar, mas pára e pensa. Resmungando, sai da loja, andando de meias. O vendedor ri sozinho.
SEQUENCIA 8. EXT/DIA – Em frente à Loja de Sapatos
Entardecer. Vemos o vendedor saindo da loja. Ao fundo vemos Murilo, tocando seu violino. Murilo parece introspectivo e toca uma música com grande carga emocional. O vendedor fica olhando o menino por alguns instantes, encantando-se com a cena. Repara que ele está descalço. Sorri. Então, vira-se para atravessar a rua. Paralisa-se ao ver do outro lado Helena, passeando com um grupo de amigas. Tenta olhar para os pés de Helena, mas estes se confundem com o andar das outras amigas. Ele decide atravessar a rua para tentar ver seus pés. De repente, ouve-se um trovão. Ele se assusta. A música de Murilo chega a um ápice emocional. Neste momento, todas as pessoas da calçada abrem seus guarda-chuvas, um de cada cor. Ele tenta seguir Helena, mas a perde diante da multidão de guarda-chuvas coloridos e pés que se misturam.
Dia seguinte. O vendedor está no balcão com um dos pares de sapatos de Helena, fazendo ajustes no desenho dos sapatos. Neste momento, uma senhora toda espalhafatosa entra na loja. Ela chega de fininho e grita para assusta-lo de brincadeira. O vendedor pula e ela gargalha.
Vendedor
Dona Mara! Já de volta!
Preciso de um novo par para o baile de sexta-feira.
Vendedor
Mas a senhora já tem tantos...
Dona Mara
(Interrompendo-o)
Ah, eu sei, eu sei. Mas me canso rápido.
Vendedor
E os azuis da semana passada?
Semana passada? Eu preciso de sapatos novos!
Vendedor
(acenando negativamente com a cabeça)
Eu já não sei mais o que combina com a senhora. Então, por favor, escolha qualquer um que eu pego um 39.
Dona Mara
(gritando)
36.
(cochichando)
O senhor está louco de falar uma coisa dessas alto assim.
Vendedor
(achando graça e
cochichando)
Tudo bem, 36.
Dona Mara
(apontando o par destinado à Helena no balcão)
Hum, eu gosto destes.
Vendedor
(levando-a
pelo braço para o outro lado da loja)
Estes estão reservados, sinto muito.
Dona Mara
Como assim?
Vendedor
(oferecendo outro par)
Por que não estes?
Dona Mara
(responde rapidamente, sem olhar direito para os sapatos)
Bonitinhos, levo...
(ela abre sua bolsa, olha e depois a fecha)
Por enquanto na caixa... Quero estreá-lo no baile apenas.
Ah, e pode por na conta também.
Vendedor
(entregando-lhe a caixa)
Aqui está.
Dona Mara
Aliás, quando você vai trocar esses sapatos velhos aí?
Vendedor
(sorrindo sem graça)
Ainda não é hora.
Dona Mara
Já passou da hora, isso sim. Eu, hein... Desbotados, velhos.
A senhora sai da loja e tromba com Helena, fazendo derrubar todas as coisas da bolsa de Helena no chão. Vemos à cena pela vitrine.
Dona Mara
(resmungando)
Cuidado por onde anda!
Ela vai embora, sem ajudar Helena, que recolhe as coisas do chão. Ao ver a cena pela vitrine, o vendedor decide sair da loja a fim de ajudá-la.
O vendedor sai da loja. Neste momento, ela já está andando e ele vê um batom no chão. Vai em direção a ela com o batom em mãos para lhe entregar. Ele a aborda.
Senhorita!
Murilo, que observa a cena, começa a tocar uma música de suspense. Quando o vendedor vai lhe entregar o batom, ele o deixa cair mais uma vez propositalmente. Devagar, agacha-se para ver seus pés e descobrir finalmente o quanto ela calça. A câmera desce como se fosse o olhar do vendedor agachando-se e revela uma saia comprida até o chão, que não permite ver os sapatos dela. Por um momento, ele fica parado estupefato.
(olhando confusa para o
vendedor)
Senhor? Senhor?
Música acaba repentinamente. Ele levanta-se e lhe entrega o batom. Ela agradece e sai andando. Ele fica olhando para ela até ela cruzar a esquina. Vai andando de costas até que sente que pisou em algo e tira os pés rapidamente. Vê que o piso está com cimento fresco. Ao ver a forma de seu pé no chão, percebe outra forma de pé feminino. Ele se agacha. Toca as mãos levemente sobre o desenho que se formou.
(gritando, entusiasmado)
33! 33!
O vendedor sai correndo para dentro da loja.
Ele vai em direção aos sapatos destinados a Helena, pega o menor par e vê a numeração. Lê-se 34.
(exclamando para si mesmo)
Não é possível!
É noite. Vemos a fachada da loja, que está fechada. Em sua mesa de trabalho, o vendedor coloca ferramentas e tecidos. Dedicado, ocupa-se em ajustar os sapatos de Helena, a fim de criar um par com numeração 33. Ao terminar, espreguiça-se. Tira os seus sapatos velhos e apaga a luz.
Dia seguinte. Manhã. A cidade ainda dorme em silêncio.Vemos os pés do vendedor andando pela calçada. Murilo está sentado no chão, afinando o violino. As pernas do vendedor passam na sua frente. Murilo acha estranho alguém já estar acordado antes dele começar a tocar. Olha em seu relógio de bolso. O vendedor passa pela igreja da cidade. Carrega uma almofada com os sapatos novos de presente para Helena.
Vemos seus pés chegando no portão da casa de Helena. Ele o abre e aproxima-se da porta, vagarosamente, como se não quisesse ser notado. De repente, ouve-se a canção matutina de Murilo. Helena abre a janela que fica em cima da porta e suspira. Não chega a ver o vendedor. Aflito por não querer ser notado, o vendedor deixa o presente na porta e sai correndo.
A porta se abre e revela Helena. Ela olha para os lados e não vê ninguém. Olha para o chão e vê o par de sapatos, em cima da almofada. Encanta-se. Agacha para pegá-los.
SEQUENCIA 17. EXT/DIA – Rua
O vendedor passa rápido por um bar, onde esbarra nas mesas. Depois, passa rápido por Murilo, que continua tocando.
A música segue. Ainda agachada, encantada com os sapatos, ela avista um pé de sapato masculino velho e arrebentado jogado em frente a sua casa.
O vendedor entra na loja e pára para respirar. Ofegante, olhando para o chão com as mãos no joelho, percebe que está sem um pé do sapato. Assusta-se. Começa a procurar entre os pares masculinos da loja algo que o agrade, mas não gosta de nada. Experimenta um e tira logo depois.
Ainda ouvimos o violino de Murilo. Helena sai pela rua com sua bolsa e a almofadinha com o par de sapatos. Chega sorridente para um grupo de homens bem arrumados sentados em um café. Eles a olham e nem ligam. Voltam a conversar. Ela desfaz o sorriso e segue andando até deparar-se com Murilo. Ela sorri e passa a observa-lo. Sem parar de tocar, Murilo inclina-se apontando a vara do violino em direção à loja de sapatos. Tal gesto desperta a atenção de Helena, que olha para a loja e vê o vendedor saindo, com um pé descalço. Ela caminha em sua direção, sorrindo. Ele sorri encantado. A câmera os rodeiam em círculos.
(sorrindo, mostrando o par
arrebentado)
Então você que é a Cinderela? Ainda vai querer isso aqui?
Ele fica sem jeito, pega o sapato. Ela acha graça.
Meu nome é Helena!
E pelo jeito não gostou do meu presente...
Helena
(sorrindo, encabulada)
Que nada! São lindos!
(muda a expressão)
Mas não posso aceitá-los.
E por que?
Helena
Ora... Já tenho os meus sapatos. E eles me servem muito bem. Veja.
(olhando para os sapatos que
ela calça)
É...mas estão um pouco gastos e não parecem confiáveis.
Helena
(fazendo menção aos sapatos
dele, rindo)
Gastos? Olha quem fala! E se quer saber, são muito confortáveis!
Mas estes podem ser também. Experimente-os!
Helena
(olhando para o sapato, com dúvida)
Não sei... Algo me diz que não vão servir.
(sorrindo, mostrando o
sapato)
Imagine... meus pés são muito pequenos.
(interrompendo-a)
33, eu sei. Eu mesmo os ajustei pra você.
Helena
Mas como você sabia que eu calçava esse número?
(desconversando)
O que importa é que eles são seus agora.
Helena
Olhe, não leve a mal, mas para os lugares aonde vou estes estão ótimos.
Com esses saltos? Nesses paralelepípedos?
(ignorando
as perguntas)
De qualquer maneira, da última vez que experimentei sapatos novos, eles machucaram muito meus pés.
(ajoelhando-se para calça-la
com o novo par)
Estes não vão te machucar! Eu te garanto! Pode sentir um desconforto a princípio, mas logo se ajustarão aos seus pés.
(sorrindo, tirando os pés das mãos do vendedor)
Será?
Ela sorri uma última vez, vira-se e segue andando pela calçada. O vendedor assiste a ela partir, atônito, com os sapatos de presente nas mãos. Murilo, que observa a cena, começa a tocar uma música triste. O vendedor levanta-se cabisbaixo e entra na loja, deixando seu sapato velho no chão da calçada. Vemos um plano aberto de Helena de costas caminhando, sem olhar para trás. A música cresce e ela fica cada vez mais ao longe, como se fosse a cena final.
Subitamente, ela se desequilibra e cai. A música pára de repente. Ela se agacha e percebe que quebrou o salto. Levanta-se com o salto e o resto do sapato e fica parada, olhando em direção à loja de sapatos. Sorri achando graça, tomando consciência do fato que ocorreu.
Neste momento, Murilo dá uma reviravolta na música, tornando-a uma melodia alegre. Vemos Murilo tocando e dançando na rua. Helena vai em direção à loja com um pé descalço e o sapato quebrado em mãos. Ela larga no chão seu sapato quebrado e o salto ao lado do sapato velho do vendedor e entra pra dentro da loja. Plano Fechado no concreto com a forma dos dois pés e restos de sapatos velhos.
CRÉDITOS FINAIS
FIM