Conceito de Montagem
A montagem, como etapa fundamental do desenvolvimento
de um filme, pretende trazer o ritmo, ressaltar climas e desenvolver a
gramática da narrativa. Em Impar Par, o que transborda é o clima fantástico, de
fábula mágica, atemporal. Sua história desenrola em um universo particular, e a
montagem destacará estes aspectos.
Contando com movimentos suaves de câmera, buscaremos
através de cortes sutis a fluidez e certo tom onírico, delicado, entrelaçando
as pequenas ações dos personagens e a vida nesta cidade de cor.
Entrecortes de planos detalhes, primeiríssimos planos
e closes trarão o suspense e as revelações fragmentárias, em um jogo de
pequenas imagens que revelarão o todo.
A música terá forte influência na cadência da
montagem, ajudando a ligar as ações e a envolver o espectador. O violino tem a
fluidez sutil dos cortes que pretendemos realizar.
O objetivo é ressaltar os sapatos no filme,
tratando-os como personagens, dando espaço para eles na narrativa e
conectando-os, através da montagem, ao mundo “real”.
Seguindo a decupagem, podemos perceber que será um
filme com muitos cortes, porém estes não terão um caráter frenético, veloz;
colaborarão para a construção de uma situação mágica. Como peças de um
quebra-cabeça, os planos irão, pouco a pouco, nos conduzir à este universo
mágico de Impar Par.
Com o material bruto em mãos, terei liberdade para
experimentar algumas técnicas de montagem, mas o que prevalecerá será a
montagem clássica-narrativa, sem intervenções na linearidade temporal da
história.