Clarinete |
As
características do clarinete dentro da família dos instrumentos de
sopro-madeira transpositores concretizam-se em que em apenas lingüeta
de cena e ema que a seção do tubo é cilíndrica, o que influi definitivamente
na variedade do som. Constrói-se e madeira ou ebonite e está provido
de uma série de chaves para encurtar ou alongar a seção da coluna
de ar. ë considerado um instrumento moderno, embora as primeiras referências
sejam anteriores à sua inclusão nas orquestras em 1749 pelo compositor
francês Philippe Rameau. No seu aspecto de instrumento transpositor,
as afinações mais comuns são em Si bemol e em Lá A primeira, com um
som uma segunda mais baixa do que a notação em Dó, e a segunda, com
uma terceira. Apesar da sua sonoridade ser muito diferente do violino,
é equiparado a ele dentro do seu grupo instrumental. Exemplo
a ouvir: Concerto para clarinete e orquestra em Lá maior, de Mozart.
A
ampla família do clarinete ficou praticamente reduzida, nas atuais
orquestras sinfônicas, às duas variedades mencionadas: em Si bemol
e em Lá, e ao dado chamar clarinete baixo, afinado em Si bemol, que
tem um som uma nona mais grave do que sua notação normal.
Flauta |
Flauta Transversal:
A flauta transversal é a mais características
do grupo das flautas. Está formada por um corpo cilíndrico, num de
cujos extremos se encontra a boquilha, em forma de chanfra, na qual
se aplicam os lábios para soprar o ar para dentro do tubo. Conta,
além disso, com uma série de chaves servem para abrir ou fechar os
buracos do cilindro. as chaves servem para alongar ou encurtar a coluna
de ar do tubo, com o que se produzem as distintas alturas do som.
A flauta é conhecida, através de diferentes documentos,
desde o século III a.C., mas a sua configuração atual responde a um
longo processo de aperfeiçoamento. Construída no passado em madeira,
desde há muito tempo são construídas em metal, freqüentemente de prata.
Toca-se na posição horizontal e a música é escrita na clave de Sol
na segunda linha ( Exemplo a ouvir: Concerto para duas flautas, arcos
e cêmbalo em Dó maior, de Antonio Vivaldi ).
Flauta Doce:
A flauta doce, com freqüência conhecida como flauta
de bico por tradução direta do seu nome em francês, Flút a bèc, não
forma parte da orquestra sinfônica atual, mas a recuperação da música
do passado, em especial do período barroco, e as orquestras que utilizam
os chamados instrumentos <<originais>>, mantém a sua vig6encia.
Continuam a contruir-se em madeira, como no passado, com a sua parte
mais estreita para o final. No extremo superior
tem um corte chanfrado reto pelo qual o intérprete
sopra através da boquilha, com o instrumento colocado na posição vertical,
o contrário da horizontal da flauta transversal. O corpo sonoro tem
uma série de buracos que o intérprete deve obturar ou deixar abertos
para alongar ou encurtar o comprimento da coluna de ar.
As flautas "doces" estão formadas por uma ampla
família, conforme o seu tamanho, isto é, conforme o comprimento do
tubo sonoro, que vai desde o sopranino. na 'nuance"aguda, até à grave
ou baixa, com que se cobre uma "nuance"muito ampla. A sua intervenção
na orquestra, como instrumento concertante ou solista, é ocasional
e limita-se às orquestras de câmara ( Exemplo a ouvir: Concertos para
flauta de bico, de Tommaso Albinoni ).
Fagote |
Ainda que a sua tessitura seja mais grave do que
a de outros instrumentos da orquestra sinfônica, dos quais nos ocuparemos
mais tarde, situamo-lo junto ao oboé, posto que também pertence ao
grupo dos de sopro-madeira com lingueta, não transpositores. O fagote
consta de um tubo cônico e serve-se de uma lingueta dupla para provocar
a vibração da coluna de ar. Dada a sua extensão, o tubo é dobrado
com a forma aproximada da letra "S".
Pela sua rica e grave sonoridade, é associado
ao violoncelo dentro do grupo de instrumentos de sopro-madeira. Mas
essa sonoridade permite-lhe exprimir, tanto linhas melódicas, ágeis
e ridículas como manifestações tristes e trágicas. A sua extensão
atinge com a mesma agilidade, nas mãos de um bom intérprete,
três oitavas e meia. A música para fagote escreve-se em clave de Fá
na quarta linha, para as oitavas graves, e em clave de Dó na quarta
linha para as agudas. Esta utilização de duas claves é conseqüência
obrigatória da sua grande extensão e da conveniência de evitar um
numero excessivo de linhas adicionais no pentagrama. Exemplo a ouvir:
Concerto para fagote e orquestra de Mozart.
Em tempos passados, a família dos fagotes era
bastante ampla, sobretudo no renascimento, mas atualmente, apenas
se conservam o fagote normal, ao qual nos referíamos, e o contrafagote,
equivalente ao contrabaixo dos instrumentos de corda, afinado uma
oitava mais baixa do que o corrente. Normalmente, a música para contrafagote
escreve-se como a do fagote, mas tem o som uma oitava mais grave.
Oboé |
O oboé é um instrumento de lingüeta dupla de cana.
São fabricados em madeira, em forma de tubo cônico. O seu antecedente
imediato é o "caramillo" e nos séculos XVI e XVII utilizavam-se indistintamente
ambos os termos para o denominar. Lá para 1660, os construtores reduziram
o pavilhão do que seria o oboé, diminuindo a dureza do seu som. Com
a passagem do tempo sofreu sucessivas melhorias, especialmente no
que se refere ao número de chaves que abrem ou fecham o buracos para
alongar ou tornar mais curto o comprimento do tubo, mas mantêm-se
dois modelos um pouco diferentes, não tanto no resultado sonoro como
nos elementos técnicos. Os fabricantes alemães permaneceram mais fiéis
à tradição ao passo que os franceses, modelo mais amplamente impostos,
estiveram sempre abertos a algumas melhorias técnicas .
Como no caso da flauta há algumas variedades que
atingem fins algo mais amplo. O mais normal é o oboé soprano, que
cobre uma extensão de duas oitavas e uma sexta ( Exemplos a ouvir,
de Tommaso Albinoni ).
Trombone |
O trombone é descendente direto do "sacabucho",
do qual se tem notícias desde 1468. É composto por uma embocadura
côncava e por um tubo cilíndrico que termina em forma de pavilhão
e que contem uma vara ou corredoira, uma espécie de tubo móvel suplementar
que desliza dentro do principal para tornar mais longo ou curto o
seu cumprimento.
Os trombones comuns afinam-se em Si bemol e, para
o registo baixo, em Sol. Também se podem utilizar em Si bemol com
um êmbolo que abre a passagem do ar ao ser manipulado com o dedo mínimo,
com o que o instrumento baixa até Fá e pode produzir notas mais graves.
O elemento fundamental é vara, razão pelo qual o intérprete deve dominar
as posições exatas que produzem cada uma das notas, tal como sucede
nos instrumentos de cordas friccionadas relativamente à posição da
mão esquerda no comprimento da corda. A música para trombone escreve-se
em clave de Fá na quarta linha.
Além do trombone de varas, perto de 1825 apresentou-se
em Viena o chamado trombone de 6embolos, cujas ação serve para tornar
mais curto ou mais longo o tubo. Construíram-se, em princípio, para
variar tessituras e ocupam um posto nas bandas musicais, embora se
prefura o de varas, devido à sua melhor sonoridade e à superior do
timbre.
Trompa |
A trompa é um instrumento de metal de tubo cônico
de grande extensão que se enrola e que termina num pavilhão aberto.
No outro extremo está a embocadura cônica sobre a qual atuam os lábios
do intérprete, exercendo pressão sobre ela. Graças a um sistema de
6embolos, pode variar-se a longitude de coluna de ar dentro do tubo,
um sistema equivalente ao das chaves nos instrumentos de sopro-madeira.
São três as válvulas ou 6embolos que abrem ou fecham três tubos adicionais
e permitem a emissão da escala cromática quase na sua totalidade.
O seu som, especialmente no registo médio, tem um grande colorido
na tessitura do barítono e engrena extraordinariamente bem com o resto
da orquestra.
Um dos efeitos mais utilizados na trompa é o de
surdina, que se consegue quando o intérprete mete a mão direita no
pavilhão do instrumento. Obtem-se assim um apagamento do som. também
é possível utilizar uma peça de madeira em forma de pera, que é introduzida
no pavilhão, obtendo-se também o resultado do apagamento do som, o
que contrasta com o efeito que se consegue com os lábios ao apertá-los
com maior força contra a embocadura, tendo como resultado um duro
e metálico.
A afinação mais freqüente da trompa é em Fá e
a música escreve-se em clave de Fá na quarta linha. Exemplos a ouvir:
Concertos para trompa, de Tommaso Albinoni e outros compositores.
Trompete |
O trompete é um instrumento de metal de prolongada
história na música que, como todos os de sopro, foi melhorando as
suas possibilidades ao longo do século XIX. ë constituído por uma
embocadura em forma de copo de pé, por um tubo cilíndrico em dois
terços do seu comprimento, que se vai alargando e acaba com um pavilhão.
O trompete moderno tem três êmbolos para tornar mais longo ou mais
curto o comprimento do tubo. Apresenta-se em três afinações, uma em
Dó, na qual deixa de ser um instrumento transpositor, outra em Si
bemol e outra em Lá, ou seja, uma segunda ou terceira mais baixa do
que o som real, tal como sucede com o clarinete.O seu som é estridente
e permite numerosas agilidades, limitadas apenas pela respiração.
A sua extensão oscila entre as três e quatro oitavas. A música para
trompete escreve-se em clave de Sol na segunda linha.
Tuba |
A tuba é a representante dos sons mais graves
dos instrumentos de metal. Consta de uma embocadura côncava, de um
tubo cônico e de um mecanismo de válvulas ou êmbolos para tornas mais
curto ou alongar o comprimento do tubo. Conforme o tamanho, tem quatro
ou cinco êmbolos, o que permite a emissão completa da escala cromática.
Na orquestra sinfônica costuma utilizar-se a tuba baixa ou contrabaixa,
que apóia e sustem a sonoridade do grupo de instrumentos de metal.
A música para tuba escreve-se em clave de Fá na quarta linha, com
uso ocasional da de Sol na segunda linha para as notas mais agudas.
Em obras muito concretas, tais como a Tetralogia
de Richard Wagner, aconselham se umas tubas "tenor", que são conhecidas
como tubas wagnerianas.