::::::: PERSONALIDADES E ACONTECIMENTOS QUE MARCARAM O MUNDO::::::

Desde que o homem começou a registrar os seus feitos e, deixar para a posteridade suas obras, surgiu sobre a face da Terra, pessoas que contribuíram de forma decisiva para o crescimento da humanidade. Seja através de seus estudos, conquistas, dominações de outros povos, dominações do desconhecido ou mesmo, simplesmente fazendo sorrir, transmitindo alegria, prazer ou bem-estar para tantos outros. No decorrer da História, tivemos homens e mulheres que dedicaram suas vidas para podermos desfrutar de tudo que existe hoje. À essas pessoas devemos agradecer e até exaltar. Outros, no entanto, foram cruéis e só causaram desgraças. Mesmo assim, aprendemos com eles.

PIRÂMIDES DO EGITO – MARAVILHA DO MUNDO
Egito – 2700 a 2600 a.C.

Foram os gregos, provavelmente entre os anos 150 e 120 a.C., os primeiros a listar os monumentos erguidos até então pelas mãos dos homens que se destacavam pela sua grandeza, suntuosidade e magnitude.Chamaram o conjunto deles de "Ta hepta Thaemata", ou seja, "as sete coisas dignas de serem vistas" – "as sete maravilhas do mundo". Das maravilhas do mundo antigo, as pirâmides do Egito são as únicas conservadas até hoje. As mais famosas são as que serviram de túmulos para preservar os despojos reais dos faraós Queops, Quefren e Miquerinos, todos da IV dinastia. Segundo o historiador grego Heródoto, milhares de escravos carregavam os grandes blocos de pedra para essas construções, que duraram vinte anos. A construção mais antiga do mundo é moderna mesmo para os padrões atuais. Os seus alicerces contêm esferas e cavidades, tais quais as pontes do século XX. Está sujeita a movimentos de expansão e contração sob a ação do calor ou do frio, assim como possui proteção contra terremotos, intempéries e outros fenômenos da natureza. Este pode ser um dos motivos de sua tão longa duração. O revestimento original de alabastro era feito de 144.000 pedras ao todo e era tão brilhante que poderia ser visto a quilômetros de distância. O tipo de material usado para manter unidas as pedras está intacto e é mais resistente que as próprias pedras que une. A construção da Pirâmide revela um grande conhecimento, por parte de seus construtores, de geografia, história, astronomia, geologia, matemática e outras ciências, o que pode ser constatado por sua localização, medidas, inclinação e curvatura. Durante séculos, a Pirâmide foi denominada "o centro das dimensões e do conhecimento.

HOMERO
Grécia - 900 a 800 a.C.

Os gregos do século V a.C. relembravam que, em algum lugar, num passado distante, vivera um homem chamado Homero, que compusera dois grandes poemas épicos: "Ilíada", que desenvolve-se em torno do cerco de Ilion antigo nome de Tróia no nono ano de guerra, a ira de Aquiles e suas conseqüências funestas (derrota dos gregos e morte de Heitor por Aquiles). Descreve também com precisão o mundo grego dessa época. "Odisséia", onde narra a aventura de Odisseus, Ulisses, em terra e no mar, desde a partida de Tróia, após o término da guerra, até sua pátria, Ítaca, onde o aguardavam a saudosa esposa Penélope e o filho Telêmaco. Concentra-se mais na paz, vida doméstica, civilização urbana, viagens de prazer. Tanto a Ilíada quanto a Odisséia historiam, sob forma altamente poética, as gestas reais dos aqueus antes da invasão dórica. Homero, porém, camuflou a verdade com um folclore e um maravilhoso fantástico. Ao que parece, foi Psístrato, tirano de Atenas, que mandou reunir os poemashoméricos no século VI a.C. e edita-los, tendo-se feito, à época alexandrina (séculos III-II a.C.), a primeira edição crítica. Inúmeras lendas narram a vida de Homero. Segundo uma delas, era filho de Meon, e muito cedo ficou órfão de pai e mãe, vivendo em extrema pobreza. Aprendeu história e música.

TALES DE MILETO
Grécia - 640 a.C.546 a.C.

Filósofo e matemático tido como fundador da escola jônia. Atribuíram-lhe a predição de uma eclipse do sol em 585 a.C., além de ter estabelecido a Ursa Menor como guia para navegação. Sua teoria cosmológica dava a água como o elemento central do universo.Resolveu o problema da inscrição de um triângulo no círculo, da medida da altura de um objeto porsua sombra (hoje resolvido por trigonometria) e afirmou a igualdade dos ângulos opostos pelo vértice. Éatribuído ainda a Tales o teorema sobre a proporcionalidade de segmentos de reta de dois lados de um triângulo causados pelo corte de uma paralela ao terceiro lado. Na verdade, foi Euclides quem demonstrou esse teorema em seus Elementos.

NABUCODONOSOR
Caldéia - 622 a.C.562 a.C.

"No nono ano do reinado de Sedequias, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançou com toda a sua armada contra Jerusalém..." É assim que a Bíblia começa a contar, no Livro dos Reis, uma história que se passou em 586 a.C., aconquista do reino de Jerusalém pelos exércitos de Nabucodonosor, a destruição da cidade e do templo, ocativeiro do povo judaico na Babilônia.Para o povo de Jerusalém, era o exílio e a escravidão. Para Nabucodonosor, uma conquista a mais.Para a história, uma ironia: conquistadores e conquistados, vencedores e oprimidos, ambos eram longínquosdescendentes de um mesmo povo, o caldeu, assim como Abraão o era.Por volta de 3000 a.C., a Caldéia já era um país civilizado. Dividia-se em duas regiões, ocupadas porpovos distintos: Sumero ao sul, habitada pelos sumerianos, e Acade ao norte, onde viviam os acadianos(semitas). Entre 2500 e 2000 a.C., chefes semitas fundaram, após guerras encarniçadas, o primeiro impériobabilônico, cuja capital foi Babilônia, nome que significa "Porta de Deus". A cidade de Babilônia logo se tornou o centro do comércio entre os povos do Oriente.O primeiro império da Babilônia atinge seu apogeu durante o reinado de Hamurabi (2100 a.C.) e duzentos anos após, a Caldéia é invadida pelos povos do Norte, como hititas e cassitas, que introduziram o cavalo na Mesopotâmia. Com essas invasões encerra-se o primeiro império babilônico.Por volta de 1300 a.C. é a vez dos assírios que, de antigos vassalos dos babilônicos, conquistam a Caldéia e formam um novo império.Sob Sargão II (722-705 a.C.). Senaqueribe (705-681) e Assurbanipal (668-626) esse império cresceu tanto, a ponto de icluir quase todo o mundo civilizado da época. Mas o sucesso dos assírios foi menor quesua ambição: os novos territórios anexados fizeram o império inchar tanto que se tornou difícil governa-lo. E quem acabou dando o golpe de morte no império assírio foram justamente os caldeus, os semitas do sul. Chefiados por Nabopolassar, organizaram a insurreição e tomaram Nínive, a capital assíria, em 612 a.C. Era o nascimento do império caldeu, também chamado o segundo império babilônico. Com a morte de Nabopolassar, assume o poder seu filho Nabucodonosor. Ele tinha um objetivo bem definido: conquistar o que pudesse. Sem perder tempo, organizou o exército e lançou-se mundo afora. Os primeiros a cair foram os egípcios, expulsos da Síria, depois o reino de Jerusalém, Tiro, na Fenícia e grande parte daArábia.Poderoso e inventivo. A fama de Nabucodonosor não lhe veio apenas por causa de suas façanhas militares mas também pelas obras que mandou realizar. Por exemplo: ruas pavimentadas com pedras de cal e com paredes revestidas de tijolos azuis polidos. Fez também de sua capital a cidade mais rica do Oriente. Ergueu templos maravilhosos, com estátuas de ouro maciço, edifícios grandiosos e a mais famosa de suas obras: os Jardins Suspensos da Babilônia, desenhados sobre terraços elevados, cobertos de palmeiras e plantas raras. Dizem que foram construídos para matar a saudade que a Rainha Semíramis sentia dos jardins de sua terra.Tantas eram as riquezas acumuladas por Nabucodonosor na capital do império, que para protege-las mandou construir uma terceira muralha em volta da cidade. Arqueólogos encontraram naquele local várias pedras com as seguintes inscrições: "Para que nenhum ataque hostil se aproximasse dos muros de Babilônia, fiz algo diferente dos que me precederam. Desejei um terceiro muro ao redor da cidade. Cavei um fosso para ele. Forrei seus lados com asfalto e tijolos cozidos. Ergui uma parede de grande altura em sua borda exterior. Coloquei grandes passagens com portas de madeira decoradas com bronze. E, para humilhar os inimigos, para que eles jamais ousassem assediar o tríplice muro de Babilônia, eu cerquei a cidade com fortes correntes, como as ondas do mar, mas para que não ocorressem enchentes, cavei fossos e os provi de grandes represas de argila cozida".
Era tanta a sua mania de grandeza, que resolveu reconstruir um grande templo desmoronado de modo que sua parte mais alta "rivalizasse com o céu", como gostava de dizer. Essa edificação só poderia ser comparada à outra Torre de Babel, pois a base e a altura eram iguais. Foram empregados 58 milhões de tijolos e, no alto da torre mandou erigir um santuário consagrado a seu deus Marduk, representado por uma estátua de ouro, cujo brilho, de tão intenso, era vista a muitos quilômetros de distância. Nabucodonosor acreditava num deus chamado Marduk e quem não se prostasse diante de sua estátua era atirado num forno acesso. Em seus últimos anos de vida ficou demente e comeu grama. E louco morreu em 562 a.C.

JARDINS SUSPENSOS DA BABILÔNIA – MARAVILHA DO MUNDO
Caldéia - 580 a.C.

Trata-se de um grande edifício com terraços interligados por escadarias, erguendo-se em forma de anfiteatro, e onde eram cultivados estupendos jardins, embelezados com fontes e estátuas. Para a irrigaçãodesses jardins, bombeava-se as águas do rio Eufrates até o terraço mais alto. Foi construído por Nabucodonosor como presente à sua esposa Semíramis. Os jardins não eram propriamente suspensos. O efeito provinha do fato dos terraços situarem-se em diversos planos. Calcula-se que estivessem apoiados em colunas, cuja altura variava de 25 a 100 metros, rodeadas de escadas de puro mármore.

PITÁGORAS
Grécia - 580 a.C.500 a.C.

Filósofo e matemático. Não deixou registros escritos, mas sabe-se que viajou ao Egito e na volta, quando a Grécia era governada pelo tirano Polícrates, foi para Crotona, colônia grega na Ásia Meridional, onde fundou escola de caráter religioso, muito parecida com as comunidades órficas. A escola expandiu-se por grande parte da Magna Grécia (Itália) mas, tendo se envolvido em política, acabou suprimida de modo violento. Entre as doutrinas difundidas pelos pitagóricos (seus ensinamentos confundem-se com os de seus discípulos) está a imortalidade e a transmigração da alma (metempsicose). Em ciência, suas doutrinas nada têm de semelhante às crenças religiosas e míticas. Suas teses estão ligadas à especulação sobre o número (essência das coisas) e pesquisas matemáticas. O teorema do quadrado da hipotenusa (igual à soma dos quadrados dos catetos num triângulo retângulo) é atribuído a Pitágoras, além de uma tábua de multiplicação e um estudo de escalas, que também receberam seu nome. Seus discípulos descobriram a incomensurabilidade da diagonal em relação ao lado do quadrado, dando origem aos números irracionais. Em astronomia, impressionado com a ordem do universo, dá-lhe o nome de cosmos (harmonia, em grego). É o primeiro a afirmar um sistema de astros esféricos, tendo no centro o fogo, coração do Universo. Além do fogo, o sistema é composto de anteterra, terra, lua, sol e mais cinco planetas. Dez é o número perfeito para Pitágoras, que fez também descobertas em música e mostrou a relação entre o comprimento de uma corda e o som dela proveniente. Foi o primeiro a chamar-se a si próprio de filósofo.

BUDA
Índia - 563 a.C. 483 a.C.

Não era fácil viver na Índia do século V a.C. Os habitantes eram numerosos, o alimento escasso e a divisão de bens desigual – de modo que a fome e a miséria se integravam no dia a dia da maior parte dos hindus. Tão árdua era sua vida, que não tinham motivo algum para dela gostar: suportavam-na apenas, à espera de uma existência melhor, que viria – acreditavam – depois da morte. E, para que essa vida futura fosse realmente rica e feliz, havia muita gente que se empenhava em tornar a presente ainda mais pobre e desolada, praticando toda sorte de mortificações. Foi nessa época que surgiu na Índia um homem chamado Siddhartha Gautama, cuja bondade e sabedoria lhe valeram o nome de Buda, em, em hindu, que dizer "o iluminado". O pai de Siddhartha era um aristocrata de fortuna e deu-lhe uma educação requintada e, como a inteligência do rapaz ajudasse, ele adquiriu, ainda jovem, tal cultura que ficou conhecido como Sáquia Múni, ou seja, o sábio de Sáquia. Jovem, rico, bem casado e despreocupado, Gautama tinha tudo para sentir-se satisfeito. De fato, era feliz. Pelo menos até que, num dos passeios, pela primeira vez tomou contato com a realidade do seu país: ficou conhecendo de perto um mendigo e um velho. Logo depois, teve oportunidade de observar um asceta que se mortificava, em jejum rigoroso. E por fim, com grande pasmo, viu também um homem que morrera de fome. Velhice, doença, miséria e morte eram problemas nos quais Siddhartha jamais pensara em seus 29 anos de idade; descobri-los para ele foi um choque, principalmente em contraste com a beleza de sua esposa, com a alegria de seu filho, com o luxo que os cercava e a despreocupação em que viviam. Essa realidade passou a parecer-lhe descabida. A perplexidade de Gautama diante dos males do mundo foi-se avolumando pouco a pouco. Certa noite chegou a uma conclusão definitiva: depois de raspar a cabeça em sinal de humildade, trocou as suas suntuosas roupas pelo despretensioso traje amarelo dos monges e afastou-se do palácio, abandonando família, bens e passado. Naquele momento deixava de existir como aristocrata e em seu lugar, surgia um mendigo itinerante, que se lançava ao mundo em busca de explicações para o enigma da vida. Novato em questões espirituais, o andarilho juntou-se a cinco ascetas conhecidos pelo caminho: queria aprender com eles qual o melhor meio de chegar às verdades superiores. E, como os ascetas jejuassem, passou a jejuar também, curtindo fome obstinadamente, quase até a inanição. Mas, como o estômago vazio não lhe ensinasse nada de novo, perdeu a fé no sistema e voltou a comer outra vez. Esse espírito prático revoltou os cinco místicos: decepcionados, abandonaram Gautama, que durante os 6 anos seguintes passou o tempo meditando em total solidão. Para meditar, conta a lenda que Gautama escolheu a sombra de uma grande figueira, que os hindus chamam "bodhi" e veneram como árvore sagrada. Sentado sob a árvore, o mendigo Siddhartha estabeleceu um sacrificado programa: enquanto não esclarecesse todas as dúvidas, dali não arredaria pé. Seu plano foi cumprido à risca, apesar das visões que teve de Mara – o demônio da paixão -, que ora o atacava com chuva, raios e toda a sorte de armas, ora lhe oferecia vantagens extraordinárias no sentido de demovê-lo de seu valente propósito. Nos momentos que sentia fraquejar, Gautama estendia a mão para a terra e dela obtinha forças para repelir os poderes maléficos , demonstrando uma resistência tão inabalável que após 49 dias Mara teve de se conformar com a derrota, deixando Gautama em paz. Ocorreu então o despertar espiritual que tanto procurava. Sua confusão se desfez e tudo se tornou perfeitamente claro. Iluminado por um novo entendimento de todas as coisas da vida, Gautama rumou para a cidade a fim de transmitir também aos outros o que lhe acontecera. A princípio, encontrou descrença e desconfiança. Mas, aos poucos, os que ouviam perceberam que ele descobrira verdades desconhecidas e muito profundas. E reverenciaram sua iluminação, passando a tratá-lo por Buda. Os ensinamentos de Buda criticavam diversos aspectos do hinduismo tradicional, mas nem por isso deixavam de endossar muitos de seus seculares conceitos. Por exemplo, a idéia de que todos os seres vivos cumprem um ciclo infinito – nascimento, morte e reencarnação – era um dos elementos básicos da religião hindu e foi aceita e confirmada pelos seus seguidores. O budismo encampou também a teoria do karma , uma espécie de lei cósmica, segundo a qual o comportamento virtuoso durante uma encarnação traria recompensa em encarnações futuras, enquanto uma conduta perversa implicaria em castigo. Outro ponto em que a doutrina budista permaneceu fiel às instituições religiosas hindus foi a renúncia às coisas terrenas e às paixões materiais, como meio para atingir a sabedoria e a perfeição. Ainda hoje os monges que se consagram ao cumprimento integral das normas budistas pautam sua vida por um desprendimento total: possuem apenas roupa que vestem e um rosário para suas orações. Dependem de caridade alheia até para comer. Embora concordando com o hinduismo no tocante aos objetivos espirituais, o budismo discordava dele em relação aos métodos para atingir tais objetivos.
As experiências de mortificação levaram Gautama à descrença no valor do ascetismo rigoroso que os religiosos praticavam e que lhe parecia exagerado e inútil. Dessa forma, suas pregações recomendavam a adoção do meio-têrmo: nem muito ascetismo, nem auto-indulgência. Comedimento, em sua opinião, era omelhor caminho para quem quisesse levar uma vida realmente sábia e virtuosa. Vendo em todos os homens a mesma potencialidade espiritual, Buda divulgou ensinamentos que, levados à prática, criariam uma sociedade de homens iguais. No sermão que fez no parque da cidade de Benares – um discurso que para os budistas tem valor igual ao que os cristãos atribuem ao Sermão da Montanha – o "iluminado" definiu com minúcia os caminhos a seguir para chegar à sabedoria da moderação e da igualdade. Antes de tudo, segundo ele, é necessário reconhecer que a dor é universal. E mais: que a causa reside no desejo de coisas que não podem satisfazer ao espírito. Mas a dor tem remédio – é outra verdade. E o sofrimento extingue-se quando o homem renuncia a esses desejos; já que as raízes destes se originam daignorância, a sabedoria é o melhor caminho para dominar a dor. Admitidas essas Quatro Verdades Nobres, o homem dispões dos elementos básicos para enveredar pela Senda das Oito Trilhas, que dele exigirão pureza de fé, de vontade, de linguagem, de ação, de vida, de aplicação, de memória e de meditação. Da terceira e quarta trilhas os seguidores de Buda mais tarde extraíram cinco preceitos muito parecidos com alguns mandamentos judaico-cristãos, pois também aconselham a não matar, não roubar, não cometer atos impuros e não mentir. E além disso, não beber líquidos inebriantes. Nos 45 anos em que pregou sua doutrina, por todas as regiões da Índia, o Buda mencionou sempre as Quatro Verdades e as Oito Trilhas, acrescentando ainda uma sentença, resumo de todo o seu pensamento – a Regra de Ouro: "Tudo o que somos é resultado do que pensamos". Um detalhe que chama a atenção quando se analisa o comportamento dos seguidores de Buda é o fato de que, embora não vinculados às coisas deste mundo, eles observam um profundo respeito pelas criaturas que nele vivem. E consideram viver em paz com seus semelhantes uma obrigação fundamental de todos os indivíduos. Esse espírito pacifista, que leva os monges budistas ao extremo de poupar até aos insetos, tem origem num ensinamento do próprio Gautama, que dizia: "O ódio não termina com ódio, mas com amor". Ao contrário do que acontece com outras religiões, o budismo nada exige de seus seguidores. Não há cerimônias de conversão, nem rituais de submissão; basta reconhecer as Verdades e seguir as Trilhas. Efetivamente, mais que um culto religioso, o budismo é uma atitude perante o mundo, uma técnica de comportamento, pela qual o indivíduo aprende a desapegar-se de tudo que é transitório, o que resulta em uma espécie de auto-suficiência espiritual. É esse desapego às coisas passageiras que faz com que os budistas vejam no Buda tão somente uma imagem encarnada do princípio da "iluminação". Para eles, antes de Gautama, houve muitos Budas. E muitos outros surgirão até o fim dos tempos. Assim, explica-se aquele aspecto distante e impessoal das imagens de Buda que se encontram nos templos asiáticos; não são representações realísticas de uma figura humana em particular, mas símbolos idealizados de uma entidade espiritual.

CONFÚCIO
China - 551 a.C. 478 a.C.

Estudar a pobreza na China era estudar a própria humanidade e foi assim que K'ung Fu-Tzu chegou a compreender a razão e a essência da vida: a virtude e a sabedoria. A virtude consistia em amar os seus semelhantes e a sabedoria significava compreendê-los. No entanto, era muito difícil conciliar ambas as coisas e foi em vão que tentou divulgar estes conceitos, pretendendo persuadir algum governante a adotar o ideal de justiça. Anos depois de sua morte, aquilo que ensinava aos pobres da cidade e aldeias, se tornaria numa das mais populares doutrinas da Ásia oriental, a ponto de influenciar a cultura e a civilização de centenas de milhões de pessoas. A doutrina jamais chegou a ser uma religião no sentido ocidental do termo. Primeiro, porque não tem Deus: venera os ancestrais, reconhece a superioridade dos sábios – mas é só. Segundo, porque não tem templos: cada lar é o templo onde se honram os antepassados da família. Terceiro, porque não tem sacerdotes: o chefe da família é automaticamente sacerdote da família. E quarto, porque desconhece qualquer dogma ou livro santo: pode um livro conter toda a sabedoria do mundo? E será possível excluir os sábios que podem surgir no futuro? Decerto, existe céu – sobrenatural e misteriosa fonte da verdade e da bondade. Mas a sua essência escapa ao homem, que somente pode aproximar-se dela através da educação e do estudo. Assim, o estudo – e não o céu ou a religião – é a autoridade suprema, pois só através de estudo é que o homem é capaz de desvendar, em parte, a essência da vida. A essência da vida é jen, palavra de significado múltiplo, que significa: humanidade, bondade, compreensão, amor. A evolução do confucionismo foi barrada e fixada num conceito que diz: "O céu é meu pai, a terra é minha mãe, todos os homens são meus irmãos, todas as coisas são minhas companheiras".

ÉSQUILO
Grécia - 525 a.C. 456 a.C.

Ésquilo ocupa com Sófocles e Eurípedes, o primeiro plano do teatro grego, sendo considerado o "pai da tragédia", por haver dado maioridade literária ao gênero. Segundo a tradição, participou como soldado de várias batalhas (Maratona, Artemísio, Salamina e Platéia) da guerra greco-pérsica. Sua produção dramática chegou-nos muito desfalcada. É tradição que Ésquilo morreu esmagado por uma tartaruga que uma águia deixou escapar de seu
bico em pleno vôo. Entre suas obras, destacam-se: Prometeu Agrilhoado, Os Persas, Os Sete Chefes Diante de Tebas, Agamenon, As Coéforas, As Eumênides, estas três últimas formando a trilogia conhecida pelo nome de
Oréstia e as Suplicantes. Essencialmente lírica, a tragédia esquiliana é a encenação da agonia e do terror, em que os tiranos são sempre castigados por abusarem da violência.

SÓFOCLES
Grécia - 496 a.C. 406 a.C.

Com apenas vinte anos, saiu vencedor numa competição em que tinha por adversário o genial Ésquilo. A partir dessa época, sobressaiu-se na tragédia. Sófocles introduziu alguns progressos na arte dramática, restringindo a ação quase absoluta, até então, do coro, imprimindo rapidez ao desenvolvimento e dando relevância aos efeitos. Graças às modificações por ele introduzidas, à versatilidade de seu gênio e à malealidade e naturalidade que soube emprestar à linguagem trágica, ainda hoje pode ser representado e aplaudido em nossos teatros. Universalmente conhecida é a história de Édipo: um oráculo deu a saber a Laio, rei de Tebas, que o filho que nascesse de Jocasta, sua mulher, haveria de mata-lo. Para prevenir-se disto, quando lhes nasceu Édipo, Laio mandou expô-lo no monte Citeron. Édipo foi levado por pastores ao rei de Corinto, que o educou como um príncipe. Tendo-se feito homem, consultou um oráculo acerca de seu destino, e recebeu o conselho de não retornar à sua pátria onde fatalmente mataria seu pai e desposaria sua mãe. Julgando ser Corinto sua pátria, Édipo exilou-se, porém encontrou Laio em seu caminho e, originando-se briga entre eles, matou-o. Tebas era, na época, devastada pela Esfinge, que devorava quem não lhe decifrasse um enigma que propunha, razão pela qual Creonte, sucessor de Laio, prometeu o trono e a mão de Jocasta a quem destruísse o monstro. Édipo decifrou o enigma que a Esfinge lhe propôs (1) e esta atirou-se ao mar. Feito rei de Tebas, desposou sua própria mãe, sem que ambos soubessem dessa terrível fatalidade. Quando descobriram, Jocasta suicidou-se, enforcando-se e, Édipo arrancando seus próprios olhos, partiu de Tebas guiado por sua filha Antígona.(1) Enigma da Esfinge a Édipo: "Qual o animal que anda sobre quatro pés de manhã, sobre dois ao meio dia e sobre três à noite? – Resposta de Édipo: "O Homem: infante, adulto e velho". Suas obras: Antígona, Eletra, As traquínias, Rei Édipo, Ajax, Filoctetes e Édipo em Colona.

PÉRICLES
Grécia - 495 a.C. 429 a.C.

É considerado o maior orador ateniense de seu tempo. Foi o maior dirigente da democracia ateniense ,tendo-se reelegido durante mais de trinta anos e chefiado o Estado de 443 a 429 a.C. Tornou-se expansionista, com o monopólio do comércio marítimo e tripudiando sobre os membros da Confederação de Délia, seus aliados. Provocou a guerra de Peloponeso contra os espartanos. Lutou pela supremacia ateniense sobre os Estados gregos criou uma poderosa confederação de cidades, mas os desastres da Guerra do Peloponeso levaram à sua queda em 430 a.C. Embora reintegrado no poder, morreu logo depois, na peste que assolou a região. O período de seu governo marca o clímax da cultura grega da Antiguidade e ficou conhecido como "o Século de Péricles".

EURÍPEDES
Grécia - 480 a.C.406 a.C.

É o último da trilogia dos maiores poetas gregos. Na sociedade de Atenas, corroída pelo ceticismo, já não havia grande interesse pelas ações dos deuses, então desacreditados. Eurípedes compreendeu essa particularidade de seu tempo, e fez com que seus personagens vivesse dramas passionais, próprios da pessoa humana. Assim, deu preferência aos temas de amor, aliás, preferido pelos poetas gregos, desde o rapto de Helena, que originou a guerra de Tróia. A figura humana adquire, em seus dramas, importância maior que a dos deuses. Ele estuda os sentimentos e paixões da alma. Suas obras principais são: Ifigênia em Taurida, Ifigência em Aulida, Alceste, Electra, Hipólito, As Troianas, as Bracantes, Ion, Andromoca, Medéia .

SÓCRATES
Grécia - 469 a.C.399 a.C.

Nasceu em Atenas e apesar dos poucos recursos da família, pode adquirir boa cultura e servir o exército como hoplita (soldado de infantaria inteiramente equipado à própria custa). Combateu em várias batalhas e, sozinho, com perigo de vida, recusou-se a ceder à imposição do povo no processo contra os estrategos de Arginusas e à ordem dos Trinta para prender Leon de Salamina. Foi acusado por três atenienses de corromper os jovens, negar os deuses da cidade e introduzir o culto de seres demoníacos. Por esses crimes, pediram a morte do pensador.
Sócrates teve que esperar no cárcere, com os pés acorrentados, a volta da nave sagrada que partira para Delos, pois durante sua ausência ninguém podia ser executado. Por motivos éticos, recusou aceitar a fuga que haviam preparado para ele. Na hora da morte, quando bebia a cicuta que o envenenaria, ainda consolou os amigos que choravam: "Não, amigos; tudo deve terminar com palavras de bom augúrio: permanecei, pois, serenos e fortes". Platão comenta: "Assim morreu nosso amigo, podemos dizer, o homem melhor, mais sábio e mais justo de quanto conhecemos". O filósofo não deixou nada escrito e as informações sobre sua vida e suas idéias são dadas por seus discípulos e adversários – o magistério socrático exigia o diálogo vivo e livre e não podia exercer-se mediante obras escritas. Os estudiosos de Sócrates tendem, cada vez mais, a ver no pensador uma atitude religiosa básica à qual estariam ligadas duas outras: a do herói moral e a do fundador da filosofia especulativa. Para ele, o maior de todos os bens era a purificação da alma através do culto da filosofia. "A vida sem exame é indigna do homem", dizia, e o conhecimento de si mesmo a própria essência da virtude. A ignorância que se desconhece é, para ele, a raiz de todos os erros. Contra ele se volta a primeira parte da ironia socrática, chamada refutação, destinada a suscitar a vergonha , quer dizer, o desejo de purificação. A segunda parte do método socrático é a maiêutica (arte do parto). Mediante perguntas adequadas, o mestre leva o discípulo a desenvolver um poder espiritual intrínseco e a ascender à verdadeira sabedoria que, de certa forma, já existia em seu espírito. Trata-se de despertar na inteligência o que lá existe em potencial.

DOUTOR HIPÓCRATES – O PAI DA MEDICINA
Grécia - 460 a.C. 357 a.C.

O juramento pronunciado pelos médicos de todo o mundo, ao iniciarem a profissão, resume uma fórmula antiquíssima , atribuída a Hipócrates: "Prometo que, ao exercer a medicina, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência; penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos e minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra; nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, gozem para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens. Se o infringir, ou dele me afastar, suceda-me o contrário". Hipócrates viveu no século V a.C. e determinou normas de comportamento para os médicos que são válidas em todas as épocas, sejam quais forem os progressos da ciência. A ele são atribuídos os seguintes escritos: O juramento, Tratado sobre o Mal Sagrado, Os Ares, as Águas e os Lugares, O Prognóstico, o primeiro e terceiro livros do Tratado sobre Epidemias, A Medicina Antiga e os Aforismos. A coleção Hipocrática está entre as primeiras obras que abordam a medicina como ciência natural e experimental. Ele separou a medicina da filosofia, tirando-a do caminho da especulação abstrata para coloca-la na trilha do estudo racional. Em outras palavras, recorreu à razão para avaliar os dados extraídos da experiência. Hipócrates estabeleceu os passos principais a serem seguidos pelo médico: primeiro, descobrir os sintomas ou sinais da doença; depois, o diagnóstico, ou seja, a identificação da moléstia; em seguida, a terapia, isto é, os meios de cura.

DEMÓCRITO
Grécia - 460 a.C. 370 a.C.

Depois que Tales concluiu que o princípio de todas as coisas é água e quando ainda muitos acreditavam que os quatro elementos – ar, terra, água e fogo – eram "as raízes de todas as coisas", Demócrito sustentava que a coisa mais simples de que são feitas todas as outras era o átomo (de átomos = indivisível). Surgiram outras teorias, mas a sua resistiu a seus impactos até quando, em 1897, o físico inglês Joseph John Thomson demonstrou que no interior dos átomos haviam partículas ainda menores. Foi quando nasceu o elétron.

TEMPLO DE DIANA – MARAVILHA DO MUNDO
Ásia Menor - 450 a.C.

O motivo de orgulho para os gregos da época, o Templo de Diana/Ártemis, localizava-se na antiga cidade de Éfeso. A construção desta maravilha iniciou-se por ordem do conquistador Creso, rei da Lídia. A mais antiga edificação desse templo, reconstruído várias vezes, foi iniciada por volta do século X a.C. Famosa foi a reconstrução realizada por Ctesifonte. Media 129 metros de comprimento e era sustentado por 127 colunas em estilo jônico, todas com 18 metros de altura e um diâmetro de 2 metros. Muitas dessas colunas eram decoradas com escultura. No interior do templo, encontravam-se estátuas do escultor grego Praxíteles e algumas das mais famosas pinturas da antiguidade. Os tesouros oficiais eram guardados nos seus subterrâneos. Na noite de 21 de julho de 356 a.C., um homem chamado Eróstato, que vivia da generosidade dos peregrinos, ateou fogo ao templo com o objetivo de imortalizar seu nom. Na mesma noite nascia Alexandre, o Grande, e segundo o historiador romano Plutarco, a deusa estava tão ocupada com o nascimento de Alexandre, que não teve tempo de ajudar seu templo ameaçado. O templo foi reconstruído por Alexandre, o Grande, e em 401 d.C. foi demolido por São João Crisóstomo. Os restos do suntuoso edifício transformaram-se em pedreira, e os habitantes da aldeia local utilizaram suas pedras para construção de suas casas.

PLATÃO
Grécia - 427 a.C. 347 a.C.

Nasceu e faleceu em Atenas e seu nome era Aristocles, mas tornou-se conhecido como Platão devido aos seus ombros largos. Entrou cedo para a vida pública, no grupo aristocrático. Viajou muito e, de regresso a Atenas, em 387 a.C., fundou sua academia, com o objetivo de preparar uma nova classe dirigente. Visitou duas vezes Siracusa, onde tentou participar da política, sem êxito. Suspeito de conspiração, foi preso. Em 360 voltou para Atenas. De sua obra restam 30 diálogos, sobre assuntos éticos, políticos, gnoseológicos e metafísicos, divididos em dois grupos: o socrático e o platônico. Do primeiro, fazem parte: Apologia (sobre a morte de Sócrates), Protágoras (sofistas), Mênon (virtude). Do segundo, Banquete ou Simposium (amor), Fédon (imortalidade da alma), Republica (justiça), Fedro (beleza), Parmênides (idéias), Timeu (natureza) e Leis (política). Sua filosofia parte de uma temática socrática, onde a discussão e a argumentação são partes essenciais do que resulta o auto-conhecimento . A dialética vai aos poucos transformando-se num método impessoal, com que se buscam as realidades em si. Com o método da purificação, de índole socrática, faz-se a investigação dos conceitos, que vai libertando a alma para que ela possa ter intuição das Idéias (a realidade autêntica). Nesta ascese, que leva à ciência, o conhecimento humano passa por fases intermediárias (assim como há fases intermediárias entre o ser e o não ser). Baseado inicialmente em conjeturas e crenças (mito), forma a opinião, o conhecimento sensível. Depois, desenvolve as imagens sensíveis e a definição de conceitos, o conhecimento racional (matemática e geometria). A hierarquia do conhecimento (e da realidade) se sustenta, em última análise, na Idéia do Bem, objeto de contemplação do filósofo, último grau do conhecimento, sabedoria. O princípio fundamental de Platão é a teoria das Idéias, objeto da Filosofia. Extremamente complexa, a definição de Idéia não é apenas a de conceito abstrato, ou de noção especializada, é o supremo grau de realidade que existe em si mesma, dotada de vida, constituindo seu mundo à parte, o único real, objeto de contemplação do filósofo e origem do mundo sensível. A idéia é sempre apresentada metaforicamente. O que conhecemos através da opinião e da ciência é o mundo sensível, pálida cópia do mundo inteligível, formado por um princípio infinito, a matéria, princípio da corrupção dos corpos e elementos através do qual o demiurgo plasma o universo, depois de ter contemplado o mundo ideal. Para Platão, a missão do filósofo que conhece o mundo inteligível, é antes de tudo, ética, educativa, política e social, pois, conhecendo a Idéia do Bem, será o único capaz de dirigir o Estado e de conhecer o lugar de cada indivíduo e de cada classe na sociedade. Este lugar é determinado pela justiça, que estabelece a harmonia entre as classes sociais (artesãos e comerciantes, guerreiros e filósofos), cabendo aos filósofos os encargos públicos, aos guerreiros a defesa nacional, e aos comerciantes a subsistência material. O Estado em sua concepção deve manter o absolutismo do poder (totalitarismo), promover a igualdade entre os sexos, suprimir a família e a sociedade privada e incumbir-se da educação da juventude, preparando-a, segundo suas aptidões, para o futuro exercício de suas funções que lhe couberem na vida social.
Chama-se platônico, a tudo que tem caráter ideal, de transfiguração ou estetização da realidade. Neste sentido, diz-se amor platônico do sentimento amoroso que se manifesta através da comunicação das almas, excluindo o contato carnal, e que enaltece a figura da pessoa amada.

DIÓGENES
Ásia Menor - 412 a.C. 323 a.C.

Filósofo grego, filho do administrador da Casa da Moeda. Foi para Atenas e recebeu ensinamentos de Antístenes, criador da Escola Cínica. Defendeu os princípios extremados do naturalismo e sempre condenou o convencionalismo social e ostentações. Segundo sua filosofia, todos deveriam viver em ampla liberdade, tendo como parâmetro a própria natureza. Diógenes andava descalço, vestia apenas uma capa esfarrapada e dormia nas soleiras dos portais. Durante muito tempo fixou residência num tonel pertencente ao templo de Cibele. Ironizando Platão, que classificou o homem de "bípede implume", Diógenes atirou-lhe um frango depenado e exclamou: "Eis aí o homem". Descrente da humanidade à qual devotava profundo desprezo, ele era visto, muitas vezes, percorrendo as ruas de Atenas munido de uma lanterna acesa, em plena luz do dia, buscando – dizia – "um homem honesto".
Pela filosofia que pregava, pelo modo de viver e principalmente por revelar espírito causticante, era conhecido pelo cognome de O Cínico.

ARISTÓTELES
Grécia - 384 a.C. 322 a.C.

Foi discípulo de Platão durante 20 anos, à diferença deste, Aristóteles desenvolve seu pensamento em extensão, abrangendo todas as formas de saber da época. Um ano após a aclamação de Alexandre, o Grande, de quem fora tutor, fundou em Atenas o Liceu, onde ensinava passeando. Com a morte de Alexandre, foi acusado de irreverência aos deuses tradicionais, e exilado. Seu realismo moderado considera como única fonte do conhecimento a experiência sensível; sobre os dados desta, a inteligência age para, mediante a abstração, atingir a essência dos seres. A teoria fundamental aristotélica é a do Ato e Potência, com que busca solucionar o velho problema pré-socrático da conciliação entre a permanência do ser e o movimento, a mudança evidenciada pelos sentidos. Todos os seres são compostos de ato e potência, exceto Deus (ato puro) porque é perfeito e imutável. O movimento, a mudança, consistem na passagem de uma potência (o que o ser é virtualmente, capacidade, aptidão) a ato (sua realização, consumação, perfeição). Nem o movimento, nem as mudanças modificam a essência, porque o ser não se transforma em nada que já não fosse antes (em potência). O primeiro movimento, o impulso inicial foi dado pelo Motor Imóvel (Deus, Ato Puro). A teoria do Ato e Potência é complementada pela da Matéria e Forma, que explica as diferenças e semelhança entre os seres. Todos os seres concretos têm a mesma matéria prima. Esta é indeterminada e constitui o princípio da corporeidade dos seres concretos. Quem dá determinação à matéria-prima é a forma, o princípio que faz com que todos os seres sejam inteligíveis. Matéria e forma estão separadas apenas em nossa mente, na natureza elas estão unidas. A Metafísica de Aristóteles acha-se intimamente ligada à sua Lógica, que é a codificação das leis, que não só regem o pensamento, mas também (realismo) articulam a realidade. No organom, instrumento para pensar corretamente, desenvolve a ciência platônica da definição, acrescendo-a de trabalhos sobre a indução, o silogismo, os princípios lógicos, etc. A política descreve três tipos de governo: o de um só indivíduo, monarquia, cuja doença é a tirania, o dos melhores, aristocracia, cuja doença é a oligarquia; o de todos, democracia, cuja doença é a demagogia. Para Aristóteles, "o homem é um animal político", pois ocupa-se dos negócios da polis, sociedade, o que o distingue dos outros animais. E sua felicidade consiste no equilíbrio, que é racional, no meio termo: a áurea mediana. Da obra de Aristóteles conhecemos 22 tratados sobre: Lógica, Filosofia, Metafísica, Física, Biologia, Psicologia, Política, Belas-Artes.

ALEXANDRE O GRANDE
Macedônia - 21/07/356 a.C. 00/00/323 a.C.

Brilhante como político, diplomata e estrategista, Filipe II, o principal responsável pelo sucesso do filho, Alexandre, que entrou para a história com o nome de "o Grande" ou "o Magno", permanece contudo em segundo plano, relegado à condição de "pai de Alexandre". No entanto, sua energia fez da Macedônia um estado forte, capaz de derrotar militarmente não só as cidades-estado da Grécia, mas iniciar a expansão que seu filho daria seguimento.
Durante os treze anos de seu reinado (336-323 a.C.), Alexandre, conquistou o Egito, a Mesopotâmia, a Síria, a Pérsia e chegou até a Índia. Com a Macedônia e a Grécia, estas regiões formaram o maior império até então conhecido. Embora a unidade política de tão formidável império praticamente não sobrevivesse ao seu fundador, essas conquistas ajudaram a forjar uma nova civilização: a Helenística. Adotado o grego como língua comum, iniciou-se um processo de interpenetração cultural, onde algumas instituições permaneceram próximas ao padrão grego e em outras prevaleceram elementos orientais. Com Alexandre, estabeleceu-se definitivamente o domínio macedônico sobre a Grécia. Invasões persas e conflitos internos haviam enfraquecido as cidades gregas, outrora poderosas. Algumas dessas cidades foram violentamente subjugadas pelo poderio militar de Alexandre, enquanto outras se submeteram de forma pacífica. A submissão aos macedônios, povo influenciado pela cultura grega, foi encarada por alguns líderes gregos como uma salvação: aceitando o poderoso governo da Macedônia, a Grécia afastava o perigo do domínio dos persas, que eram hostis à cultura grega. Embora governasse despoticamente, Alexandre, que havia sido educado pelo filósofo Aristóteles, admirava a cultura grega e mostrou-se indulgente para com os gregos abastados que aceitaram sua liderança. Essa estratégia de conseguir apoio das classes dominantes foi utilizada pelo líder macedônico em todas as suas conquistas.

MAUSOLÉO DE HALICARNASSO – MARAVILHA DO MUNDO
Ásia Menor - 352 a.C.

Este monumento foi construído para servir de túmulo a um rei chamado Mausolo, do qual tomou o seu nome. Atualmente, por mausoléu designa-se genericamente todo e qualquer túmulo muito grande e majestoso. Apesar de medir 123 metros de circunferência por 42 de altura, não foi o maior túmulo da antiguidade, mas foi o mais belo.
O majestoso túmulo era rodeado de colunas, coberto por um telhado feito de degraus, dando uma impressionante sensação de grandiosidade.

EUCLIDES
Grécia - 323 a.C. 285 a.C.

Foi o matemático sistematizador da geometria elementar. Fundou a escola de Alexandria, onde lecionou matemática. Sua obra Stoikhéia (Elementos), foi a primeira axiomatização dos fundamentos da Aritmética e da Geometria a ser utilizada como livro básico no ensino de Matemática, por mais de dois mil anos. Somente no século XIX, com as descobertas das geometrias não-euclidianas (Reimann Lobatchevski) é que os postulados euclidianos se revelaram insuficientes. Admitindo-se como falso o postulado: "por um ponto pode-se traçar uma única paralela a uma reta", fizeram-se tentativas para encontrar contradição lógica na teoria euclidiana, o que jamais foi alcançado. Euclides escreveu ainda: Optiká (Óptica), Dedoména (Dados) e Porísmata (Porismas). Para Euclides, a geometria era uma ciência dedutiva que operava a partir de certas hipóteses básicas – os axiomas. Estes eram considerados óbvios e, portanto, de explicação desnecessária. Só no século XIX os matemáticos resolveram questiona-los e as novas concepções , que se tornaram conhecidas pelo nome de "teorias não euclidianas", permitiram às ciências exatas do século XX uma série de avanços, entre os quais a elaboração da Teoria da Relatividade de Einstein, o que veio provar que essas teorias, ao contrário do que muitos afirmavam, tinham realmente aplicações práticas.

COLOSSO DE RODES – MARAVILHA DO MUNDO
Grécia - 292 a 280 a.C.

Era uma gigantesca estátua de bronze que os habitantes de Rodes (ilha do mar Egeu) ergueram na embocadura do porto. Representava o deus do sol, Hélios, e foi fundida por Charles de Lindos. Tinha cerca de 30 metros de altura, pesava cerca de 70 toneladas e no seu interior havia uma escada em caracol. Em 224 a.C. foi derrubada por um terremoto. Mas seus destroços só desapareceram definitivamente no fim do século VII. Até então, eram vistos pelos que passavam no local.

ARQUIMEDES
Grécia - 287 a.C. 212 a.C.

Arquimedes era filho de um famoso astrônomo chamado Fídias, que costumava reunir em casa a elite local de filósofos e homens de ciência, para trocarem idéias e discutirem seus trabalhos. Dessa forma, desde cedo o menino tomou contato com o mundo das idéias e por ele se entusiasmou. E foi assim, até que um dia a sua Siracusa tornou-se pequena para ele. Queria ir além no domínio da geometria e das matemáticas, e já não havia na cidade quem tivesse o que lhe ensinar. O centro intelectual do mundo, nessa época, transferira-se de Atenas para a Alexandria, que, embora no Egito, era culturalmente grega, de modo que o jovem Arquimedes não teve dúvidas: mudou-se para lá. Tomou contato com o que de mais havia de mais avançado na ciência do seu tempo, convivendo com matemáticos e astrônomos, entre os quais, o famoso Erastótenes de Cirene, o homem que fez o primeiro cálculo da circunferência da Terra. A tradição celebrizou Arquimedes como um dos grandes gênios mecânicos da Antiguidade. Mas a herança deixada pelo exótico sábio abrange muitos outros campos além da criação de engenhos e maquinismos. Em física, além de estudar as propriedades dos líquidos e da luz, dedicou-se ainda à investigação da natureza das forças e do seu aproveitamento, tendo escrito um alentado trabalho a respeito – "O Tratado das Alavancas". Em matemática, descobriu uma série de princípios que permitiram o cálculo diferencial, isto é, o estudo da velocidade, da aceleração e das forças que lhes são proporcionais. Suas pesquisas em geometria, reunidas numa obra intitulada "O Método", demonstraram que Arquimedes tinha um surpreendente conhecimento a respeito de superfície e volumes. Geometria, por sinal, parece ter sido o assunto que mais o atraia. Tanto que, quando amigos lhe perguntaram o que deviam mandar gravar em seu túmulo, o sábio determinou que fosse uma esfera inscrita num cilindro. Segundo ele próprio, nada simbolizaria melhor o seu trabalho. Certa vez, o rei mandou que um artesão confeccionasse uma coroa para presentear o Rei Ptolomeu do Egito; quando ficou pronta, desconfiou da honestidade do tal artesão e pediu que Arquimedes o ajudasse a demonstrar suas dúvidas. Após um banho de piscina, Arquimedes percebeu que o nível da água da piscina subia cada vez que entrava nela. E, naquele dia, ao reparar que seu corpo ficava mais leve quando submerso, encontrara a solução para o enigma, bem como a forma de enuncia-lo, que era a seguinte: "Qualquer corpo mais denso que um fluido, ao ser mergulhado neste, perderá peso correspondente ao volume de fluido deslocado". Tal descoberta, o levou a sair correndo sem roupas da piscina gritando pelas ruas: "Eureka, Eureka", que significa achei. Após comparar a coroa com a mesma quantidade de ouro que o rei havia mandado para o artesão confecciona-la, através do mergulho em uma bacia, constatou-se que o rei tinha razão em sua desconfiança.

ERATÓSTENES
Grécia - 284 a.C. 192 a.C.

Astrônomo e matemático da escola de Alexandria que avaliou pela primeira vez o comprimento da circunferência da Terra (252.000 estádios, ou seja, 40.000.000 metros), com medições originais mediante a aferição da amplitude do arco de circunferência entre Siena e Alexandria. Traçou os primeiros mapas com longitudes e latitudes. Foi o inventor também de um sistema para determinação de números primos, chamado "Crivo de Eratóstenes". Por volta de 220 a.C. muita gente já achava que a Terra era redonda, mas ninguém sabia dizer qual a medida de sua circunferência. Inconformado com esse estado de coisas, mas também comodista, Erastótenes tratou de resolver o problema sem ter que sair de casa, utilizando-se do sol. Para tanto, raciocinou assim: Syene e Alexandria situavam-se quase sobre o mesmo meridiano – linha equivalente à circunferência da Terra. Syene ficava praticamente sobre o Trópico de Câncer; portanto, no dia de solstício de verão, ao meio dia, os raios solares incidiam perpendicularmente – ou seja, a 90º - sobre a cidade. No mesmo dia, à mesma hora, ficavam a 81º sobre Alexandria, afastada 5000 estádios (1000 km) de Syene. Vendo que a um segmento de circunferência medindo 5000 estádios correspondia uma diferença de 9º na incidência de raios solares, Erastótenes precisou apenas fazer uma regra de três simples para achar o correspondente a 360º da circunferência terrestre.

FAROL DE ALEXANDRIA – MARAVILHA DO MUNDO
Egito - 279 a.C.

Considerada uma das maiores produções da técnica da antiguidade. Foi construído pelo arquiteto grego Sóstrato de Cnido na ilha de Faros, em frente à cidade de Alexandria. Neste primeiro farol obtinha-se a luz acendendo em seu cume uma grande fogueira utilizando, provavelmente, estrume seco, e um jogo de espelhos de bronze. O efeito era tão grandioso que, segundo relatos da época, era como se um sol brilhasse à noite. Por mais de cinco séculos guiou todos os navegantes num raio de 55 quilômetros da antiga cidade egípcia. Dele nasceu o nome com o qual se designam hoje estas torres que dão sinais aos navegantes. Essa obra, feita toda em granito, começou a ruir no século IV, quando terremotos e deslizamentos tragaram boa parte de Alexandria, acabando com o brilho da "cidade dos mil palácios".

JÚLIO CESAR
Itália - 00/00/100 a.C.15/03/44 a.C.

Estadista e general romano. Jovem ainda, apoiou os "populares" (anti-senado), contra os optimates (conservadores). Depois de assumir seu primeiro comando militar na Espanha, volta a Roma onde se elege cônsul e forma o Primeiro Triunvirato com Pompeu e Crasso. Nomeado pretor na Gália transalpina, anexou-a ao Império Romano, depois de uma campanha militar de oito anos. Foi sua mais importante conquista histórica, decisiva para o destino da Europa Ocidental. O Senado, por temer a popularidade de César, destituiu-o do comando e encarrega Pompeu de defender a República. César envia um ultimato ao Senado e exige que Pompeu se afaste do cargo ou lhe dê parte das províncias na Espanha. O Senado recusa. César atravessa o rio Rubicão (limite da Província Cisalpina), afirma que "a sorte está lançada" e começa a guerra civil. Em 48, consegue derrotar Pompeu. Dominada a crise política no Oriente, permanece no Egito, atraído por Cleópatra. Em 45, na Batalha de Munda, derrota os filhos de Pompeu, que dominavam a Espanha. Regressa a Roma para celebrar as vitórias e organizar a República. Em 44 proclama-se ditador e reforma o calendário que foi usado em todo o mundo ocidental até 1582. Sua administração se caracterizou pela eficiência e predomínio de idéias liberais e pragmáticas. Quando preparava-se para conter a ameaça dos dácios no Norte da Grécia, foi atraído pelos conspiradores para um reunião no Senado e ali foi morto com 21 punhaladas. Ferido, ao ver entre os assassinos seu amigo, profere: "Até tu, Bruto, meu filho?"

JESUS CRISTO
Judéia - 04 a 06 a.C. 07/04/0030 - Sexta-feira
O nascimento de Cristo

Foi Dionísio Exíguo, monge que viveu no século VI d.C. que atribuiu o começo da era cristã a 1º de janeiro do ano 1 d.C. Era o quadragésimo sexto ano do calendário reformado de Júlio Cesar, e o ano 754 da fundação de Roma. Ele quis com isso, fazer valer a tradição de que Cristo teria nascido em 25 de dezembro do ano 1 a.C. Em Lucas 2:1,2 está escrito que o nascimento de Jesus teve lugar em Belém e que José e Maria teriam ido ali para se alistarem quando do recenseamento romano. Os recenseamentos eram feitos a cada quatorze anos e se foi seguido um padrão, um deles pode ter ocorrido em 8 a.C.; mas como a tarefa de organizar o recenseamento levava um certo tempo para se concretizar nas províncias mais distantes, pode-se dizer que tenha ocorrido naquela região um ou dois anos mais tarde. Se Herodes faleceu no ano 4 a.C., portanto, Jesus nasceu antes desta data, pois em Mateus 2:16 está também escrito: "Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente, e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos." Logo, Jesus nasceu depois do ano 4 a.C. e antes do ano 6 a.C.
Em Lucas 1:26 está escrito: "no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava Maria." Ora, o sexto mês é o mês Elul do calendário religioso, correspondente também aos meses de agosto e setembro do calendário juliano/gregoriano. Levando-se em conta o tempo de gestação de 38 semanas, chegamos enfim a uma data aproximada do nascimento de Cristo, que seria o mês Sivã, entre os meses de maio e junho. Isso se reforça pelo registros de Lucas 2:8 "havia naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite". Como sabemos, é quase começo de verão no hemisfério norte nos meses de maio e junho e, portanto, com noites não tão frias como seriam se fosse no mês de dezembro e pastor nenhum ficaria ao relento ou deixaria também o seu rebanho. O ministério de Jesus Lucas nos prestou a seguinte informação a esse respeito quando escreveu: "3:1 – no décimo-quinto ano do reinado de Tibério Cesar (imperador romano), sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia..." João Batista está pregando perto do rio Jordão e batiza Jesus. Se Tibério reinou entre os anos 14 a 37 d.C, logo, Jesus foi batizado no ano 29 d.C. Entretanto, a maioria dos cronologistas, acredita que Lucas se referia ao tempo em que Tibério tornou-se co-imperador com Augusto, o que sucedeu em 11 d.C. Se esta informação é exata, então Jesus teria sido batizado em 26 d.C. e estaria conforme Lucas 3:23 com cerca de trinta anos. Sabe-se, porém, que na sociedade judaica, os homens não ocupavam posições de liderança enquanto não chegavam aos trinta anos de idade, o que significa que Jesus, na realidade, tinha um pouco mais de trinta anos ao dar início ao seu ministério. Os intérpretes procuram calcular a duração do ministério do Senhor observando quais e quantos feriados religiosos são mencionados nos evangelhos. Mas, logo surge o primeiro problema quando se considera que o evangelho de João menciona várias dessas festas religiosas que não figuram nos evangelhos sinópticos. Já em João 6:4 encontramos uma páscoa que não figura nas narrativas sinópticas. Alguns eruditos textuais supõem que isso representa uma adição escribal ao evangelho de João, embora não haja qualquer evidência em favor disso, nos manuscritos. Outros eruditos opinam que os informes de João sobre festividades não indicam qualquer cronologia, visto que o quarto evangelho não é ordenado em forma cronológica. Isso significaria que os feriados específicos mencionados estão cronologicamente fora de ordem, ou então, que tais feriados são totalmente artificiais, sendo meros artifícios literários, para ornar os ensinamentos de Jesus. Seja como for, se seguirmos somente os feriados mencionados em Mateus, Marcos e Lucas, obteremos um ministério de apenas um ano para Jesus. Se hoje, com todos os recursos da mídia eletrônica, uma pessoa saísse pregando ou fazendo prodígios, ainda assim, levaria um tempo considerável para arrebatar seguidores, ou mesmo, simpatizantes que o quisessem acompanhar. Se imaginarmos as dificuldades de locomoção daquela época, é pouco provável que Jesus conseguisse em um ano apenas tantos feitos e contagiasse tanta gente até os dias de hoje. O mais aceitável, é que tenha pregado, pelo menos, de três a quatro anos. A crucificação de Cristo se considerarmos que Jesus nasceu entre 4 e 6 a.C., foi batizado no ano 26 d.C. e seu ministério prolongou-se por três anos, então o ano de sua crucificação seria o ano 29 d.C. O dia é mesmo mais fácil de ser fixado do que o ano, pois sabemos que foi numa sexta-feira, na época da páscoa. Sabemos que a páscoa é comemorada no primeiro domingo de lua cheia após o dia 21 de março. Usando o calendário perpétuo de lunações, consegue-se determinar o dia em que a lua nova surgiu no céu. No mês de março do ano 29 d.C., a lua nova apareceu no dia 3; somando-se quinze dias para saber em que dia começa a lua cheia, chega-se em 18 de março, portanto, antes de 21 de março. Já no mês de abril do mesmo ano, ela acontece no dia 02, somando-se os quinze dias para saber a lua cheia, chega-se portanto ao dia 17 de abril e esse dia foi um domingo, portanto, dia de comemoração da páscoa. Então, se Jesus foi crucificado no ano 29 d.C., teria sido no dia 15 de abril, sexta-feira. Usando os mesmos métodos para o ano 30, considerando quatro anos de ministério, conclui-se que o domingo de páscoa foi no dia 09 de abril e a crucificação teria sido no dia 07 de abril, sexta-feira.

PLUTARCO
Grécia - 00/00/046 00/00/120

Escritor grego. Ensinou Filosofia em Roma e quando voltou à pátria, foi sacerdote do Santuário de Delfos. Escreveu Vidas Paralelas, 46 biografias, em que geralmente um grego é posto em paralelo com um romano; Morais, que versam sobre assuntos vários, filosofia, religião, inclusive moral. Sem as suas informações, a posteridade desconheceria aspectos importantes das vidas de Péricles, Temístocles, Alcibíades, Pompeu, César, Bruto, etc.

MAOMÉ
Arábia - 00/00/570 08/06/632 - Segunda-feira

A palavra islam significa "submissão à vontade divina". Muçulmano é aquele que se submete à verdadeira fé. Civilização islâmica é portanto, a civilização dos países árabes de religião muçulmana e daqueles que foram conquistados durante a expansão. A história do Islam começa com Muhammad (Maomé). Maomé nasceu em Meca e foi comerciante até os 40 anos e tivera, como condutor de caravanas, contato com cristãos e judeus e assim conhecera religiões que cultuavam um só Deus. Acreditando no monoteísmo, adaptou-o ao seu povo e lutou para converter a Arábia à sua fé, que aceitou como dogma a existência de um só Deus, com Maomé como seu apóstolo e profeta. Maomé era sem dúvida um grande místico , mas também um líder político que conhecia a realidade de seu país e compreendera que sua unidade estava na dependência de um ideal comum. Meca, além de centro de peregrinação, era um entreposto comercial entre Arábia e terras do oriente: Índia e China. Uma oligarquia mercantil detinha o poder dominando a Caaba, templo no qual os árabes – nômades ou sedentários – adoravam a Pedra Negra. Maomé contrapôs-se aos comerciantes, defendendo os oprimidos e os pobres. Por isso, em 16 de julho de 622 (Sexta-feira) foi obrigado a fugir de Meca para Iatreb (mais tarde Medina), "a cidade do profeta". Esta data até hoje é venerada como a Hégira, o início da era muçulmana. Em Medina ele foi bem recebido: o prestígio econômico deslocava-se já para essa cidade que com simpatia aceitou a possibilidade de se transformar também no centro religioso em detrimento da concorrente Meca. Nos 10 anos que separam sua fuga e sua morte, Maomé converteu a maioria das tribos árabes, às vezes usando a força por meio dos exércitos que formara e impôs aos convertidos uma série de leis morais e civis, compiladas no livro sacro denominado Alcorão, que prometia aos bons e corajosos, o paraíso de Alá. Al Koran significa em árabe "O discurso". Antes desta data, a presença dos árabes na história mundial é secundária e só aparecem geralmente ligados à vida de outros povos, nunca desenvolvendo o papel principal. Assim, os anais históricos falam dos egípcios, judeus, assírios, babilônios, fenícios, persas. Sua religião era povoada de seres maléficos, demônios, gênios, e manes, potências espirituais que interferiam na vida cotidiana dos homens. Essas potências podiam ser manipuladas e convertidas em protetoras. Os que possuíam a capacidade de mediar entre as forças ocultas e os homens eram chamados magos. A grande obra de Maomé foi submeter as diversas divindades arábicas a uma autoridade única, a um só deus, Alá. A adoção desta nova religião significou uma total transformação na vida do povo árabe. O islamismo se apresenta como religião sucessora de outras duas que já haviam nascido: o judaísmo e o cristianismo. A religião hebraica, que se desenvolveu com Abraão e Moisés, tinha consciência de sua novidade: para os judeus Jeová é o único Deus verdadeiro em todo o universo. O cristianismo apresenta Jesus como o Messias salvador anunciado pelos profetas judeus. Ele surge como filho de Jeová. A religião dos árabes herda tradições de ambos. Da mesma maneira que judeus e cristãos, a primeira tarefa dos islamitas foi combater os cultos idólatras e promover a crença numa única divindade superior. Maomé não foi o único autor disso. A convivência anterior dos árabes com os judeus e cristãos havia mostrado que a "crença em um único deus", ou seja, o monoteísmo, era uma alternativa boa para eles. Paralelamente, o politeísmo tradicional, com seu excesso de divindades, impedia a unificação social. Assim, a tarefa de Maomé já estava garantida pela deterioração do politeísmo tribal. A nova religião apresentada por ele como a última verdade, e ele mesmo como o último dos profetas. Os árabes, até então dispersos e vivendo em regime exclusivamente comunitário, unificam-se sob a nova religião, surgindo como um povo dotado de cultura e costumes homogêneos.

RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO, O REI GUERREIRO
Inglaterra - 08/09/1157 - Domingo
06/04/1199 - Terça-feira

A Primeira Cruzada terminara em 1099 com a vitória dos cristãos e a Palestina com Jerusalém fora libertada dos turcos seldjúcidas. Mas em 1.187, Jerusalém caía nas mãos de Saludino, o sultão dos "infiéis" – como eram chamados pelos cristãos os seguidores do islamismo. Contudo, a Europa cristã não se conformou com a perda da Terra Santa: o papa enviou emissários a todos as cortes para organizar a campanha da reconquista. Os reis Filipe Augusto da França, Ricardo I da Inglaterra e Frederico Barba-roxa da Alemanha responderam logo ao apelo papal. Mas só Ricardo I, cognominado Coração de Leão por sua bravura e intrepidez nos campos de batalha, se destacaria de fato na Terra Santa. Ricardo, terceiro filho do Rei Henrique II da Inglaterra e de Eleanora da Aquitânia, recebeu o Ducado aos 15 anos e correspondia à atual região sul-ocidental da França, ao redor da cidade de Bordéus. Em 1183, quando morreu seu irmão mais velho Henrique, Ricardo tornou-se herdeiro do trono inglês e da Normandia, na atual França, que então pertencia aos soberanos ingleses. Contudo, as questões dinásticas obrigaram-no a renunciar à Aquitânia em favor de seu irmão João. A recusa de Ricardo em fazê-lo deu início a um período de lutas nas quais Ricardo recebeu a ajuda do Rei Filipe Augusto da França. Contudo, perde esse auxílio logo, pois ofende a honra do rei ao rejeitar o casamento com sua irmã, Alice. Os caminhos da Inglaterra vão tomar outros rumos. Mas os interesses conjuntos ainda são fortes: a conquista da Terra Santa – ponto crucial das rotas comerciais para a Ásia e o símbolo do fé cristã – supera as desavenças da dinastias. Assim Ricardo e Filipe concordam em participar juntos da Terceira Cruzada. A causa apaixona-os, principalmente a Ricardo, que nela vê a oportunidade de viver como tantas vezes sonhara, isto é, como um verdadeiro cavaleiro e imperador de novas terras. As dificuldades para formar um grande exército não o intimidam e ele não vacila em impor taxas altíssimas – o "imposto de Saladino"- a todos os súditos que não fossem participar diretamente da Cruzada. Além disso, vende tudo o que pode, reunindo fundos para a campanha. Antes de partir para a guerra, em 1189, confia o governo a dois bispos, sob a supervisão de sua mãe, a velha rainha Eleonora de Aquitânia. Após atravessar a França, Ricardo permaneceu na Sicília com seu ex-inimigo e atual aliado Filipe até a primavera de 1191. Depois ruma para Chipre, dominada pelos bizantinos. Desejoso de chegar à Palestina precedido de glórias militares, além do fato de que a posição estratégica da ilha era altamente convidativa, acusa o governador grego da mesma de ter insultado sua noiva. Assim, sob esse pretexto, declara-lhe a guerra, conquista Chipre e torna-se herói. A 8 de julho de 1191, segunda-feira, os exércitos de Ricardo e Filipe Augusto reúnem-se finalmente em Acre – a cidade fortificada na costa do Pacífico – que, rebatizada para Saint Jean d'Acre, existe hoje com o nome de Acco em Israel. A fortaleza é dominada em cinco semanas. Todavia a rivalidade entre os aliados tornava-se cada vez mais graves: irrequieto e orgulhoso, Ricardo insulta Leopoldo da Áustria, enquanto suas relações com Filipe chegam a tal ponto, que este retorna para a França e entra em contato com o Príncipe João, irmão de Ricardo, para ambos partilharem o reino de Ricardo. Enquanto isso, Ricardo vence novas batalhas e leva os cruzados por duas vezes até o muro de Jerusalém. Mas as notícias que recebe da Inglaterra sobre as tramas de Filipe e João o inquietam. Antes, porém, recebe do sultão Saladino o reconhecimento da posse das cidades costeiras da Palestina e a garantia do livre acesso dos cristãos ao Santo Sepulcro. Na viagem de volta à Inglaterra, a frota de Ricardo naufraga no mar Adriático, mas ele consegue salvar-se. Para evitar o território francês, resolve atravessar a Alemanha disfarçado. No entanto, é capturado em Viena, no dia 21 de dezembro de 1192, segunda-feira, por ordem de Leopoldo da Áustria, e confinado em um Castelo, às margens do Danúbio. Em princípios de 1193, Leopoldo é obrigado por Henrique VI a entregar seu precioso prisioneiro. Em fevereiro de 1194, Henrique VI liberta Ricardo, apesar dos pedidos de João e Filipe da França para mantê-lo na prisão. E a 16 de março de 1194, quarta-feira, Ricardo entra em Londres, sob aclamação popular. Coração de Leão teve pouco de líder político-administrativo e muito de chefe militar. Em dez anos de reinado, não permaneceu em sua pátria mais de alguns meses. Sua fama vem de um destemor e uma grandiloqüência com marcante senso de espetáculo. A cena da morte é um exemplo de como ele soube encarar o espírito heróico e improdutivo de seu tempo – Ricardo soubera que o Visconde Limoges, seu vassalo, encontrara uma valiosa moeda de ouro perto do Castelo de Chalus e como soberano feudal, exigiu que a moeda lhe fosse entregue. Não sendo atendido, resolveu sitiar o fortim do visconde. Durante a luta, uma flecha atingiu-lhe o ombro. Era o fim: a ferida gangrenava e o rei viu que estava morrendo. No tempo que lhe restou, proclamou seu herdeiro João e ordenou o perdão para o arqueiro que o alvejara.

GENGIS KHAN
Mongólia - 00/00/1162
18/08/1227 - Quarta-feira

Grande Matador, Guerreiro Perfeito, Senhor de Tronos e Coroas, Imperador de Todos os Homens – esses foram alguns dos títulos com que passou à História esse mongol chamado Temugin (o nome que o tornou famoso é Gengis Khan). Conseguiu criar um império ocupando metade do mundo até então conhecido. Gengis Khan não sabia ler nem escrever, mas aprendeu com os chineses a dar importância às ciências. Por isso trouxe à sua corte muitos sábios estrangeiros e criou uma verdadeira escola para instruir os futuros funcionários do Estado Mongol. Além de homens de ciência, recrutou também, nos países conquistados, artesãos – principalmente carpinteiros – e artistas, sobretudo músicos. Apesar das execuções e massacres que comandou, Gengis Khan deve ser lembrado também pela extraordinária proeza de unificar os mongóis – um povo nômade e antes dividido em dezenas de tribos e clãs. Quando ele nasceu, as tribos mongóis eram governadas por algumas famílias que ficavam a maior parte do tempo combatendo entre si. Por volta de 1196, a tribo dos Merkitas saqueou o acampamento do clã dos Borgigin e tomou a mulher de um de seus membros ilustres. O marido ultrajado resolveu ir à desforra: fez aliança com outra tribo e lançou-se à luta e venceu. Retomou sua esposa, ganhou muito prestígio e foi nomeado chefe da tribo. Também mudou de nome: de Temugin para Gengis – palavra que significa antigo, inflexível. Atacou os temíveis tártaros, vencendo-os, e ganhou também as simpatias da dinastia Chin que reinava na China setentrional, ou seja, ao sul das terras mongóis, e que também era constantemente ameaçada pelos tártaros. Dominadas, pouco a pouco, todas as tribos, Gengis Khan decidiu legalizar seu poder. Em 1206 reuniu a assembléia geral das famílias nobres dessas tribos que o proclamaram Khan-Khan, senhor dos senhores. A assembléia toma a decisão de unificar as tribos e clãs numa única nação, vasta e potente, que recebe o nome de Estado Mongol. Transformou a força militar dos mongóis num verdadeiro exército nacional, estruturando sob seu comando pessoal. Reuniu os códigos de leis de diferentes tribos numa só constituição, o Jasak. Quando decidiu atacar a China, deparou com um enorme obstáculo, que era a Grande Muralha. A luta começou em 1213 e em dois anos devastaram todos os campos da China, matando e saqueando. Em 1215 lançou uma expedição contra Pequim e destruiu a cidade.
Gengis Khan decidiu expandir ainda mais o seu território e entre uma conquista e outra, seu exército acabou chegando até o mar Cáspio, no sul da Rússia, subiram até a Criméia, pilhando os estabelecimentos que os comerciantes genoveses ali haviam montado. Depois invadiu a Bulgária e chegaram ao mar Adriático, que banha as costas orientais da Itália. E mais ao norte chegaram até a Polônia. Com a sua morte em 1227, não houve quem conseguisse assegurar a continuação da unidade alcançada pela mão de ferro do mongol Temugin – o Gengis Khan, que levou os mongóis a dispor de tamanho poder territorial.

ROGER BACON
Inglaterra - 00/00/1214
00/00/1292

Filósofo, cientista e frade franciscano que a pedido do Papa Clemente IV, escreveu Opus Majus (Obra Maior), que abrange todas as formas de saber da época, completando-o com Opus Minus (Obra Menor) e Opus Tertium (Obra Terceira). Foi condenado pelo sínodo de Paris e preso, devido às suas concepções científicas. Previu as propriedades das lentes convexas, o grande uso da pólvora e a possibilidade de barcos mecânicos e máquinas voadoras.

DANTE ALIGHIERI
Itália - 30/05/1265 - Sábado
14/09/1321 - Segunda-feira

Dante Alighieri tornou-se um monumento literário de sua pátria e do mundo. Poeta e amante, jamais se isolou das lutas que agitavam a sua cidade Florença. Os nobres e o povo afrontavam-se sem cessar. Dante, impedido de voltar para Florença, por ter sido acusado de corrupção, teve que se exilar e vagou por várias cidades italianas. Dante definiu o cômico como estilo próprio para abordar assuntos em que se mesclam o trivial e o sublime, o alegre e o triste. Por isso chamou sua à obra prima de Comédia. Mais tarde, o poeta Boccaccio qualificou-a de "divina", pelo assunto e pela arte com que fora tratada. A partir da edição veneziana de Giolito. O poema passou a ser chamado de Divina Comédia. A obra foi concebida como uma viagem ao além-túmulo e o tema já havia sido tratado por Homero na Odisséia e por Virgílio (70-19 a.C.) na Eneida. A obra consta de três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Dante descreve seu itinerário pelo Inferno como se descreve uma viagem real e, com a ajuda de Virgílio, encarregado por Beatriz (sua amada) de guia-lo até o céu, onde Deus, em seu trono resplandecente, rodeado dos espíritos bem-aventurados, se reúnem para formar a Cândida Rosa.

AMBORGIOTTO DI BONDONE
Itália - 00/00/1266
08/01/1337 - Quarta-feira

Muitas coisas dizem sobre a vida de Giotto, para preencher o vazio das biografias de um dos mais humanos artistas de sua época, inclusive, de que seu pai era proprietário de terras e que mais serviam para pasto que para agricultura. Assim, ele cresceu nos pastos e se fez pastor. Mas nada foi até agora provado, nem sequer aquela lenda, do encontro do pastor Ambrogiotto com a fama: estava ele – diz a lenda – com seus rebanhos nas encostas dos vales e, como sempre, muito mais preocupado em desenhar as ovelhas numa pedra lisa, com pedaços de madeira queimada, que em cuidar delas, como bom pastor. Um estranho que passava pelo local, viu os singelos desenhos do garoto e não mais seguiu viagem. Indagou ao rapaz se gostaria de se aperfeiçoar na arte de pintar e tornar-se pintor. Mas é fato incontestável que por dez anos o jovem Giotto ficou no estúdio do estranho viajante que era Cenni di Pepo, mais conhecido na História da Arte por seu apelido, Cimabue. Dante Alighieri escreveria na sua "Divina Comédia" (Purgatório), que Cimabue era de fato o maior pintor da sua época, mas só até o momento em que foi ultrapassado pelo seu próprio discípulo. Nas reproduções de Giotto, os homens aparecem maiores que as árvores e quase iguais às montanhas. Ele sabia que essas proporções não correspondiam à natureza, mas com elas, queria mostrar a superioridade dos homens sobre todas as coisas. Giotto preocupava-se com a realidade, embora modificasse seus aspectos. Ele sabia que o homem vive cercado pelo mundo e que a seu redor existem exatamente as árvores e as montanhas. Os seus antecessores só se interessavam pela hierarquia em forma de grandeza: Deus era pintado mais alto do que Cristo; Este maior do que os anjos; estes maiores do que os santos; e assim por diante. Giotto transformou este efeito sem sentido numa estrutura da realidade e soube dar aos personagens que pintava o dinamismo de sentimentos e movimentos. Por tudo isso, ele é considerado um precursor da pintura moderna, embora vivesse no século XIII.

GIOVANNI BOCCACCIO
França - 00/00/1313
31/12/1375 - Segunda-feira

Escritor e poeta italiano, de origem francesa, considerado o criador da prosa italiana e autor da famosa obra Decameron. Aos 23 anos, inspirado num romance que manteve com uma jovem da nobreza, escreveu Fiammetta, revelando, já, alguns traços de psicólogo, mostrados, depois, em quase todos os seus livros. Tornou-se amigo íntimo de Petrarca e manifestava profunda admiração por Dante. O seu livro Decameron constitui de uma série de narrativas satíricas e irreverentes, retratando costumes e ridicularizando, principalmente as damas da sociedade florentina. É uma coleção de cem estórias, onde ele percorre toda a gama dos sentimentos humanos, desde a mais irrisória bufoneria até a mais profunda emoção. Foi o maior responsável pela definitiva fixação, enobrecimento e enriquecimento da língua italiana.

PESTE NEGRA
Europa - 1347

A doença introduzira-se na Europa através do porto Siciliano de Messina: os marinheiros de navios chegados da Ásia haviam contraído a moléstia durante a viagem. A peste propagou-se rapidamente pela cidade e os mortos eram enterrados em vala comum. Não havia tempo para chora-los. O mal desconhecido alastrava-se com rapidez e não escolhia suas vítimas. Os manuais de medicina da época não mencionavam nada que recordasse outros males semelhantes àquela epidemia. Levantavam-se hipóteses: sábios franceses acreditavam que a doença era provocada pelos terremotos que estavam abalando vastos territórios no Extremo Oriente. Para eles, essas conturbações na crosta terrestre estariam contaminando o ar. Enormes fogueiras foram acesas por toda a Europa, com o intuito de purificar a atmosfera. Tudo inútil: a peste continuava a dizimar milhares de pessoas todos os dias. Os marinheiros que sobreviveram à peste foram expulsos da cidade, mas isso não impediu que toda a Europa sofresse os efeitos da terrível praga. Não se tratava de ira divina, como muitos pregavam, mas as péssimas condições de higiene do final da Idade Média. Os autores são unânimes em afirmar que a Europa, no século XIV, era terreno propício à disseminação de epidemias: as cidades eram superpovoadas. No século anterior, grandes contigentes humanos tinham-se deslocado para os centros urbanos, onde se processava intensa reativação das atividades econômicas, amortecidas desde a queda do Império Romano (século V). Nas cidades onde a densidade populacional era maior, três pequenos cômodos serviam, em média, de morada para cerca de dezesseis pessoas. Com ruas estreitas e tortuosas, essas cidades eram cercadas por altos muros, que serviam de proteção contra ataques de ladrões e bandos famintos que viviam nos campos. As condições sanitárias eram precárias e só algumas cidades possuíam esgoto subterrâneo. O hábito do banho não era generalizado entre as populações dessa época e os detritos das casas e das pequenas oficinas artesanais eram atirados às ruas e não havia serviço de coleta do lixo ali amontoado. Essa situação, evidentemente, favorecia a proliferação de ratos e pulgas. Um bacilo chamado Pasteurella pestis foi o causador da terrível moléstia. A bactéria é transmitida pelas pulgas aos roedores, mas pode contaminar outros animais, inclusive o homem. A peste manifestou-se, de início, com a morte repentina de um grande número de ratos em Messina. Os moradores estranharam o fato, mas só avaliaram o perigo a que estavam expostos quando a doença já contaminara a população. Um pequeno tumor na perna ou no braço, do tamanho de uma lentilha, era a marca prenunciadora da morte rápida. Em menos de três dias, a pequena ferida espalhava-se pelo corpo da pessoa contaminada. Quando o doente passava a vomitar sangue, era sinal de que a bactéria penetrara os aparelhos digestivo e respiratório. A vítima falecia em poucas horas. O perigo da contaminação levou populações inteiras a abandonar as cidades em direção ao campo. Entre os fugitivos, porém, havia centenas de pessoas que já portavam o mal. Dessa forma, a doença se propagou entre as populações camponesas. Poucos anos depois, cerca de 25 milhões de pessoas tinham sido dizimadas pela doença. Milhares de camponeses deixaram a lavoura e passaram a viver como nômades, vagando por diferentes países da Europa. A catástrofe não tardou a afetar todo o sistema de produção de bens. A falta de alimentos permitiu que muitos comerciantes fizessem fortuna com a especulação enquanto a miséria aumentava. Bandos de famintos lançaram ao saque e o terror vigorou nas cidades. O desespero fazia o povo buscar refúgio na religião e estranhos profetas viajavam de cidade em cidade arrastando atrás de si multidões de peregrinos. Para os historiadores, a peste negra foi um dos fatores que impulsionaram os levantes camponeses da época e que culminaram, como na Inglaterra, com a própria desagregação do sistema feudal.

JOÃO GUTENBERG
Alemanha - 00/00/1396
03/02/1468 - Quarta-feira

Foi considerado o "pai da imprensa" por ter construído uma prensa de imprimir rápida e eficiente e também o primeiro a usar os tipos móveis de metal. Com esses dois aperfeiçoamentos, revolucionou a técnica de impressão, tornando possível a transmissão da palavra escrita a crescente número de pessoas. A Bíblia de Gutenberg foi o primeiro livro impresso com tipos móveis, escrita em latim, deu um volume de 1.282 páginas.

AMÉRICO VESPÚCIO
Itália - 09/03/1451 - Terça-feira
22/02/1512 - Domingo

A crônica dos descobrimentos marítimos oferece uma série de episódios obscuros, sobre os quais a investigação histórica ainda não pronunciou a última palavra. Um deles refere-se ao viajante que emprestou seu nome ao imenso continente alcançado por Colombo. Américo Vespúcio nasceu em Florença e dedicou-se à astronomia e cosmografia. Em 1491 foi a Sevilha e travou contato com as idéias e sonhos dos conquistadores espanhóis. Tanto o atraíram seus relatos, que um dia resolveu mudar de profissão, de bom comerciante que era, decidiu tornar-se aprendiz de explorador e embarcou numa nau que zarpava para o desconhecido. Vespúcio ajudou a dissipar a dúvida sobre a configuração do continente que Colombo considerava um arquipélago, as "Índias". Contudo, foi a série de crônicas de viagem que lhe deu maior notoriedade. Assim, doou seu nome ao Novo Mundo: América.

LEONARDO DA VINCI
Itália - 15/04/1452 - Sábado
02/05/1519 - Segunda-feira

Foi pintor, escultor, matemático, arquiteto, urbanista, físico, astrônomo, engenheiro, naturalista, químico, geólogo, cartógrafo, estrategista, criador de engenhos bélicos e inventor de instrumentos musicais. É considerado um gênio universal. Os estudiosos da Renascença reconhecem nele uma das figuras mais importantes de seu tempo. Sua obra é toda marcada pela genialidade. Embora genial em diversos campos, foi na pintura que da Vinci mais se distinguiu. Pintou poucos quadros, mas todos eles verdadeiras obras-primas, como a "Anunciação", a "Virgem dos Rochedos", o retrato da "Mona Lisa", considerado o quadro mais famoso do mundo. Muitas de suas obras ficaram inacabadas ou se acham em mal estado de conservação, já que o artista utilizava-se de novas técnicas ainda não testadas. Em sua ânsia de conhecimentos, não raro, punha de lado um trabalho recém começado para iniciar outros. Senhor de uma imaginação inesgotável e de uma curiosidade intelectual ímpar, sua carreira artística só pode ser entendida em função de suas numerosas ocupações. Entretanto, as raras obras de sua autoria, ao lado de inúmeros desenhos, são mais do que suficientes para consagra-lo. Inventor de projetos do avião, do tanque de guerra e do submarino, precursor da moderna acústica e das rodovias de dois planos, desenvolveu também a anatomia com suas pesquisas em cadáveres.

CRISTÓVÃO COLOMBO
Itália - 29/10/1452 - Domingo
20/05/1506 - Sábado

Navegador genovês que descobriu a América, julgando ter atingido a costa leste da Ásia. Conhecedor de Geometria, Geografia e de Aritmética de seu tempo, já acreditava que a Terra fosse redonda. Participou de várias expedições marítimas antes de apresentar ao rei de Portugal seu plano de chegar ao Oriente, viajando pelo Ocidente. Recusado o plano, fez duas tentativas junto aos reis espanhóis Fernando e Isabel de Castela. Partiu em 03 de agosto de 1492 com três caravelas: Santa Maria, Pinta e Nina e aportou em 12 de outubro do mesmo ano em uma das ilhas Baamas e a batizou de São Salvador. Fez mais três viagens à América e explorou as Antilhas, Trinidad e à costa da Venezuela e, Jamaica, Cuba e outras ilhas do Caribe.

VASCO DA GAMA
Portugal - 00/00/1460
24/12/1524 - Sábado

No século XV, os conhecimentos geográficos dos europeus eram muito limitados; a Europa era a única parte do mundo de cuja forma e extensão seus habitantes tinham certa segurança. Desconheciam a América e a Austrália. Ásia e África, embora já conhecidas como continente, não tinham seus contornos bem definidos. Pensava-se que a África fosse mais curta do que é e que suas costas ocidentais dessem uma brusca virada na direção sudeste. Tinha-se porém uma idéia certa: a de que as águas do Atlântico se comunicavam com as do Índico, banhando as costas africanas. Desta certeza nasceu na Europa o plano de chegar às Índias pelo mar, costeando a África. Os intercâmbios comerciais com a Índia eram muito importantes para os europeus, não só por causa das especiarias, mas também por causa dos tecidos e pedras preciosas cuja revenda enriquecia os comerciantes mediterrâneos. As alternativas de caminhos para as Índias estavam cada vez mais perigosas: no Mar Mediterrâneo, havia os piratas árabes, no Egito o problema era com a segurança das caravanas e na Ásia Menor já imperavam os turcos – muçulmanos que não recebiam os europeus cristãos com muita hospitalidade. Obstruída a comunicação tradicional da Europa com a Ásia, não restou outra coisa a fazer senão pensar na rota marítima. E por sua privilegiada situação geográfica, coube a Portugal a façanha de sair na frente em busca deste caminho. Depois que Bartolomeu Dias conseguiu chegar até o Cabo da Boa Esperança, que antes se chamava Cabo das Tormentas, foi a vez de Vasco da Gama continuar a rota. Para isso, partiu de Lisboa a 8 de julho de 1497 com quatro naus e 160 tripulantes e ao final de dez meses de perigos e incertezas – durante os quais a vida andou por um fio – chegaram finalmente às Índias Orientais. Glória para Vasco da Gama e Portugal. Seus feitos foram celebrados por Camões em "Os Lusíadas".

PEDRO ÁLVARES CABRAL
Portugal - 00/00/1467
00/00/1520

Navegador, amigo de Vasco da Gama e, por sugestão deste ao rei de Portugal, comandou a segunda expedição enviada à Índia, no decorrer da qual afastou-se da costa africana e descobriu o Brasil. Depois, ultrapassou o cabo da Boa Esperança, explorou as costas de Moçambique para finalmente chegar às Índias, onde fez o cerco de Calecute e concluiu um tratado de comércio.

NICOLAU MAQUIAVEL
Itália - 03/05/1469 - Quarta-feira
22/06/1527 - Sábado

Interessado nos problemas de seu tempo, Maquiavel participou ativamente da política de Florença. Com 29 anos, tornou-se secretário da segunda Chancelaria – uma espécie de ministério – da República de Florença. Realizou várias missões diplomáticas de importância, envolvendo a França, Alemanha, os Estados papais e diversas cidades italianas como Milão, Pisa e Veneza. A política esteve sempre no centro de suas preocupações, refletida numa obra muito vasta. Dedica seu feito maior: O Príncipe, a Lourenço de Medici, antigo governante de Florença. Nele estão contidos os conhecimentos adquiridos e a experiência vivida. Disseca a formação e a conservação dos principados, o papel do governante supremo, sua capacidade de manter-se no poder por recursos políticos ou pela força.
Em 1516, Maquiavel escreveu o Diário em Torno de Nossa Língua, procurando demonstrar a superioridade do dialeto florentino sobre os demais dialetos da Itália. Seguiram-se sete volumes da Arte da Guerra, em forma de diálogo, onde expõe as vantagens das milícias nacionais sobre as tropas mercenárias e realiza um exaustivo estudo de estratégia e tática militar. Apesar de suas idéias serem injustamente mal interpretadas, na linguagem popular, não fez mais do que sistematizar a experiência da formação dos grandes estados nacionais modernos e a atuação concreta dos governantes que os criaram. Todo o seu trabalho visava a Itália, a aspiração do povo italiano em criar uma nação moderna e poderosa e a unificação política. E o importante era realizar o desejado projeto, sob qualquer forma de governo e por quaisquer meios, inclusive a violência. Maquiavel considerava os fatores morais, religiosos e econômicos que operavam na sociedade como forças que um governante hábil poderia e deveria utilizar para construir um estado nacional forte. Legítimo seria o governo que realizasse a aspiração do povo. Assim, o príncipe deveria ser capaz de estender seu domínio sobre todas as cidades italianas, acabando de vez com a discórdia.

FERNÃO DE MAGALHÃES
Portugal - 00/00/1470
27/04/1521 - Sábado

Embora tenha nascido em Portugal, foi a serviço da Espanha, que realizou a grande façanha de dar a volta ao mundo, sulcando o Oceano Pacífico de leste a oeste. Partiu de Sevilha em 10 de agosto de 1519 e em 13 de dezembro já estava na baía do Rio de Janeiro, para apanhar suprimentos e consertar os danos dos navios. Em seguida manda despregar velas: tem início a fase decisiva da viagem – a busca da passagem para o oceano que ficava a oeste. Depois de muitos contratempos, revoltas, tempestades, Magalhães chega por fim à Terra do Fogo, onde fica a passagem para o Oceano Pacífico. Magalhães é morto por indígenas nas ilhas Filipinas junto com vários expedicionários e o restante da armada segue viagem sob o comando de Juan Sebastián Elcano. Embora Magalhães não atingisse pessoalmente as ilhas das especiarias, sua tarefa central fora cumprida. A rota descoberta serviu apenas para mostrar que as Índias poderiam ser atingidas pelo oeste, mas fazendo uma viagem longuíssima e complicada. Não era propriamente uma rota comercial, dados os entraves e perigos que encerrava. Como viagem de descoberta, contudo, foi realmente bem sucedida. Demonstrou, de fato, que o mundo era redondo; novas ilhas, mares e um oceano foram descobertos.

NICOLAU COPÉRNICO
Polônia - 14/02/1473 - Domingo
24/05/1543 - Quinta-feira

Quando Copérnico nasceu, os homens tinham idéias bem definidas sobre o Universo. Idéias que vinham de longe, desde os tempos do astrônomo alexandrino Ptlomeu e eram consideradas irrefutáveis mesmo sob o ponto de vista religioso. Copérnico freqüentou a Universidade de Cracóvia, onde aprendeu teologia, matemática, astronomia e, quando adulto, foi à Itália para continuar os estudos nas áreas de medicina e direito canônico. Ordenado padre, era também médico – dedicado aos doentes pobres – jurista e astrônomo. Interessava-se pelo que via nos céus e não se satisfazia com as explicações que punham a Terra no centro do Universo. Estudioso incansável, acabou se convencendo de que essas teorias não eram verdadeiras. De volta à Polônia, criou coragem e aventurou-se a publicar seu primeiro livro, o "Pequeno Cometário", em 1512. O resultado foi calamitoso: alguns acolheram com desconfiança e hostilidade, como, por exemplo, Martinho Lutero; para outros, Copérnico era simplesmente um visionário ou um louco. Tais reações, porém, não abalaram a certeza científica do astrônomo, mas ensinaram-no a ser prudente e a ter paciência. Esperou mais 30 anos para imprimir o resto de sua obra, um compêndio em 6 volumes. Ele sabia que uma concepção tão revolucionária – afirmar que o Sol era o centro do Universo e não a Terra – principalmente por partir de um padre, chocava-se com a opinião da Igreja e dos sábios da época. Certa vez, consultado pelo Concílio de Latrão sobre a reforma do calendário, recusou-se a fazer qualquer comentário – achava ainda muito insuficientes os conhecimentos sobre a posição do Sol e da Lua para emitir qualquer juízo. Copérnico atribuiu órbitas semelhantes à da Terra aos demais planetas conhecidos ao seu tempo – Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Elaborou uma explicação para o movimento da Lua ao redor da Terra – outra novidade escandalosa para os doutos da época, outro ponto que dificultou a aceitação global das teorias do padre. Hoje, sabe-se que a idéia de Copérnico – a concepção heliocêntrica do Universo – é, no fundo incorreta: o Sol não é o centro do Universo mas – uma simples estrela entre milhares de outras. Esse erro, porém, não diminuiu sua contribuição ao estudo dos astros. As descobertas de Copérnico influíram nos trabalhos de astrônomos e físicos como Kepler, Galileu e Newton, constituindo a base sobre a qual se montou nos séculos seguintes, o edifício científico da astronomia. Mais do que isso, ele foi o primeiro estudioso a buscar fora da Bíblia a base de suas teorias: desde então, iniciou-se uma tradição de pesquisas, fundamentadas não nos textos sagrados, mas na observação dos fatos. Trezentos anos mais tarde, Charles Darwin daria um passo decisivo nessa direção, ao estudar a origem e a evolução da espécie humana.

MICHELANGELO
Itália - 06/03/1475 - Segunda-feira
18/02/1564 - Sexta-feira

Poucas pessoas se projetaram na posteridade com a grandeza de Michelangelo. E poucas corresponderam tão bem à imagem que se faz de um gênio. Escultor, pintor, arquiteto e poeta, teve como grande paixão: a escultura. Usava o mármore para modelar suas monumentais figuras e assim explicava sua técnica: "A figura já está na pedra; trata-se de arranca-la para fora". E as impressionantes figuras que talhou parecem estar lutando para se libertarem da pedra. Chamado a Roma pelo Papa Júlio II, para começar o túmulo deste, ocupou-se da decoração do teto da Capela Sistina e acabou sua gigantesca tarefa em apenas quatro anos. A obra compreende nove cenas da Criação do Mundo e do Homem, a Queda e o Dilúvio Universal. Depois da morte do papa, voltou a trabalhar no projeto do túmulo, executando as estátuas de Moisés, da Vida Ativa e da Vida Contemplativa. Só depois de quarenta anos que a obra foi concluída, ainda assim, em escala muito menor do que a do projeto original e com numerosos auxiliares. Decorou ainda a parede interior da mesma Capela Sistina com o gigantesco afresco do Juízo Final.

MARTINHO LUTERO

O surgimento dos luteranos está ligado aos inícios da Reforma. A idéia central da Reforma é a convicção de que o ser humano não pode nem tem necessidade de salvar-se por si mesmo. Antes, a salvação é dada em Cristo "unicamente pela graça" e aceita "somente pela fé". Aparentemente simples, esse pensamento, biblicamente fundamentado, originou uma nova compreensão da Igreja, do sacerdócio, dos sacramentos, da espiritualidade, da devoção, da conduta moral (ética), do mundo, incluindo aí a economia, a educação e a política. Há um nome indissoluvelmente ligado a essas idéias: Martinho Lutero!
Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483 em Eisleben, Alemanha. Preocupado com a salvação, o jovem Martinho Lutero decidiu tornar-se monge. Durante seu estudo, sempre o acompanhava a pergunta: "Como posso conseguir o amor e o perdão de Deus?" Lutero foi descobrindo ao longo dos seus estudos que para ganhar o perdão de Deus ninguém precisava castigar-se ou fazer boas obras, mas somente ter fé em Deus. Com isso, ele não estava inventando uma doutrina, mas retomando pensamentos bíblicos importantes que estavam à margem da vida da igreja naquele momento.
Lutero decidiu tornar públicas essas idéias e elaborou 95 teses, reunindo o mais importante de sua (re)descoberta teológica, e fixou-as na porta da igreja do castelo de Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517. Ele pretendia abrir um debate para uma avaliação interna da Igreja, pois acreditava que a Igreja precisava ser renovada a partir do Evangelho de Jesus Cristo.
Em pouco tempo toda a Alemanha tomou conhecimento do conteúdo dessas teses e elas espalharam-se também pelo resto da Europa. Embora tivesse sido pressionado de muitas formas - excomungado e cassado - para abandonar suas idéias e os seus escritos, Lutero manteve suas convicções. Suas idéias atingiram rapidamente o povo e essa divulgação foi facilitada pelo recém inventado sistema de impressão de textos em série.
Movimento da Reforma espalhou-se pela Europa. Em 1530 os líderes protestantes escreveram a "Confissão de Augsburgo", resumindo os elementos doutrinários fundamentais do luteranismo.
Em 1546, no dia 18 de fevereiro, aos 62 anos, Martinho Lutero faleceu. Finalmente, em 1555, o Imperador reconheceu que haviam duas diferentes confissões na Alemanha: a Católica e a Luterana.

Mais informações sobre Lutero

Quando Martinho Lutero chegou ao mundo, na aldeia de Saxónia de Eislebeu, no dia 10 de Novembro de 1483, ninguém supunha que ele iria ser um dos maiores interventores no campo da religião. No início do século XVI, todos os cristãos da Europa Ocidental e Central eram membros da Igreja Católica Romana, com obediência ao papa, que residia em Roma. A religião popular criara muitas superstições que não tinham cabimento nas doutrinas dos padres de outros tempos. Os papas pareciam mais príncipes italianos do que líderes religiosos. Foi por estas e por muitas outras circunstâncias que, nos princípios do século XVI, iniciou um movimento para tentar corrigir essas corrupções. Era filho de um mineiro e um estudioso brilhante. Depois de se ter sentido atraído por uma visão, foi para um mosteiro, com o intuito de tornar-se num monge. Era propenso a graves crises de depressão, quando se desesperava por pensar que se não salvaria. Todo o conjunto de procedimentos da Igreja não conseguia apagar o seu sentimento de indignidade e pecado. Pôs em questão muitas das práticas e cerimónias da Igreja, que o não satisfaziam, por achar que não estavam fundamentadas na Bíblia. Escreveu, então, as suas conclusões nas "95 Teses" e afixou-as à porta da Catedral de Vitemberga. Com os novos métodos de impressão fê-los circular, rapidamente, por toda a Europa e obtiveram a resposta de muitas pessoas com tendências religiosas e preocupadas com a situação da Igreja. Em seguida começou a distribuir muitos panfletos e livros. Negou a autoridade absoluta do Papa, atacou a riqueza e a corrupção da Igreja e o papel privilegiado dos padres na sociedade. Proclamou o sacerdócio de todos os crentes. Defendeu que os padres deviam ser livres de poder casar e ele próprio abandonou os hábitos de monge e casou-se. Insurgiu-se contra as "indulgências" - documentos vendidos pela Igreja que se supunha possibilitarem a entrada no Céu a troco do pagamento de dinheiro. Por todas essas posições que tomou foi excomungado pelo Papa e proscrito pelo imperador sacro-romano. Protegeu-o o Duque Frederico, da Saxónia, que partilhava das suas ideias. Este movimento, que ele encetou, foi chamado de "Reforma" e os seus seguidores foram apelidados de "Protestantes", devido ao inconciliável conflito que se travou com os católicos. Tudo começou após as ineficácias do Concílio de Latrão, que nada modificou nos costumes e abusos da Igreja. E, o cálice extravassou, quando Leão X se empenhou na construção da Basílica de S. Pedro do Vaticano - ainda existente -, propondo aos fiéis as já citadas "indulgências", para a obtenção de fundos para a edificação da sumptuosa Basílica. A verdade é que muitos padres e muitos pregadores usaram esta possibilidade para abusar do seu poder sobre os fiéis. E da parte do Vaticano nada foi implementado para alterar esta situação. Quando em 1517 decidiu publicar as "95 Teses", é porque já não aguentava mais com tão escandalosa vivência de algum clero e a opulência e ineficácia do papado. Foi em 1520 que, através da bula "Exsurge Domine" que o papa Leão X o condenou, queimando a carta quando a recebeu. No ano seguinte foi excomungado. Acendia-se, com mais fervor, a fogueira da revolta, culminada com a "guerra dos camponeses" (1524-25), e esta sina político-religiosa durou décadas.
Do lado do catolicismo é rotulado de: animal feroz e furioso, blasfemo, sacrílego, profanador, inventor de "874 mentiras e mais de mil traições do texto da Bíblia", como titulava um livro contestando as suas teses. Traduziu o "Novo Testamento", tornando acessível a Bíblia a todos os fiéis. Em 1529 publicou o Grande e o Pequeno Catecismo. No Concílio de Trento Roma seguiu-lhe os passos, publicando o primeiro catecismo da Igreja Católica.
Inúmeros fiéis seguiram o seu movimento de Reforma: Melanchton foi o seu principal discípulo e sucessor, que redigiu em 1530, a "Confissão de Augsburgo", uma espécie de carta das igrejas luteranas; Utich Zwingli e Calvino foram outros grandes continuadores do protestantismo. Na madrugada de 18 de Fevereiro de 1546 desapareceu da face da Terra, mas o seu movimento estava bem implantado em diversas regiões do mundo. Mesmo na morte conseguiu dividir os que o rodeavam: o diagnóstico de angina de peito, que supostamente o matou, com 62 anos, não colheu a unanimidade dos médicos que o assistiam. Tão pouco foi pacificamente aceite a sua morte natural. Muitos contaram para a lenda que se tinha suicidado, outros que foi estrangulado pelo diabo. O seu testemunho, perante os que o assistiam nos derradeiros momentos de vida, depois de lhe perguntarem: "Padre deseja morrer apoiado em Jesus Cristo, confessando a doutrina que ensinou?" Respondeu, convicto: "Sim"!

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DESCOBRIMENTO DA AMÉRICA
Espanha - 12/10/1492 - Sexta-feira

Era o dia 03 de agosto de 1492 (Sexta-feira) e Colombo levantava âncora de Palos em direção ao Atlântico. A bonança retinha a pequena frota perto das Canárias, de onde seguira viagem depois de uma parada que durou de 10 de agosto a 6 de setembro. Talvez, apenas Colombo mantivesse a serenidade e a confiança. Estava certo do êxito desde que saíra com uma frota de três navios: Santa Maria, Pinta e Niña e 87 homens a bordo. O temor de não ver mais terra invadia toda a tripulação e ele percebeu que devia preparar-se para afastar as supertições daquela gente. Deliberou ter duas contagens das milhas percorridas: uma para si próprio e outra – falsa – para o resto da tripulação. Os homens de Colombo estavam inquietos: pensavam que, como durante muito tempo soprara apenas o vento do levante, ali não houvesse brisa que os levasse de volta à Espanha. Temiam o mar de sargaços, temiam os meteoros, como o que viram riscar os céus em 15 de setembro. Grande era o abatimento. A 25 de setembro um dos participantes da expedição, Martín Alonso Pinzón, acreditou ter visto terra, e gritou a Colombo da popa de sua nau: - Terra, terra! Mas eram apenas nuvens. A 7 de outubro elas enganaram a Niña, que disparou um tiro, sinal convencionado para terra à vista. Estas sucessivas desilusões tinham efeito deprimente e tanta era a ansiedade de ver terra que os homens não acreditavam mais em sinal algum. Martín Alonso chegou a pedir mudança de rota para oeste, a fim de atingir o Japão de Marco Polo. A 10 de outubro, Colombo enfrentou os marinheiros dizendo que eram inúteis as lamentações porque "tinha decidido ir às Índias e continuaria até a meta, com a ajuda de Deus". Consentiu porém em alterar o rumo, ante a visão de pássaros que voavam de norte para sudoeste. Na noite de 11 para 12 de outubro, com mar grosso, Colombo voltou à sua rota do poente, mas por pouco tempo: um marinheiro da Pinta anunciou terra à vista. A terra apareceu claramente por volta das 2 horas da madrugada, à distância de umas duas léguas. Era uma ilha do extenso arquipélago situado entre o golfo do México e o mar das Caraíbas, mais tarde denominado Antilhas. Navegaram em torno procurando um lugar onde ancorar. Na costa, intrigados com os monstros marinhos de asas brancas, homens, mulheres e crianças aglomeravam-se, inteiramente nus. Essa primeira terra descoberta recebeu o nome de San Salvador. Colombo navegou entre as Bahamas por 96 dias e onde quer que desembarcasse, plantava cruzes. De ilha em ilha, chegou à Cuba e fez amizade com os índios. Embora maravilhado com tudo o que viu, Colombo não podia deixar de pensar no ouro pela qual convenceu sua gente a segui-lo. E ouro não há. A não ser o pouco que ornamentam os índios, sempre
dispostos a troca-lo por quinquilharias. A 6 de dezembro, Cristóvão Colombo aportou no atual Haiti, cuja paisagem lhe lembrou a Espanha e por isso a batizou de Hispaniola. De volta à Espanha, onde chegou em março de 1493 a bordo da Niña, Colombo viu seu triunfo ser festejado em Barcelona. A corte e toda a população foram recebe-lo. Os reis católicos não permitiram que Colombo se ajoelhasse diante deles e em máxima honra, sentou-se à direita da rainha. Da cerimônia constava o batismo dos seis índios que tinha trazido, como troféus vivos do grande feito. Tanto o navegador quanto os soberanos espanhóis estavam convencidos de que a viagem havia levado às Índias. A idéia de que Colombo havia aportado em outras terras não passava pela cabeça de ninguém e o primeiro que vislumbrou a verdade foi o humanista italiano Pietro Martire d'Anghiera.

DESCOBRIMENTO DO BRASIL
Portugal - 22/04/1500 - Quarta-feira

O Brasil foi descoberto por causa de uma revolução que começou uns trezentos anos de Cabral nascer. Teve como protagonistas centrais comerciantes, artesãos e banqueiros. O sistema feudal, predominantemente rural, tinha tirado das cidades a função de núcleos comerciais. Mas Veneza, Amalfi, Gênova e Nápoles puderam continuar, pela via marítima, o processo de trocas, principalmente com a antiga capital do Império Romano do Oriente, Bizâncio, então chamada Constantinopla. O comércio fez crescer as cidades, o crescimento das cidades reforçou a importância do comércio. E também o papel das cidades do norte da Itália, de onde partiam caravanas de mercadores rumo à Europa Central, chegando ao mar do Norte e ao Báltico, onde outras cidades, geralmente portuárias, se encarregavam de continuar a distribuir os produtos recebidos. Formavam-se assim dois eixos: no sul da Europa, os italianos monopolizavam o comércio com o Oriente, de onde traziam as tão apreciadas especiarias. Na Europa central e setentrional, mandava a Liga Hanseática – associação econômica e política das cidades do norte da Alemanha, rainha dos mares norte- europeus desde o século XIII. Portugal e Espanha não participavam dessa revolução comercial e, quando os turcos tomaram Constantinopla, em 1453, o bloqueio ficou completo. Só havia uma saída: contornar os obstáculos descobrindo novos caminhos para o Oriente e fixando novos centros de comércio. Isto levaria a uma baixa do preço das especiarias no mercado europeu e a Península Ibérica poderia, por fim, entrar na dança das relações comerciais em passo de igualdade. Março de 1500. Portugal e Espanha dominam os mares. Em Lisboa forma-se a mais aparatosa das frotas que já haviam deixado Portugal com destino a Calecute, nas Índias, com o objetivo de consolidar a influência da coroa de D. Manuel. Para evitar as calmarias, "a expedição" toma o rumo sudoeste, bem longe da costa africana e chega por fim à terra que hoje é Brasil. Pedro Álvares Cabral comandava a frota de 13 navios e entre a tripulação encontrava-se Bartolomeu Dias, experiente navegador que dobrara pela primeira vez o Cabo das Tormentas, no extremo do continente africano. Finalmente, em 21 de abril de 1500 (Terça-feira), surgem sinais de terra: muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamavam botelho, ou rabo-de-asno. No dia seguinte, pela manhã, outro indício de terra próxima: aves fura-buxos, como reportara Pero Vaz de Caminha, escrivão da expedição, que entrando em detalhes, fala primeiramente de "um grande monte, mui alto e redondo", que Cabral logo chamou de Monte Pascoal, pois estavam na páscoa. No dia 23, o comandante Nicolau Coelho desceu à terra e fez os primeiros contatos com os indios, que já o esperavam. Depois da troca de presentes, pois não houve luta, foram convidados para subirem a bordo. Os portugueses gostaram de entender que naquelas terras havia muito ouro e prata e isso era um bom motivo para continuar os contatos com os indígenas. No dia seguinte, Cabral devolve os índios à terra, acompanhados por Nicolau Coelho e mais alguns homens, para que vissem como era a vida entre os habitantes de Vera Cruz. Cabral tivera o cuidado de presenteá-los , certo de que a "generosidade" causaria boa impressão entre os demais membros da tribo. Depois de alguns dias, Cabral decide prosseguir viagem e manda um navio levar ao rei a notícia da descoberta e o resto da expedição segue seu caminho rumo às Índias. Nem os navegantes nem o rei puderam ter idéia exata do grande mundo novo descoberto. Tanto assim, que por muitos anos deixaram o país como possessão secundária: dela extraíam madeira e alguns outros produtos. Só depois de algum tempo – e diante do interesse concorrente de outras nações – é que resolveram implantar uma colonização definitiva, baseada sobretudo na cultura da cana e na produção de açúcar. Essa atividade gerou o primeiro grande núcleo de povoamento no litoral nordeste.

NOSTRADAMUS
França - 14/12/1503 - Quinta-feira
02/07/1566 - Terça-feira

Astrólogo de origem judáico-provençal e um dos mais modernos profetas do nosso tempo. Suas profecias baseavam-se em estudos de Astrologia, Cabala e alquimia. Filho e neto de médicos, Nostradamus estudou Humanidades e Filosofia, tendo-se doutorado em 1529. Serviu como clínico na peste de 1525. Escreveu várias obras de caráter profético que o imortalizaram, baseadas em aprofundados estudos. Publicou em 1555, um livro de profecias rimadas de título Les Centuries de Michel Nostradamus, através da qual conquistou a simpatia real. Escreveu também alguns tratados reunidos no volume Les centuries, com várias profecias. Dentre as profecias que se concretizaram estão a Revolução Francesa, as guerras mundiais, o incêndio de Londres em 1666, a bomba atômica, a lei da gravidade, as leis de Kepler e a descoberta dos planetas Urano e Netuno, além de várias outras.
A profecia de maior impacto, tida como o início da Terceira Guerra Mundial, era esperada para acontecer em 11/08/1999, coincidindo com o eclipse solar, mas felizmente nada aconteceu.

LUIS VAZ DE CAMÕES
Portugal - 04/02/1524 - Quinta-feira
10/06/1580 - Sexta-feira

O maior poeta da língua portuguesa, autor de Os lusíadas, uma das grandes obras da literatura Universal. O poema tem como eixo central a expedição de Vasco da Gama às Índias, mas reporta-se aos episódios mais importantes do passado de Portugal. Além disso, os conhecimentos de zoologia, geografia, astronomia e outras ciências, presentes no poema, fazem dele uma espécie de síntese do saber da época.

 


 


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