Podíamos
supor que em Mercúrio não pode existir água em nenhuma forma. Tem pouquíssima
atmosfera e é extremamente quente durante o dia. No entanto, em 1991,
cientistas captaram ondas de rádio vindas de Mercúrio e algumas provenientes do
polo norte foram merecedoras de particular atenção. É que a sua frequência só
pode ser explicada pela presença de gelo na superfície ou logo abaixo. Mas é
possível haver gelo em Mercúrio? Devido à rotação de Mercúrio ser quase
perpendicular ao plano orbital, o polo norte vê o Sol apenas um pouco acima do
horizonte. O interior das crateras nunca está exposto ao Sol e os cientistas
suspeitam que as temperaturas nesses locais são inferiores a –161ºC. Esta
temperatura congelante pode manter em Mercúrio água que se libertou do interior
do planeta, há muitos milhões de anos atrás, ou gelo trazido para o planeta
resultante do impacto de cometas. Estes depósitos de gelo podem ter sido
cobertos com uma camada de pó e assim se devem ter mantido até há actualidade.
Mercúrio tem a superfície crivada de crateras de impacto e
possui zonas escuras que devem corresponder a extensas crateras preenchidas por
lavas. Após estas emissões lávicas, Mercúrio terá cessado a sua actividade
geológica, permanecendo o seu aspecto praticamente inalterado nos últimos 3.000
M. a.
Sonda Magalhães
revela-nos a superfície de Vénus
A
superfície de Vénus foi um mistério até ao século passado. Este planeta, que
durante tanto tempo esteve escondido debaixo da sua espessa atmosfera, começou
a ser melhor conhecido graças ao envio de diversas sondas, destacando-se os
dados obtidos durante a missão Magalhães (1990-1994), cuja sonda cartografou o
planeta por radar.
As imagens
enviadas revelam-nos uma superfície jovem que foi provavelmente remoldada nos
últimos 300 a 500 milhões de anos. Vénus apresenta crateras de impacto e
algumas caldeiras vulcânicas gigantes. Tal como a Terra, é ainda um
planeta vulcanicamente activo, mas apenas em alguns pontos quentes localizados.
Alguns investigadores acreditam que há milhões de anos
atrás, terão existido oceanos tais como os nossos, mas que se acabaram por
evaporar devido às altas temperaturas a que esteve sujeito. Assim, o planeta
Vénus actual é seco e
árido. A Terra poderia ter tido o mesmo destino caso estivesse um pouco mais
perto do Sol.
Marte já teve água suficiente para
cobrir todo o planeta
Actualmente,
Marte é uma planeta seco e gelado, mas estudos revelaram que este planeta já
foi coberto com oceanos e tinha mais água por quilómetro quadrado do que a
Terra.
Os investigadores
chegaram a estas conclusões através de uma análise de dados sobre a medição de
hidrogénio molecular na atmosfera e garantem que Marte tinha água suficiente
para cobrir todo o planeta, com uma profundidade aproximada de dois
quilómetros. Desta forma, os locais secos estariam restritos a ilhas ou
pequenos continentes, que correspondem actualmente aos cones vulcânicos mais
altos e às regiões montanhosas. No presente, não se observa vulcanismo activo à
superfície deste planeta, mas pensa-se que deve ter-se mantido termicamente e
dinamicamente activo, durante um largo período de tempo.
Uma
profunda alteração climática transformou Marte de tal forma que hoje é um
imenso deserto gelado. Como causas desta alteração são apontadas uma combinação
de diferentes reacções químicas e a colisão de asteróides e cometas.
Com o
auxílio dos textos, responda às questões seguintes:
1) O diagrama seguinte
evidência dados relativos à idade das formações rochosas da superfície dos
planetas telúricos. A largura das barras pretende representar a percentagem do
planeta que tem a idade indicada no diagrama.

1.1) Identifique os planetas telúricos a que se referem os números 1,
2, 3 e 4. Justifique as suas escolhas.
2) Justifique a seguinte
afirmação: “Mercúrio e Marte são, na actualidade, planetas geologicamente
mortos”.
3) Apesar da proximidade
destes planetas em relação à Terra, a superfície de Mercúrio e Vénus só
recentemente foi desvendada. Mencione as razões que justificam as dificuldades
em obter imagens da superfície destes dois planetas e faça referência aos meios
que permitiram suplanta-las.
4) Estabeleça uma relação
entre o número de crateras observadas à superfície de um planeta e a sua
actividade geológica.
5) Imagine que tinha a
possibilidade de viajar no tempo e decidia visitar o Sistema Solar como ele era
há 2.400 M.a. Como descreveria os planetas telúricos.
6) A água é uma substância
que, segundo os textos, existiu ou existe à superfície de todos os planetas
telúricos. Faça referência à sua presença nos diversos planetas telúricos e
relacione a sua existência com o possível desenvolvimento de formas de vida.
7) Da análise da evolução
dos diferentes planetas telúricos, que hipóteses se podem colocar relativamente
ao futuro do nosso planeta?
FIM