ESCOLA SECUNDÁRIA DE SEIA

 

10.º ANO

 

“Princípios básicos do raciocínio geológico”

 

Na história da Terra têm ocorrido grandes alterações, não só geológicas como também biológicas.

Os geólogos, como outros cientistas, procuram recolher dados sobre os acontecimentos que apoiam as suas ideias e que possam explicar a evolução do nosso planeta.

Existem duas linhas de interpretação desses dados colectados : catastrofismo e o uniformitarismo.

 

Catastrofismo – foi o princípio mais aceite até meados do século XVIII, e o seu principal defensor foi Cuvier, considerado o pai da Paleontologia. Segundo a teoria do catastrofismo, as grandes alterações ocorridas à superfície da Terra foram provocadas por catástrofes, como, por exemplo, grandes inundações.

Rochas com milhares de metros de espessura situadas acima do mar, formadas por sedimentação em ambiente aquático e muitas vezes contendo fósseis de animais marinhos, teriam resultado de uma inundação gigantesca que teria submergido as montanhas numa questão de dias. Porque não eram conhecidos processos naturais que pudessem explicar tais fenómenos, eles eram atribuídos à intervenção divina. Neste contexto, a narração bíblica do grande dilúvio e da arca de Noé seriam um importante contributo para a afirmação desta teoria.

 

Uniformitarismo – no século XVIII, James Hutton, um escocês que hoje é considerado o pai da geologia moderna, afirmou que os aspectos geológicos podem ser explicados à luz de processos semelhantes aos que decorrem na actualidade. Ele reconheceu que as montanhas não são permanentes, mas que foram esculpidas nas suas formas actuais e desgastadas por agentes erosivos lentos, num processo que se prolonga no presente e para o futuro. Notou ainda que a grande espessura das rochas sedimentares que podem ser encontradas nos continentes resulta de materiais removidos de outras rochas, que acabam por ser depositados por acção da gravidade. O tempo requerido para que este processo tenha ocorrido teria de ser incrivelmente longo.

Hutton perturbou o pensamento convencional escrevendo, em 1788, “não se pode estimar a duração do que actualmente se vê, nem calcular o tempo em que começou: portanto, relativamente à observação humana, este mundo não teve princípio nem fim”.

O uniformitarismo, embora não seja uma oposição total ao catastrofismo, pressupõe três princípios orientadores:

 

-          as leis naturais são constantes no espaço e no tempo;

 

-          deve explicar-se o passado a partir do que se observa hoje, isto é, as causas que provocaram determinados fenómenos no passado são idênticas às que provocam o mesmo tipo de fenómenos no presente – princípio do actualismo ou princípio das causas actuais, que pode resumir-se na seguinte frase: ”o presente é a chave do passado”;

 

-          as mudanças geológicas são lentas e graduais.

 

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