Porto
Alegre
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RS/Brazil
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Tchê Barbaridade Vida de gosto e capricho a do campeiro do rincãoMostra destreza talento na lida em qualquer funçãoA mão que segura o laço no rodeio e castraçãoAnima os bailes do rancho de cordeona e de violão. Madrugada seresteira sorriso da prenda amadaAo pé do fogo de chão os causos da gauchadaA domingueira a bailanta provas de hospitalidadeUm bom pingo e chimarrão tem o sabor da saudade
Gineteadas campo a fora berro de gado em rodeioUm cusco bueno e parceiro e um flete manso de arreioCarreiradas nos domingos paixões de novos e antigosGalpões com cheiro do pago cancela aberta aos amigos Um gaúcho é só saudade longe das coisas do pagoSe perde em tragos e pitos e o amargo é mais amargoDesperta a sede pra vida de um amor que não morreuE volta a beber nas fontes dos pagos onde nasceu.
De Volta ao Topo
Por causa da minha china deixei do jogo e bebidaTudo que eu tinha de ruim descomunguei da minha vidaAté uma paixão de anos que eu tinha no chinaredoEu larguei por causa dela e nunca mais fui pro putedo Tenho paciência com ela lhe dou carinho e atençãoSou um mestre da vassoura e campeão no fogãoFaço massinha batida e cafezinho na horaQuando ela grita comigo eu respondo sim senhora
(Só me cuida me dá um beijo que hoje vamo trocá óleo
Que eu te dou uma beiçada dessas de revirá o zóioA.A.M.M. da fé associação dos maridos mandados pelas muié bisPode me mandá me manda que eu vou eu só obedeço a você meu amor) bis
Por causa desta muié vivo no mundo da luaFaço serviço de casa ela festando na ruaEu hoje estou perfumado pareço um buquê de florEla vem de madrugada e vai querer fazer amor Até pra trocar o óleo tenho passado de tudoEla grita eu fico quieto chego me fazê de mudoPisa na minha cabeça sim senhora deus lhe ouçaQue achou da comidinha calma paixão já vou lavá a louça
De Volta ao Topo
Luiz Marenco
Meu poncho emponcha lonjuras batendo águaE as águas que eu trago nele eram pra mim Asas de noite em meus ombros sobrando casaLonge "das casa" ombreada a barro e capim Faz tempo que eu não emalo meu poncho inteiroNem abro as asas da noite pra um sol de abril Faz muitos dias que eu venho bancando o tinoDas quatro patas do zaino pechando o frio
(Troca um compasso de orelhas a cada pisadaNo mesmo tranco da várzea que se encharcouTopa nas abas sombreras, que em outros ventosGuentaram as chuvas de agosto que Deus mandou)
Meu zaino garrou da noite o céu escuroE tudo o que a noite escuta é seu clarim De patas batendo n'água depois da várzeaFreio e rosetas de esporas no mesmo trim
Falta distância de pago e sobra cavaloNa mesma ronda de campo que o céu deságua Que tem um rumo de rancho pras quatro patasBota seu mundo na estrada batendo água
(Porque se a estrada me cobra, pago seu preçoE desabrigo o caminho pra o meu sustentoMesmo que o mundo desabe num tempo feioSei o que as asas do poncho trazem por dentro)
De Volta ao Topo
Tchê Barbaridade
Hoje eu tô apaixonado
Não sei o que me aconteceu
Pedi para a lua cheia
Que no céu me apareceu
Para ser teu namorado
Contigo querendo ficar
Pelas ruas andar de mãos dadas
Pelos bailes se pôr à dançar
Teu namorado quero ser
Vontade louca de te ver
Apaixonado este sou eu
Teu coração precisa ser só meu
Moça teu jeito bonito
Pedindo pra ser conquistado
Qualquer gaudério atrevido
Ao te ver já ver fica assanhado
Não quero só ficar sonhando
Minha flor vem pro meu jardim
Teu coração vai florir
E o amor nascer, vem pra mim
Os Nativos
Capricha gaiteiro que o baile vai começar
O fandango tá bonito e você não pode parar
Arrumei uma morena brasileira na fronteira
Entrou no baile me convidou pra dançar
Mexe pra lá, mexe pra cá
Que o fandango tá bonito e você
não pode parar
Mexe pra lá, mexe pra cá
Que o fandango tá gostoso e não
tem hora pra acabar
Tchê Garotos
Puxa essa cordeona num compasso fandangueiro
Começa o fandango sapecando uma vanera
Vamos gaiteiro não te afrouxa e não te entrega
E incendeia a moçada dançadeira
Chege pra cá china linda
Vem comigo pro balanço
Pra fazer levantar a polvadeira
Sem perder a marcação
Vamos firmes no compasso
Noite afora entreverado na vanera
Quando a madrugada vai chegando
E o fandango terminando
Vai nascendo um novo dia
Volto pro meu rancho mas que pena
Com saudades da morena
Que a muito tempo eu queria
Tchê Barbaridade
É nesse embalo de vanera
É nesse embalo de vanera
Que eu pisco os “óio” prás loira
Mas só namoro com as morenas
Moreninha não olhes pra mim
Termina o baile e eu não volto jamais
E eu não quero chorar na minha volta
Por ter já deixado um namoro pra trás
E este apelo é também prás loirinha
Que adoram atiçar os gaiteiro
Que ao ganhar um olhar de uma loira
Se acordam de novo e já ficam faceiros
Eu só toco um fandango animado
Se a morena bombeia pra mim
Mas se a loira me dá uma piscada
Eu dou uma chacoaiada mais ou menos assim
Mas as vezes também entristeço
Quando vejo minha prenda em outros braços
É aí que eu pego a minha gaita
E tapo a coitada de força e gaitaço
Tchê Garotos
Igual a um trovador que se habitua
A ter inspiração com a luz da lua
Eu busco em teu olhar iluminado
Razões pro meu cantar apaixonado
Por isso as noites são
Sempre enluaradas
Pelas estradas deste rincão
Eu toco esta canção
Pra prenda bonita
Por quem palpita meu coração
Um breve aceno teu lá da fronteira
Inspira o meu cantar a estrada inteira
E a luz do teu olhar que me acompanha
Conduz meu gauderiar pela campanha
Enquanto eu não puder estar contigo
Nas cordas do violão meu velho amigo
Amanso a solidão nas noites longas
Ao suave bordonear desta milonga
Tchê Barbaridade
Quando me lembro dos pagos
Nos dias de castração
O laço corria froxo
E o mate de mão em mão
O touro brabo berrava
Pra se escapar do peão
Mas a faca castradeira
Fazia o serviço no chão
Me lembro da tia picucha
Que era surda de um ouvido
Andava sempre brigando
Com um fogão velho entupido
Chegava de meio dia
“tava” tudo “a resolvido”
Servia pra peonada
Cuião de touro cozido
Enquanto os “hôme” comiam
A velha ficava em pé
Gritava de vez em quando
Se sirvam quando quiser
Não usem de cerimônia
Tem mais cuião pra quem quer
Se já comeram a vontade
Agora é a vez das “muié”
E as filhas da laudelina
Gostava de uma brincadeira
Dançavam com todo mundo
Num surungo a noite inteira
E a gaita do belizário
Com o fole igual uma peneira
Laventava as saia delas
No balanço da vanera
Tchê Barbaridade
Ficou meio tonto ao chegar
Quando viu tanta gente no baile
Vestido mais lindo nãi vi
Garantia que ia dançar
Seu olhar intimava o gaiteiro
A tocar sua melhor vanera
Pois ela só quer sarandear
Essa é a moça fandangueira
Moça fandangueira
Gosto do jeito que ela sorri ao
dançar
Moça fandangueira
Alegria estampa seu rosto,
jeitinho de amar
Disparou o meu coração
Quando um cheiro de cravo e canela
Espalhou-se por todo o salão
“tava” vindo do corpinho dela
Já não quero parar de dançar
Seu gaiteiro não pare a vanera
Comecei a me apaixonar
Por essa moça fandangueira
Tchê Garotos
Partindo rumo à fronteira
Senti o perfume da flor
Apertou mais a saudade
E aumentou a minha dor
Galopo encurtando estrada
E o céu muda de cor
Só meu santo me protege
Da poeira, chuva e calor
Eu vou, eu vou
Chego nesta madrugada
Eu vou, eu vou
Prá rever a minha amada
De longe vejo meu rancho
Coração chega primeiro
Pois no beijo da chegada
Eu pensei o tempo inteiro
Saudade dentro do peito
Queima mais do que braseiro
Só os carinhos da prenda
Acalmam este campeiro
Luiz Marenco
Meu galpão de alma tranqüila
Ressuscita todo dia
Cada vez que o sol destapa
Sua silhueta sombria
E desenha sinamomos
Na minha querência vazia!
Senhor das manhãs de maio
Ceva esse mate pra mim
Que eu venho há tempos de lua
Minguando sonhos assim;
Os que eu posso sonho aos poucos
Os que eu não posso dou fim!
Silencio quando posso
Quando quero sou estrada
Diviso as coisas do tempo
Bem antes da madrugada
Numa prece que bem lembro
Refaço minhas orações
Pai nosso que estais no céu
Precisai vir aos campos!
No descaso dos galpões
Solito quando me vejo
É que se achega a saudade
Com seus olhos de desejo
Pondo estrelas madrugueiras
Neste céu de picumã
Parecendo que se adentra
Pra contemplar minha manhã
Meus sonhos domei pra vida
Pra minha rédea ao teu gosto
Pras flores da minha alma
Se ela cruzar esse agosto
Por favor, senhor dos mates
Não deixa a manhã tão triste
Mateia junto comigo
Que eu sei que tu ainda existe!
Pai nosso que estais no céu
Precisai vir aos galpões
Tchê Garotos
Encilhei à contento, meu baio de confiança
E batendo na marca, rumei pra uma bailanta
Saí a trotezito pelo clarão da picada
Noite de lua cheia incendiando a madrugada…
Noite de lua cheia incendiando a madrugada…
Te agarra gaiteiro, não deixa
parar
Que eu já tô na sala e quero
dançar
Carca uma vanera que eu vou me
espalhar
Deixa a tristeza prá lá
O ronco da cordeona se ouvia lá de fora
Fui entrando pachola arrastando as esporas
Dei de mão numa prenda e fui riscando o salão
Chinoca flor e flor, conquistou meu coração…
Chinoca flor e flor, conquistou meu coração…
Te agarra gaiteiro, não deixa
parar
Que eu já tô na sala e quero
dançar
Carca uma vanera que eu vou me
espalhar
Deixa a tristeza prá lá
Te agarra gaiteiro, não deixa
parar
Que eu já tô na sala e quero
dançar
Carca uma vanera que eu vou me
espalhar
Deixa a tristeza prá lá
João Luiz Corrêa
A tropa vinha
estendida pastando no corredor
Eu empurrava a
culatra e também fazia fiador
Num bagual
gordo e delgado arisco e corcovedor
Que se
assustava da estaca e da sombra do maneador
É brabo a
vida de um taura que só trabalha de peão
Nisso uma
lebre dispara debaixo de um macegão
Meu pingo
só deu um coice escondendo a cara nas mãos
Saiu
sacudindo o toso e cravou o focinho no chão
Tentei levantar no freio mas era
tarde demais
Eu vi uma poeira fina formando
nuvens pra trás
Berrando se foi a cerca e cruzou
pro lado de lá
Parecia uma tormenta passando em
massanbará
Se enganchava
nas esporas sobre a volta do pescoço
Cortando
couro com pêlo e tirando lascas de osso
Naquele
inferno danado “bombiei” pro meu cebolão
Regulava
quatro e pico numa tarde de verão
Senti a força
do vento me arrancando dos arreios
E aquele bixo
parecia que ia se rasgar no meio
Deixei manso e
de confiança montaria de patrão
Pois honro o
nome que carrego me orgulho de ser peão
Grupo Minuano
Vamo rapaziada da moda antiga
Vamo rapaziada firme no galpão
Rapaziada que se veste a moda antiga
Prendas bonitas desfilando no salão
São coisas lindas que herdamos por herança
Faz a festança nos fandangos de galpão
Prendinhas lindas que dançam a noite inteira
Vão sarandeando animando a gauchada
E pilchadito num estilo bem campeiro
É desse jeito que se ajeita namorada
Cordeona velha que se espicha e que se encolhe
No vai e vem do bracejar de um bom gaiteiro
Cheio de manha num gracejo melodioso
Floreia a gaita num estilo bem campeiro