- Ao contrário do
que se poderia pensar, Chá Com Mussolini não é apenas mais um drama simpático
ao estilo inglês de Franco Zeffirelli, o mesmo cineasta de Jane Eyre e Romeu
e Julieta. Além da originalidade, essa produção requintada surpreende e
emociona ao retratar uma história de "desobediência civilizada", conforme as
palavras do próprio diretor, e também porque conta com um elenco repleto de veteranas,
que dão um show de interpretação.
- Baseado nas
memórias de Zeffirelli e do co-roteirista John Mortimer, Chá Com Mussolini gira
em torno de um grupo de senhoras aristocratas e intelectuais, radicadas na Itália, que se
reúnem nas tardes ensolaradas de Florença para tomar o usual chá das cinco. A
britânica Lady Hester Random, viúva do embaixador inglês na Itália e entusiasta de
Mussolini, Mary, tutora de um garotinho chamado Luca, criado pelas senhoras depois que seu
pai o abandonou, a americana Georgie, uma arqueóloga lésbica e divertida, a avoada
Arabella, amante das artes e dos cães, e a exuberante Elsa, uma ex-atriz americana, cujos
dois maiores objetivos são conquistar maridos ricos e obras de arte, todas elas são as
integrantes do excêntrico e conflituoso clube dos Scorpioni, como assim eram
chamados os estrangeiros que viviam na Itália durante o império de Il Dulce.
- Entretanto, às
vésperas da Segunda Guerra Mundial, a Itália entra em um intenso e instável clima
político, obrigando essa pequena comunidade artística e intelectual a se mobilizar ante
a ameaça do exército fascista, que pretende reduzir as artes e a vida humana às
sombras. E será no momento de desespero e sofrimento que todas essas pessoas descobrirão
os seus medos, anseios, a amizade, o amor e, principalmente, que por trás de toda aquela
jactância escondiam-se senhoras solidárias e de grandeza moral invejável.
- Dos
impecáveis figurinos e direção de arte às belíssimas trilha sonora e fotografia,
Chá Com Mussolini faz uma apologia à arte e àqueles que lutam por ela nas
condições mais adversas, como na guerra, mostrando que em cada um de nós reside o
sentimento mais puro: a sensibilidade. Sentimento este que aprendemos com os ensinamentos
da literatura, teatro, poesia, artes plásticas, cinema, música, fotografia, enfim, de
qualquer expressão artística com a qual nos identificamos.
-
Zeffirelli acertou mais uma vez. Criou um filme vigoroso e sensível, como a arte e a
vida, que constantemente se encontram numa parceria indissolúvel. Nada mais exato para
explicar a intenção do cineasta em Chá Com Mussolini do que a frase dita pela
personagem Arabella (Judi Dench): "viver como esses antigos artistas é compartilhar
uma parte do plano divino." Não precisa dizer mais nada!
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