- Não existe nada mais valioso do que
a vida humana, mas na guerra tal afirmativa parece não ter cabimento, principalmente
quando se trata da vida de pessoas comuns que combatem sem mesmo saber o porquê daquele
conflito. São os homens no poder que investem contra a sua liberdade de escolher o
próprio detino, obrigando-os a tirarem a vida de outrem na mesma situação ou a
arriscarem a própria vida como se isso fosse algo natural.
- Intrigado com essa discussão, o
indomado Stanley Kubrick resolveu dirigir Glória Feita de Sangue, um filme de
guerra em estilo noir sobre um advogado
e oficial do Exército Francês que, durante a 1a Guerra Mundial, tenta
defender e livrar da condenação à morte três soldados acusados de covardia, pois se
recusaram a fazer um ataque suicida ordenado por um General ambicioso e prepotente.
- Um dos melhores
trabalhos de Kubrick, Glória Feita de Sangue não é um hino romântico ou um
libelo contra os horrores da guerra, mas sim um relato frio, irônico e realista sobre a
opressão e a liberdade, conceitos que transitam pelo roteiro constantemente, o qual
interage com a espetacular fotografia e com a primorosa interpretação de Douglas como o
advogado idealista que passa a sensação de impotência do personagem e sua angústia em
saber que seu trabalho de Sísifo não comoverá as autoridades que se sentem acima do bem
e do mal, capazes de ditar o destino de um pobre coitado.
- O impacto que
Kubrick pretende causar no espectador é o choque moral para que se repense alguns
paradigmas que a sociedade prega sobre o poder, ambição e justiça. A revisão desses
valores torna-se urgente a partir da cena final do filme, na qual a crítica recai sobre
os poderosos, para quem os interreses alheios estão acima da vida de algumas pessoas e
cuja ambição pode ser responsável por inúmeras tragédias.
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