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DANÇANDO NO ESCURO
(Dancer in the Dark)
 
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GÊNERO:   DRAMA
Diretor: Lars von Trier
Ano/Local: 2000 / Dinamarca
Elenco: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Peter Stormare, Joel Grey, Udo Kier e Cara Seymour.
Duração: 140 min
Sinopse:  
       Tudo se pode esperar de um filme de Lars von Trier. Essa máxima se confirma com a mais nova obra do diretor dinamarquês, Dançando no Escuro, que oscila ente o gênero musical e o dramático com uma desenvoltura perfeita e incomparável. É a desesperadora história de Selma que dá a deixa para que von Trier faça um filme magnífico.
        Mesmo praticamente cega devido a uma doença congênita, Selma, uma ingênua imigrante tcheca que vive nos EUA, trabalha como operária em uma fábrica de produtos de alumínio e vende grampos de cabelo a fim de juntar dinheiro para a operação do seu filho, portador da mesma doença que ameaça retirar toda a sua visão. Dividida ente a árdua batalha diária e o seu sonho de infância de trabalhar em um musical, Selma esconde a cegueira de todos e consegue alcançar o valor da operação, mas ela se envolve em um evento inesperado com um policial e sua mulher, donos do trailer no qual ela mora de aluguel, o qual muda para sempre as vidas de Selma e de seu filho.
         Com inéditos e belos números de dança, Dançando no Escuro está longe de ser classificado como um musical convencional e alegre, não apenas por seu final chocante. Desde a cinegrafia até a forte temática do filme, nada lembra os típicos musicais da Metro ou aqueles adaptados direto da Broadway para Hollywood. A sua história se desenrola naturalmente, sem aquelas cantorias cansativas, porém a música tem lugar quando Selma resolve fugir da sua sufocante realidade e sonha estar cantando e dançando como nos musicais que assistia quando era mais jovem. Quase cega, Selma apenas sente o mundo através dos sons da fábrica, ou do trem, ou da tubulação de ar ou até mesmo de um lápis escrevendo no papel. Para ela, esses sons são música pura; música para libertar os corações oprimidos.
         Não há como negar o talento de von Trier, um cineasta sensível que tem o dom incrível de retirar de uma história aparentemente trivial  vasto material para criar um filme que possa emocionar, revoltar e instigar o espectador. Contudo, Dançando... talvez não seria tão espetacular se não fosse a especial contribuição de Björk (indicada ao Globo de Ouro e vencedora do prêmio de melhor atriz em Cannes) no papel de Selma. Apesar de todo seu estrelismo, a cantora islandesa, responsável pela composição e interpretação da trilha sonora, encanta com os seus gestos sutis que parecem ser meticulosamente ordenados e a sua voz belíssima faz crescer uma sensação de calma e desprendimento. E o que dizer da francesa Catherine Deneuve no papel de Kathy, a fiel amiga de Selma? Simplesmente ótima, sem aquele glamour e arrogância que a acompanharam durante toda a sua carreira. Em um filme de von Trier tudo pode acontecer!
          Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Oscar de melhor canção, Dançando no Escuro é um filme sobretudo poético, provocador e inteligente, que passa uma mensagem otimista: nada pode te impedir de fazer algo, se você acredita em você mesmo e se dispõe a fazê-lo de corpo e alma. No caso de Selma, ela se sacrificou pelo seu filho, acreditou nela mesma e conseguiu o seu objetivo, mesmo não podendo enxergar. Afinal, como diria Selma, "não há nada mais para se ver; eu já vi tudo". Até no escuro é possível ser feliz!    
     
Conceito:

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