- Douglas
Fairbanks, Charlie Chaplin, Buster Keaton, Marie Dressler, Rodolfo Valentino e a fictícia
Norma Desmond, estrelas do cinema mudo que, com o advento dos filmes sonorizados,
perderam o posto de "mito" e se tornaram simples mortais, artistas esquecidos em
um passado grandioso. Sensível ao final nem um pouco feliz e à melancolia desses
ex-astros de Hollywood, Billy Wilder cria a complexa personagem Norma Desmond, alter-ego
de Gloria Swanson, atriz que, ao lado de tanto outros atores talentosos, viu sua carreira
ruir quando o som invadiu as salas de projeção.
- Muito
antes do lançamento de o O Cantor de Jazz (1927), primeiro filme falado, Norma
Desmond reinava absoluta nas telas. Uma star movie por excelência, Norma recebia
milhares de cartas de seus fãs, enquanto filmava com diretores consagrados, como Cecil B.
DeMille, que até mesmo faz uma ponta no filme. No entanto, veio revolução sonora no
cinema, que trouxe consigo novas tecnologias e um novo paradigma para a cinematografia
mundial. Novos argumentos foram explorados, novas técnicas de interpretação foram
adotadas e, conseqüentemente, novos rostos foram requisitados. Norma, portanto, estava
com os dias contados: fora abandonada pelo mesmo mundo fantasioso que a criara. Despejada
dos sets de filmagem, a antiga queridinha de Hollywood opta por viver reclusa, afastada
das telas e da vida.
- Na esteira
da sonorização do cinema, jovens ambiciosos aterrissam em Hollywood. Entre eles, Joe
Gillis, um roteirista de filmes B cujo sonho é escrever roteiros de sucesso para os
grandes diretores de cinema. Por um acaso do destino, Joe Gillis conhece a cinqüentona e
esquecida Norma Desmond, a qual vê no talento do rapaz a sua única chance de sair do
ostracismo. Norma oferece ao rapaz dinheiro, casa, carro, roupas caras e comida para que a
ajude a escrever o roteiro do filme que pretende estrelar. O jovem roteirista aceita de
pronto a proposta, mas a amargura e a prepotência da ex-atriz levam-no a caminhos muitos
diferentes do pretendido por ele. Segue-se então entre eles um relacionamento sufocante e
instável, cujo desfecho é trágico para todos.
-
Com esta brilhante e bem-humorada homenagem aos órfãos do cinema mudo, Billy Wilder
lançou Holden (indicado ao Oscar de ator) ao estrelato e ressuscitou o prestígio de
artistas que há muito tempo não eram vistos nas telas: o ator e diretor Erich von
Stroheim (indicado ao Oscar de coadjuvante), soberbo no papel de um sombrio ordenança, e
a própria Gloria Swanson (indicada ao Oscar de atriz), magnífica como a atormentada
Norma Desmond. Merecem aplausos também a aparição do diretor DeMille, um dos pioneiros
do cinema, e de Buster Keaton, astro do cinema mudo. Enfim, Wilder nos dá a honra de
rever o talento desses grandes atores, o que faz de "Crepúsculo dos Deuses"
uma epifania a todos os deuses e monstros do cinema mudo.
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