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Embora tenha sido o criador de Cidadão
Kane, considerado por muitos como um dos melhores filmes de todos tempos, e de outras
obras imortais, Orson Welles nunca teve o seu infinito talento reconhecido pelos grandes
estúdios, tendo que muitas vezes trabalhar como ator em filmes duvidosos para poder
bancar a produção de seus próprios filmes. Ator, diretor, escritor e produtor, o
americano Welles iniciou no cinema com a sua obra-prima Cidadão Kane (1941), no
qual também atuou, após trabalhar na Broadway e no rádio, quando aterrorizou o povo
americano ao narrar uma invasão fictícia de seres extraterrestres na Terra, baseando-se
em A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. Uma brincadeira que marcou a sua imagem
para sempre como um homem excêntrico e sem qualquer pudor.
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Gozando da ótima repercussão de Cidadão Kane na América e Europa, Welles
lançou-se em um novo experimento estético, dirigindo Soberba, em 1942. Nesse
mesmo ano, o mais fértil de sua carreira, Welles dirigiu ainda Jornada de Pavor,
O Estranho e o cult movie A Dama de Shanghai, um filme policial bem
diferentedo que a platéia estava acostumada a ver.>Em 1948, Orson
Welles filma um dos clássicos de Shakespeare, Macbeth, o que viria a repetir em
52, com Othello, filme premiado em Cannes e muito festejado.
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Dividido entre a direção de seus filmes e a interpretação, Welles fez uma
participação no excelente O Terceiro Homem (1949), atuou em Moby Dick
(1956), O Proscrito de Hong Kong (1961), O Homem que Não Vendeu a Sua Alma
(1966), Cassino Royale (1967), Ardil 22 (1970), além de atuar na
maioria de seus filmes, como A Dama de Shanghai, Macbeth -
Reinado de Sangue, A Marca da Maldade (1958) e O Processo (1962).
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Depois de filmar Grilhões do Passado (1955), Orson Welles criou mais um filme
que entraria para a galeria das obras inesquecíveis do cinema, o ousado e moderno A
Marca da Maldade (1958), o qual deu a Welles o status de diretor cult. Em
62, mais uma inovação e demonstração de coragem, Welles decide levar para as telas o
clássico romance de Kafka, O Processo, em direção espetacular.
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Em 1975, Orson Welles, então com 60 anos e há sete sem filmar, volta à direção com um
louco e bem-sucedido projeto, o filme Verdades e Mentiras de Orson Welles, uma
reflexão sobre a arte, sobre a sua própria vida e sobre sua capacidade de enganar o
público com histórias que estão entre a realidade e a mentira. Contudo, o seu
verdadeiro testamento cinematográfico é Filming Othello (1979), no qual Welles
fez uma viagem nostálgica ao passado e reviveu a sua carreira.
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Muitos diretores foram igualados a deuses durante as suas carreiras, mas poucos
conseguiram manter o mito até o fim da vida e após a morte, e Orson Welles foi um deles.
Deus ou monstro, Welles revolucionou o cinema mundial, transformando a imagem em algo
pragmático, misterioso e ambíguo. Na verdade, ele reinventou a arte de contar histórias
através de uma câmera, criando uma linha tênue entre o falso e o verdadeiro, entre o
sério e o irônico. Enfim, Welles, o pai do inaudito, compreendia puramente o cinema como
forma de expressão artística, um meio de criação ilimitada. Que assim seja!
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Principais
Filmes:
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- Cidadão Kane (Citzen
Kane, 1941)
- Soberba (The Magnificent Ambersons, 1942)
- Journey Into Fear (Jornada de Pavor, 1942)
- O Estranho (The Stranger, 1942)
- A Dama de Shanghai (The Lady from Shanghai, 1942)
- Macbeth, Reinado de Sangue (Macbeth, 1948)
- Othello (Othello, 1952)
- Grilhões do Passado (Mr. Arkadin Confidential Report, 1955)
- A Marca da Maldade (Touch of
Evil, 1958)
- O Processo (Le Procès, 1962)
- Chimes at Midnight (Chimes at Midnight, 1965)
- The Immortal Story (The Immortal Story, 1968)
- Verdades e Mentiras de Orson Welles (F for Fake, 1975)
- Filming Othello (Filming Othello, 1979)
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