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INGMAR BERGMAN
(1918)
 
 
                   É hora de fazer um acerto de contas. O cinema mundial deve muito a Ingmar Bergman, diretor e roteirista sueco que revolucionou a Sétima Arte com suas obras sufocantes, existencialistas e filosóficas. Todas as homenagens que já foram prestadas a esse monstro sagrado do cinema não foram suficientes para saudar sua dedicação e competência incontestáveis. Mas agora é a vez do Curitiba Cineclube tentar reduzir esse saldo.
                  Um dos cineastas europeus mais prestigiados ao redor do mundo e o diretor sueco de maior projeção depois do mestre Sjöström, Ingmar Bergman sobressaiu-se por dirigir filmes direcionados a uma platéia seleta, pois suas obras vinham sempre contornadas pela complexidade de idéias e sentimentos antagônicos, sem reducionismos, como se observa em   Gritos e Susurros (1973), Sonata de Outono (1978) e Fanny e Alexander (1982), premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro. São filmes herméticos pautados por temáticas existencial-religiosa, filosófica e psicanalítica. Devido à erudição de suas produções, a linguagem cinematográfica de Ingmar Bergman encontrou por muito tempo, e ainda encontra, resistência por parte do grande público, acostumado com o estilo hollywoodiano de filmagem.
                   Ingmar Bergman estreou no cinema com o filme Crise (1945), com o qual demonstrou toda sua potencialidade e vertente existencialista, além do vigor da sua narrativa, algo incomum para a época. Contudo, foi com o Sétimo Selo (1956) que Bergman propositalmente estrapolou os limites da imagem e lançou os fundamentos da sua tese cinematográfica. Sétimo Selo, considerado um dos melhores trabalhos do diretor, retrata a angústia de um cavaleiro medieval ansioso para descobrir o sentido da vida, o mistério da Morte e a existência de Deus. 
                    Deus existe? É a pergunta bergmaniana que também permeia outras obras como Morangos Silvestres (1957), O Rosto (1958) e O Ovo da Serpente (1979), as quais refletem sobre o embate entre fé, religiosidade e ceticismo. Vê-se, portanto, que o cristianismo, embora refutado por Bergman, está inconscientemente presente em seus filmes, seja pela constatação de arquétipos cristãos, seja pela pregação de uma ética similar a do cristianismo.
                     Outro fundamento da filmografia de Bergman é a sexualidade, que faz um contra-ponto à moral cristã. É possível sentir em filmes como A Fonte da Donzela (1959), O Silêncio (1962) e Face a Face (1976) as acepções diametrais do sexo e do erotismo. A sexualidade é encarada por Bergman como uma obsessão, algo irracional e presa ao naturalismo. Na verdade, Bergman quer dizer que não há escapatória: todos nós somos seres humanos e por isso somos subjugados pelo desejo.
                      Destarte, Ingmar Bergman é, antes de mais nada, um filósofo do cinema e da alma humana. Da sua cadeira de direção, Bergman consegue unir em seus belos filmes a arte à ética das paixões, da crença e da existência, construindo uma visão universal e cosmopolita das relações humanas, de paradigmas de comportamento e da dor de existir.                          
Principais Filmes:
 
 
 
 
Crise (Kris, 1945)
Chove em Nosso Amor (Det Regnar paa Vaar Kaerlek, 1946)
Música na Noite (Musik i Morker, 1947)
O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, 1956)
Morangos Silvestres (Smultronstallet, 1957)
Ansiktet (O Rosto, 1958)
A Fonte da Donzela (Jungfrukallan, 1959)
O Silêncio (Tystnaden, 1962)
A Hora do Lobo (Vartimmen, 1968)
Gritos e Susurros (Viskningar och Rop, 1973)
Cenas de um Casamento (Scener ur ett Aktenskap, 1974)
A Flauta Mágica (Die Zauberfloete, 1975)
Face a Face (Ansiktet mot Ansiktet, 1976)
Sonata de Outono (Horstsonat, 1978)
O Ovo da Serpente (Das Schlangenei, 1979)
Fanny e Alexander (Fanny e Alexsandre, 1982)
Depois do Ensaio (Efter Repetitionen, 1984)

 

 
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