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É hora de fazer um acerto de contas. O cinema
mundial deve muito a Ingmar Bergman, diretor e roteirista sueco que revolucionou a Sétima
Arte com suas obras sufocantes, existencialistas e filosóficas. Todas as homenagens que
já foram prestadas a esse monstro sagrado do cinema não foram suficientes para saudar
sua dedicação e competência incontestáveis. Mas agora é a vez do Curitiba Cineclube
tentar reduzir esse saldo.
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Um dos cineastas europeus mais prestigiados ao redor do mundo e o diretor sueco de maior
projeção depois do mestre Sjöström, Ingmar Bergman sobressaiu-se por dirigir filmes
direcionados a uma platéia seleta, pois suas obras vinham sempre contornadas pela
complexidade de idéias e sentimentos antagônicos, sem reducionismos, como se observa em
Gritos e Susurros (1973), Sonata de Outono (1978) e Fanny e
Alexander (1982), premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro. São filmes
herméticos pautados por temáticas existencial-religiosa, filosófica e psicanalítica.
Devido à erudição de suas produções, a linguagem cinematográfica de Ingmar Bergman
encontrou por muito tempo, e ainda encontra, resistência por parte do grande público,
acostumado com o estilo hollywoodiano de filmagem.
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Ingmar Bergman estreou no cinema com o filme Crise (1945), com o qual demonstrou
toda sua potencialidade e vertente existencialista, além do vigor da sua narrativa, algo
incomum para a época. Contudo, foi com o Sétimo Selo (1956) que Bergman
propositalmente estrapolou os limites da imagem e lançou os fundamentos da sua tese
cinematográfica. Sétimo Selo, considerado um dos melhores trabalhos do diretor,
retrata a angústia de um cavaleiro medieval ansioso para descobrir o sentido da vida, o
mistério da Morte e a existência de Deus.
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Deus existe? É a pergunta bergmaniana que também permeia outras obras como Morangos
Silvestres (1957), O Rosto (1958) e O Ovo da Serpente (1979), as
quais refletem sobre o embate entre fé, religiosidade e ceticismo. Vê-se, portanto, que
o cristianismo, embora refutado por Bergman, está inconscientemente presente em seus
filmes, seja pela constatação de arquétipos cristãos, seja pela pregação de uma
ética similar a do cristianismo.
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Outro fundamento da filmografia de Bergman é a sexualidade, que faz um contra-ponto à
moral cristã. É possível sentir em filmes como A Fonte da Donzela (1959), O
Silêncio (1962) e Face a Face (1976) as acepções diametrais do sexo e do
erotismo. A sexualidade é encarada por Bergman como uma obsessão, algo irracional e
presa ao naturalismo. Na verdade, Bergman quer dizer que não há escapatória: todos nós
somos seres humanos e por isso somos subjugados pelo desejo.
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Destarte, Ingmar Bergman é, antes de mais nada, um filósofo do cinema e da alma humana.
Da sua cadeira de direção, Bergman consegue unir em seus belos filmes a arte à ética
das paixões, da crença e da existência, construindo uma visão universal e cosmopolita
das relações humanas, de paradigmas de comportamento e da dor de existir.
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Principais
Filmes:
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- Crise (Kris, 1945)
- Chove em Nosso Amor (Det Regnar paa Vaar Kaerlek, 1946)
- Música na Noite (Musik i Morker, 1947)
- O Sétimo Selo (Det Sjunde
Inseglet, 1956)
- Morangos Silvestres (Smultronstallet, 1957)
- Ansiktet (O Rosto, 1958)
- A Fonte da Donzela (Jungfrukallan, 1959)
- O Silêncio (Tystnaden, 1962)
- A Hora do Lobo (Vartimmen, 1968)
- Gritos e Susurros (Viskningar och Rop, 1973)
- Cenas de um Casamento (Scener ur ett Aktenskap, 1974)
- A Flauta Mágica (Die Zauberfloete, 1975)
- Face a Face (Ansiktet mot Ansiktet, 1976)
- Sonata de Outono (Horstsonat, 1978)
- O Ovo da Serpente (Das Schlangenei, 1979)
- Fanny e Alexander (Fanny e Alexsandre, 1982)
- Depois do Ensaio (Efter Repetitionen, 1984)
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