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Um dos ícones do cinema underground, ao
lado de Paul Morrissey e Andy Warhol, o diretor e ator norte-americano Kenneth Anger
escandalizou a puritana América com seus filmes ilógicos e provocadores. Explorando
sempre a sexualidade em sua forma mais primitiva, Anger transformou os padrões da arte de
seu tempo e fez do cinema um veículo para expressar tudo aquilo que a sociedade escondia
embaixo dos panos.
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Com apenas 17 anos, Anger descobriu o cinema e filmou Escape Episode (1944), mas
foi com 20 anos que Anger dirigiu o seu filme mais emblemático: Fireworks
(1947), no qual as simbologias sexuais se fazem presente, sintetizadas na histórica cena
do pênis que explode. É por causa de cenas esquisitas como essa que Kenneth Anger
tornou-se conhecido como realizador de vanguarda. Para ele, a imagem deveria ser sempre
explorada além da normalidade. Outros de seus filmes mostraram a sua fixação pela
imagem, como por exemplo Eaux d'Artifice (1953) e Inauguration of the
Pleasure Dome (1954), que abusam da mente do espectador e chacoalham as suas
convicções sexuais. Torna-se clara a influência da filosofia da beat generation
em seu trabalho.
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Homossexual assumido, Kenneth Anger reverenciou a si mesmo em Scorpio Rising
(1964), no qual a homossexualidade é a tônica dominante. Depois das confidências de
Scorpio Rising, Anger dirige outros dois filmes tão inquietantes quanto os demais: Psychedelirium
(1969) e Rabbit's Moon (1971). Contudo, na década de 70, Kenneth Anger começou
a perder o vigor criativo e sua força contestadora, acabando por repetir a fórmula de
seus filmes anteriores em Lucifer Rising (1973), seu último filme antes de seu
silêncio.
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Kenneth Anger foi o símbolo de uma geração inconformada com a repressão sexual a qual
a sociedade havia se acostumado. Através de sua pequena filmografia e de seu famoso livro
Hollywood Babylon, Anger conseguiu abalar verdades que pareciam incontestáveis a
respeito da sexualidade, criando um padrão de comportamento criticado e odiado pela
maioria das pessoas. Felizmente, Kenneth Anger teve a coragem de dizer o impensável, teve
coragem de tirar as máscaras da hipocrisia.
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